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Cana-de-açúcar: uma opção na alimentação de pequenos ruminantes

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 20/12/2012

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 A estacionalidade de produção das forrageiras tropicais limita a produção animal, uma vez que nos períodos de escassez da pastagem há necessidade de suplementação dos animais para suprir suas necessidades nutricionais. A época de safra da cana-de-açúcar coincide com a época de escassez das pastagens tropicais, o que viabiliza a utilização desta forrageira como alternativa na alimentação animal nos períodos de baixa produção e oferta de forragem nas pastagens.

A cana-de-açúcar tem sido amplamente utilizada na alimentação de bovinos, mas o uso desta forrageira na alimentação e suplementação de caprinos e ovinos ainda está um passo atrás.

Como vantagens da utilização da cana na alimentação animal podemos citar a rusticidade, sua adaptação a diversas condições climáticas, fácil manejo, boa capacidade de rebrota, elevado rendimento, boa aceitação pelos animais e manutenção do valor nutritivo por até 6 meses após a maturação, o que leva a possibilidade de armazenamento à campo (Nunes, 2011). Porém, o grande entrave para sua utilização são os baixos teores de proteína, minerais, precursores gliconegênicos, e o alto teor de fibra. A fibra da cana-de-açúcar apresenta baixa degradabilidade no rúmen, o que limita o consumo voluntário e reduz a digestibilidade desta forrageira.

Atualmente, o melhoramento genético da cana visa a produção de açúcar e álcool combustível, onde a seleção é realizada com o objetivo de obter plantas com maior produção de sacarose. No entanto, quando se pensa na sua utilização na alimentação de ruminantes, a manutenção dos níveis de sacarose associados a diminuição do teor de fibra devem ser considerados na seleção de cultivares para este propósito. Portanto, são necessários estudos que visem o melhoramento genético desta forrageira especificamente para a produção animal.

Nesse contexto, Pádua et al. (2012) avaliaram 24 variedades de cana-de-açúcar para a alimentação de ruminantes, utilizando como parâmetros de seleção a produtividade da forrageira e os teores de fibra em detergente neutro (FDN), fração indegradável e hemicelulose. Com base nesses parâmetros, as variedades RB855536, RB835486 e SP80-1842 foram as mais indicadas para alimentação de ruminantes por apresentarem produtividade satisfatória e alto potencial de degradação no rúmen (teores baixos a intermediários de fibra).

A cana pode ser fornecida na sua forma in natura ou conservada (ex. silagem e feno). Independente da forma de fornecimento é necessário corrigir os teores de proteína e minerais da cana-de-açúcar, dada a deficiência destes nutrientes nesta forrageira.


Utilização de cana in natura

Várias alternativas podem ser utilizadas para suprir as deficiências da cana-de-açúcar, promovendo a maximização da degradação da fibra e a otimização do crescimento de microorganismos no rúmen.

A ureia é o composto mais utilizado para esta finalidade. Sua inclusão corrige o teor de proteína da cana pela adição de nitrogênio não proteico (NNP), o que melhora a degradabilidade da fibra no rúmen.

A inclusão de uréia na cana in natura não deve ultrapassar 1% da matéria natural (MN), pois altos valores de inclusão levam a intoxicação por ureia nos animais (Rezende et al., 2012). Recomenda-se iniciar sua inclusão com 0,5% MN da dieta total para adaptação e após aumentar para 1% MN da dieta total. Estudos mostram que inclusões de até 2,5% MN da dieta total não ocasionam problemas nos animais, mas devido aos riscos de intoxicação é aconselhável utilizar o valor máximo de inclusão de 1,5% MN da dieta total ofertada para caprinos e ovinos. Esta inclusão deve ser realizada de forma gradativa, sendo também necessária a inclusão de minerais na dieta.

Outra alternativa para melhorar a degradabilidade e a digestibilidade da cana-de-açúcar é a inclusão de álcalis, resultando na obtenção da cana hidrolisada. A soda cáustica (hidróxido de sódio - NaOH) é a substância mais utilizada com este objetivo, porém sua utilização não é recomendável por ser uma substância nociva ao homem, aos animais e ao meio ambiente. Nessa condição, a soda cáustica pode ser substituída pela cal virgem (óxido de cálcio - CaO) ou pela cal hidratada (hidróxido de cálcio - CaOH2), substâncias que apresentam o mesmo efeito que a primeira, são mais seguras e têm menor custo para a alimentação animal.

