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Beef on Dairy: oportunidade ou desafio?

POR CARLA MARIS MACHADO BITTAR

CARLA BITTAR

EM 12/04/2023

6 MIN DE LEITURA

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O que é Beef on Dairy?

É a utilização de sêmen de gado de corte em vacas leiteiras, que começou em meados dos anos 2010 e se tornou uma realidade nos Estados Unidos. Essa é uma estratégia utilizada por produtores leiteiros, que já faziam aproveitamento dos machos .

Usar touros de gado de corte foi uma oportunidade para aumentar o valor de mercado dos animais, com vistas a maior desempenho no confinamento, assim como melhorar características de carcaça em comparação com animais leiteiros. Por outro lado, essa estratégia traz maior variabilidade nestas características, o que tem sido estudado.

No entanto, no Brasil o aproveitamento do bezerro leiteiro macho é mínimo, sendo uma grande parte abatida na primeira semana ou vendida para alguém que se denomina “Viteleiro” e que tenta criar esses animais. Curiosamente, eu nunca vi carne de vitelo pra vender em açougues ou supermercados, à exceção da rede Pão de Açúcar que vez ou outra aparece com alguns cortes na gondola. 

beef on dairy

Em um levantamento americano, as fazendas leiteiras que utilizam essa estratégia de inseminar fêmeas leiteiras com sêmen de gado de corte, o fazem preferencialmente nas vacas e não nas novilhas. No entanto, a paridade das vacas não é utilizada como critério, mas sim a eficiência reprodutiva deste animal. Ou seja, vacas que não emprenham após inseminação com sêmen de touro leiteiro seguem para inseminação com touro de corte.

Por outro lado, quando perguntados sobre como o percentual de animais a ser inseminado com sêmen de corte era definido, vários critérios foram citados. O principal fator é o número de novilhas de reposição que a fazenda possui, seguido do valor do bezerro no mercado e por último a taxa de descarte do rebanho leiteiro.

O número elevado de fêmeas de reposição em algumas propriedades leiteiras no Brasil tem pressionado produtores a aumentar investimentos em instalações apropriadas para animais em crescimento. É notável o aumento da densidade animal em muitas propriedades, ocasionando aumentos na disseminação de doenças, problemas de competição no cocho, entre outros que afetam negativamente o desempenho animal.

Estas fazendas seriam grandes candidatas a adotar a estratégia Beef on Dairy até que possam adequar suas instalações para o rebanho leiteiro e continuar ampliando o rebanho. Importante salientar que essas propriedades enfrentam esse problema não por falta de planejamento, mas sim por avanços enormes no manejo reprodutivo e na criação de bezerras, aumentando o número de fêmeas de reposição.

Não menos importante deve ser o entendimento dessas propriedades sobre a oportunidade de comercialização de fêmeas de alto mérito genético em comparação com a criação de animais cruzados.

beef on dairy

Nas fazendas americanas, os touros utilizados são na sua maioria da raça Angus, os quais são escolhidos considerando o custo do sêmen, a taxa de concepção e a facilidade de parto. Interessante que a maioria destas fazendas leiteiras vende os animais com uma ou duas semanas, seja em leilões ou para compradores particulares, sendo baixo o número de propriedades que mantém os animais até o desaleitamento e ainda menor até o peso de abate. Os produtores descreveram descontos nos valores recebidos pelos animais quando estes eram fêmeas, quando não eram completamente pretos, quando não haviam sido descornados e quando não estavam castrados.

Já no Brasil, muitos produtores brasileiros têm criado machos leiteiros com algum sucesso ou adotado a estratégia de inseminar as vacas com sêmen de touro Angus e criado os bezerros mestiços. No entanto, questões como colostragem, alimentação e outras práticas de manejo destes animais ainda precisam de refinamento, especialmente quando o animal será criado em outra propriedade.

Muitos estudos têm sido conduzidos nos EUA, onde os bezerros são vendidos em leilões com uma ou duas semanas de vida. Neste contexto, assegurar que o bezerro que está sendo comprado tenha adequada transferência de imunidade passiva é essencial para o negócio. O refratômetro de Brix é uma ferramenta importantíssimo nesse contexto.

