Suplementação de probióticos e performance desportiva

Probióticos podem otimizar a performance esportiva, melhorando a recuperação muscular e reduzindo inflamações. Saiba mais sobre essa tendência promissora!

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A performance nos mais diversos esportes tem sido um grande foco da pesquisa atual. O interesse pelo desempenho esportivo cresce à medida que atletas, treinadores e cientistas buscam estratégias para otimizar a resistência, a força e a recuperação muscular, não apenas para alcançar melhores resultados, mas também para promover a saúde, prevenir lesões e prolongar a longevidade dentro do esporte.

Fatores como nutrição, treinamento e recuperação desempenham um papel essencial no rendimento esportivo. Nos últimos anos, a microbiota intestinal emergiu como um novo campo de estudo devido à sua influência no metabolismo energético, na resposta inflamatória e na imunidade em atletas. Um estudo publicado na revista Nature Medicine trouxe evidências de que a composição da microbiota pode impactar diretamente o desempenho de corredores, aumentando o interesse científico nessa área.

Pesquisas recentes analisaram os efeitos da suplementação de probióticos contendo cepas específicas de Lactobacillus, Bifidobacterium e Streptococcus em atletas e praticantes regulares de atividade física. Entre os benefícios observados, destacam-se a melhora na recuperação muscular pós-exercício, maior resposta à hipertrofia, melhor fornecimento de energia ao músculo e até o aumento da distância percorrida. No entanto, muitos desses estudos ainda estão em estágios iniciais, exigindo cautela na interpretação dos resultados.

O que são probióticos, como atuam no organismo e como podem se relacionar com a performance no esporte?

Os probióticos são microrganismos vivos que integram a microbiota intestinal e desempenham funções essenciais para a saúde. Eles auxiliam na digestão, fortalecem o sistema imunológico e contribuem para a produção de substâncias como os ácidos graxos de cadeia curta, que influenciam a produção de energia. Além disso, modulam a inflamação sistêmica e o metabolismo de glicose e lipídeos no músculo, impactando diretamente o desempenho esportivo.

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A microbiota intestinal afeta a absorção de nutrientes, a resposta inflamatória e até a saúde mental, fatores que influenciam a performance de atletas. Seu equilíbrio pode otimizar a recuperação muscular e reduzir o risco de lesões, tornando-se um elemento relevante para o rendimento esportivo.

Estudos indicam que algumas cepas probióticas melhoram a performance física, especialmente em modelos animais. O Lactobacillus plantarum TKW10 (LP10), por exemplo, foi associado ao aumento da força muscular e à melhora da resistência física em camundongos. Em humanos, a suplementação com Bifidobacterium longum OLP-01 resultou em maior distância percorrida no teste de Cooper, indicador de capacidade aeróbica. Além disso, o uso de múltiplas cepas probióticas demonstrou reduzir sintomas gastrointestinais em ultramaratonistas e diminuir a intensidade e duração de infecções respiratórias em maratonistas.

Recuperação muscular e redução da inflamação

Quando pensamos em performance esportiva, muitas coisas são determinantes, entre elas o retardo da fadiga e recuperação muscular. Inúmeros técnicos e atletas tentam estratégias para “driblar” esses fatos que são inerentes ao exercício físico, e a suplementação com probióticos tem se mostrado uma abordagem promissora nesse contexto.

Estudos indicam que os probióticos podem auxiliar na recuperação muscular, reduzindo inflamações e prevenir lesões. Em experimentos com ratos, a suplementação probiótica de Lactobacillus plantarum TKW10 (LP-10) resultou na redução da fadiga muscular, evidenciada pela diminuição dos níveis sanguíneos de lactato, amônia e creatina quinase (CK), substâncias associadas ao cansaço e ao dano muscular após exercícios intensos. Além disso, observou-se uma alteração na composição das fibras musculares, com um aumento na proporção de fibras do tipo I, conhecidas por sua maior resistência à fadiga.

Em humanos saudáveis, a suplementação com as cepas Streptococcus thermophilus FP4 e Bifidobacterium breve BR03 demonstrou reduzir as concentrações plasmáticas de CK e interleucina-6 (IL-6) até 72 horas após um treino de força, marcadores diretamente relacionados ao dano muscular e ao nível de inflamação gerado pelo exercício, sugerindo que os probióticos podem acelerar a recuperação e minimizar os impactos do treinamento de força.