Em estudo realizado por Freitas et al. (2008) com ovinos alimentados com cana in natura sem e com inclusão de 0,5 e 0,9% (MN) de cal virgem, houve melhora na digestibilidade in vivo da fibra nas dietas com o aumento da inclusão deste aditivo, porém não houve diferença entre os três tratamentos para o consumo de alimento e o ganho de peso dos animais. Também, em estudo realizado por Oliveira et al. (2012), observou-se que a inclusão de cal virgem a 1% (MN) na cana-de-açúcar melhorou a digestibilidade in vitro desta forrageira sendo, portanto, indicada a hidrólise como método de melhoria da digestibilidade da cana.

Formas de conservação da cana

A forma de conservação mais utilizada para cana-de-açúcar é a ensilagem. Entretanto, esta técnica apresenta um inconveniente quando se ensila a cana pura sem aditivos, pois o processo fermentativo da sacarose, que é realizado por levedura, pode levar a perda de matéria seca (MS) e de valor nutritivo. Isso ocorre devido a conversão dos açúcares em etanol, dióxido de carbono (CO2) e água. Preston et al. (1976) constataram que a ensilagem de cana sem aditivos levou a redução de aproximadamente 30% de açúcares em relação a cana in natura, e um teor alcoólico de 5,5% MS da silagem. Assim, a elevada fermentação alcoólica no processo de ensilagem da cana pura leva a redução do teor de carboidratos solúveis e, por consequência, de seu valor nutritivo.

As perdas de MS no processo de ensilagem podem atingir nível máximo de perdas de 48% apresentado na Tabela 1, estando associadas a respiração residual, fermentação, produção de efluente no silo e deterioração aeróbia.

Tabela 1 - Perdas no processo de ensilagem da cana-de-açúcar.



Para tentar reduzir estas perdas no processo de ensilagem da cana-de-açúcar, tem sido realizada a inclusão de aditivos químicos e microbianos que alteram o perfil fermentativo, diminuem as perdas de MS e melhoram a digestibilidade da biomassa ensilada.

Devido ao baixo custo, o principal aditivio químico utilizado é a ureia. Trabalhos realizados por Lima et al. (2002) mostrou que a inclusão de ureia de 1 a 1,5% MN da biomassa ensilada determinou o aumento do teor de MS e a diminuição dos teores de fibra em detergente ácido (FDA) e neutro (FDN) da silagem de cana.

Silvestre et al. (1976) e Alvarez et al. (1977) avaliaram bovinos alimentados com cana-de-açúcar in natura, silagem de cana-de-açúcar sem aditivos e silagem de cana-de-açúcar com inclusão de amônia aquosa + melaço e/ou ureia + melaço. Esses estudos mostraram que houve aumento de 39% no consumo de alimento e, por consequência, maior ganho de peso (16%) e melhoria na conversão alimentar no tratamento onde a silagem apresentava 2% de amônia aquasa + melaço comparada a silagem sem aditivos. Porém este desempenho foi ainda inferior aos animais que receberam cana in natura.

Outros aditivos também podem ser utilizados na ensilagem de cana para melhorar a fermentação e o valor nutritivo da silagem, os quais estão descritos com seus valores de inclusão na Tabela 2.



A inclusão de aditivos microbianos também pode ser utilizada para diminuir as perdas de MS e melhorar a qualidade da silagem de cana-de-açúcar. O aditivo microbiano que tem sido mais recomendado para ensilagem de cana-de-açúcar é o Lactobacillus buchneri, que é uma bactéria heterofermentativa (produtora de ácido lático, acético e propiônico) que promove a redução das perdas durante o armazenamento da silagem. A silagem inoculada com L. buchneri pode, ainda, apresentar resultados positivos em desempenho animal (Siqueira et al., 2012).

Outra alternativa para conservação da cana seria a fenação, porém ainda poucos estudos avaliaram esta técnica de conservação. Em trabalho realizado por Pereira et al. (2009), que avaliou a fenação de bagaço de cana e a ensilagem, revelou-se que a fenação do bagaço é o melhor método de conservação. Porém, são necessários estudos sobre a fenação da cana in natura para poder afirmar se realmente este é o melhor método.

Considerações Finais


Apesar da cana-de-açúcar ser pouco utilizada na alimentação de caprinos e ovinos, o seu fornecimento pode ser interessante nos períodos de escassez de forragem na pastagem e nas dietas ofertadas em confinamento. Em ambos os casos a cana-de-açúcar pode ser fornecida na forma in natura ou nas formas conservadas (principalmente silagem).

Independente da forma de fornecimento, outros alimentos e/ou suplementos devem ser ofertados junto com a cana-de-açúcar para complementar os seus baixos teores de proteína e de minerais. Nesse caso, o fornecimento de cana-de-açúcar (in natura ou conservada) com adição de ureia e a oferta de suplementos minerais são recomendados. Além disso, o uso de aditivos para aumentar a degradabilidade e a digestibilidade, e melhorar o processo fermentativo na ensilagem da cana-de-açúcar também é recomendado, pois estas técnicas visam melhorar o valor nutritivo desta forrageira e o seu aproveitamento pelos animais.