Além disso, questões como transporte e manejo na chegada à nova fazenda parecem ter efeitos marcantes no desempenho, morbidade e mortalidade desses animais. Por outro lado, quando o bezerro é mantido na própria fazenda de origem parece simples afirmar que o produtor adota um manejo idêntico ao de uma fêmea de reposição. Mas será?

No levantamento americano, 87,5% dos produtores manejam os bezerros mestiços da mesma forma que as fêmeas leiteiras, mas somente 50% adota o mesmo protocolo de vacinação. Esse fato afeta em demasia a ocorrência principalmente de problemas respiratórios, já que a maior parte é criada em lotes.

Com relação a colostragem, embora todos façam o fornecimento de colostro na primeira refeição, somente 50% fornece a segunda refeição de colostro, sabidamente importante para a redução de morbidade, sendo que 47.5% não mede a qualidade do colostro.

O volume de fornecimento é de 3-4L para 80% dos produtores, sendo que 95% fornece dentro de 6h após o nascimento. Além disso, a dieta líquida adotada está dividida entre leite e sucedâneo, em volume médio de 5L/d.

Adotar o mesmo manejo utilizado para as fêmeas leiteiras parece o mais correto, mas é necessária atenção para alguns aspectos. Um exemplo é quando a fazenda adota volumes fixos de colostragem, ou seja, independentes do peso ao nascer do animal. Os recém nascidos precisam receber sua primeira refeição de colostro no volume correspondente a 10% do seu peso a nascer na primeira refeição dentro de 2 h após o nascimento; e a segunda refeição dentro de 6-8h após, no volume correspondente de 5% ao nascimento.

Assim, entender o peso ao nascer desses animais cruzados é importante para não realizar colostragem de forma inadequada por baixo fornecimento ou fornecer volumes muito maiores, prejudicando a colostragem de fêmeas por falta de colostro.

Outro aspecto importante é a cura do umbigo, que deverá ser realizada assim como ocorre com as fêmeas leiteiras. O produtor deve repetir a cura do umbigo até que o cordão caia, diferente do que é feito com um bezerro de corte que terá normalmente uma única cura seguida de aplicação de repelente e vermífugo.

A castração também pode ser um fator importante para o desempenho e também valor de venda dos animais. Quando não realizada pode resultar em problemas de competição e brigas, reduzindo a qualidade da carne desses animais.

Alojamento e alimentação também devem seguir os preceitos básicos adotados para as fêmeas. Dieta líquida e sólida de alta qualidade que, além de atender as exigências dos animais, permitam alto desempenho. O fornecimento de dieta líquida deve ocorrer em volumes que resultem em desempenho adequado, sempre com fornecimento de concentrado para que os animais possam ser desaleitados em momento adequado e com o mínimo de estresse.

Além disso, alojamentos que permitam acesso dos animais a todos os recursos como sombra, alimento, água de bebida, local limpo e seco para se deitar. No caso da adoção de criação em lotes, que tenha baixo desafio social, ou seja, sejam adotados lotes homogêneos, além de área adequada para o número de animais no lote.

Embora a biologia dos animais seja muito parecida, ajustes devem ser feitos para a máxima eficiência de produção, com baixas taxas de morbidade e mortalidade. Esta é uma nova estratégia de produção de animais de corte, agora filhos de vacas leiteiras, e ainda é necessário maior entendimento dos entraves para o alcance desses objetivos através de pesquisa.

Quem sabe em futuro próximo não tenhamos recomendações mais assertivas quanto a criação de bezerros oriundos da estratégia Beef on Dairy.

CARLA MARIS MACHADO BITTAR

Prof. Do Depto. de Zootecnia, ESALQ/USP

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JAIME ANTONIO SGANZERLA

TANGARÁ DA SERRA - MATO GROSSO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 24/04/2023

Bom dia!
Sou Médico Veterinário, trabalhei com produção de vitelos na Itália.
Gostei das informações, se possível enviar o contato do autor, para que juntos possamos avançar em técnicas voltadas para este sistema de produção.
Tenho boa experiência na criação de vitelos das normas Européias.
Grato!
Jaime
65 999 44 80 11
MICHAIL MOROZ

CURITIBA - PARANÁ - ESTUDANTE

EM 19/04/2023

Gostaria muito de poder ter acesso as referências que a Professora Dra. Carla Utilizou.

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