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Outro aspecto relevante é a influência dos probióticos no sistema imunológico. Atletas submetidos a corridas extenuantes como por exemplo uma maratona, frequentemente apresentam uma queda na função imunológica, tornando-se mais suscetíveis a infecções respiratórias e processos inflamatórios crônicos. A suplementação probiótica pode fortalecer a imunidade, reduzindo esses riscos e permitindo maior regularidade nos treinos, o que é essencial para a progressão do desempenho no âmbito esportivo.

Figura 1. Hipóteses da melhora do desempenho esportivo através da suplementação de probióticos em atletas de endurance. SGI: sintomas gastrointestinais; URTIs: infecções de vias aeres superiores.

Diagrama
O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Fonte adaptada de Díaz-Jiménez et al (2021).

Embora os efeitos positivos dos probióticos sejam promissores (Figura 1), é fundamental que seu uso seja respaldado por uma robustez de estudos científicos conduzidos em humanos. De acordo com o documento IOC Consensus Statement: Dietary Supplements and the High-Performance Athlete (2018), o nível de evidência sobre a eficácia da suplementação de probióticos ainda é considerado moderado, o que indica a necessidade de mais pesquisas para confirmar seus benefícios em atletas profissionais e praticantes de exercício físico. No entanto, a manutenção do equilíbrio da microbiota intestinal pode ser uma peça-chave tanto para a performance esportiva quanto para a qualidade de vida dos atletas. A crescente atenção da ciência à relação entre microbiota intestinal e desempenho esportivo reforça a importância de considerar o intestino como um fator determinante no esporte. Atletas que desejam aprimorar sua performance podem se beneficiar de estratégias nutricionais que envolvam a modulação da microbiota, contribuindo para uma melhor recuperação, menores níveis de inflamação e, possivelmente, maior resistência física.

Desta forma, a indústria de laticínios pode focar neste nicho de mercado promissor e lucrativo, ao lançar novos produtos lácteos veiculadores de cepas probióticas; e/ou avaliar o potencial efeito ergogênico dos produtos já disponíveis no mercado.

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Referências bibliográficas

MAUGHAN, Ronald J. et al. IOC consensus statement: dietary supplements and the high-performance athlete. International journal of sport nutrition and exercise metabolism, v. 28, n. 2, p. 104-125, 2018.

JÄGER, Ralf et al. Probiotic Streptococcus thermophilus FP4 and Bifidobacterium breve BR03 supplementation attenuates performance and range-of-motion decrements following muscle damaging exercise. Nutrients, v. 8, n. 10, p. 642, 2016.

HEIMER, Melina et al. Health Benefits of Probiotics in Sport and Exercise-Non-existent or a Matter of Heterogeneity? A Systematic Review. Frontiers in Nutrition, v. 9, p. 804046, 2022.

LIN, Che-Li et al. Bifidobacterium longum subsp. longum OLP-01 supplementation during endurance running training improves exercise performance in middle-and long-distance runners: A double-blind controlled trial. Nutrients, v. 12, n. 7, p. 1972, 2020.

DÍAZ-JIMÉNEZ, Jara et al. Impact of probiotics on the performance of endurance athletes: A systematic review. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 18, n. 21, p. 11576, 2021.

CHEN, Yi-Ming et al. Lactobacillus plantarum TWK10 supplementation improves exercise performance and increases muscle mass in mice. Nutrients, v. 8, n. 4, p. 205, 2016.

SCHEIMAN, Jonathan et al. Meta-omics analysis of elite athletes identifies a performance-enhancing microbe that functions via lactate metabolism. Nature Medicine, v. 25, n. 7, p. 1104-1109, 2019.

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Material escrito por:

Adriane Elisabete Antunes de Moraes

Adriane Elisabete Antunes de Moraes

Docente da Faculdade de Ciências Aplicadas-FCA/UNICAMP. Graduação em Nutrição (UFPEL), Mestrado em Ciência e Tecnologia Agroindustrial (FAEM/UFPEL), Doutorado em Alimentos e Nutrição (FEA/UNICAMP), Pós Doutorado no TECNOLAT/ITAL.

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GIULIO KAI SARAGIOTTO

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