Referências bibliográficas


ALVAREZ, F.J.; PRIEGO, A.; PRESTON, T.R. Animal performance on ensiled sugarcane. Tropical Animal Production, v.2, n.1, p.2-33, 1977.

FREITAS, A.W.P.; ROCHA, F.C.; ZONTA, A. et al. Consumo de nutrientes e desempenho de ovinos alimentados com dietas à base de cana-de-açúcar hidrolisada. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.43, n.11, p.1569-1574, 2008.

LENG, R.A. Limitaciones metabolicas en la utilización de la caña de azúcar y sus derivados para el crecimiento y producción de leche en rumiantes. In: PRESTON, T.R., ROSALES, M. (Eds.) Sistemas intensivos para la producción animal y energia renovable con recursos tropicales. Cali: CIPAV, 1988. p.1-24.

LIMA, J.A.; EVANGELISTA, A.R.; ABREU, J.G. et al. Silagem de cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.) enriquecida com uréia ou farelo de soja. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 39., 2002, Recife. Anais... Recife: Sociedade Brasileira de Zootecnia, 2002. (CDROM).

MAGALHÃES, F.; PIRES, A.J.V., SILVA, F.F. et al. Comportamento ingestivo de ovinos alimentados com cana-de-açúcar ensilada com óxido de cálcio ou ureia. Ciência Animal Brasileira, v.13, n.1, p.57-66, 2012.

MIRANDA, D.C.L.; DIAS JUNIOR, G.S.; LOPES, F. et al. Composição e pH de silagem de cana-de-açúcar com aditivos químicos e microbiológicos. Revista de Ciências Agrárias, v.54, n.2, p.122-130, 2011.

MOLINA, L.R.; FERREIRA, D.A.; GONÇALVES, L.C. et al. Padrão de fermentação da silagem de cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.) submetida a diferentes tratamentos. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 39., 2002, Recife. Anais... Recife: Sociedade Brasileira de Zootecnia, 2002. (CDROM).

NUNES, L.R. Avaliação de variedades de cana-de-açúcar na alimentação de cordeiros. 2011. 54f. Dissertação (Mestrado em Produção de Ruminantes) – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Itapetinga.

OLIVEIRA, M.D.S.; RÊGO, A.C.; SFORCINI, M.P.R. et al. Bromatological characteristics and in vitro digestibility of four sugarcane varieties subjected or not to the application of quicklime. Acta Scientiarum. Animal Sciences, v.34, n.4, p.355-361, 2012.

PÁDUA, F.T.; FONTES, C.A.A.; THIÉBAUT, J.T.L. et al. Produção, composição química e degradabilidade ruminual in situ de cultivares de cana-de-açúcar. Archivos de Zootecnia, v.61, n.235, p.375-386, 2012.
PEREIRA, R.C.; EVANGELISTA, A.R.; MUNIZ, J.A. Evaluation of sugar cane bagasse subjected to haying and ensiling. Ciência e Agrotecnologia, v.33, n.6, p.1649-1654, 2009.

REZENDE, A.V.; SENEDESE, S.S.; RABELO, C.H.S. et al. Composição química e digestibilidade in vitro da massa seca de cana-de-açúcar acrescida de ureia em diferentes tempos de estocagem. Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal, v.13, n.1, p.25-34, 2012.

SILVESTRE, R.; McLEOD, M.A.; PRESTON, T.R. The performance of steers fed fresh chopped whole sugarcane or after ensiling with urea or ammonia. Tropical Animal Production, v.1, p.40, 1976.

SIQUEIRA, G.R.; ROTH, M.T.P.; MORETTI, M.H. et al. Uso da cana-de-açúcar na alimentação de ruminantes. Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal, v.13, n.4, 991-1008, 2012.

VALERIANO, A.R.; MEDEIROS, L.T.; CARVALHO, R.C.R. et al. Ensilagem de cana-de-açúcar (Saccharum spp.) com ênfase no uso de aditivos. Lavras: Editora UFLA, 2007 (Boletim Técnico, 72).



LUCIANA HELENA KOWALSKI

Médica Veterinária pela UFPR. Mestranda em Nutrição e Produção Animal pela UFPR- Campus Palotina. Tem experiência e atua na área de produção e reprodução de ovinos e caprinos.

SERGIO RODRIGO FERNANDES

Zootecnista pela UFPR. Mestre e atualmente doutorando em Ciências Veterinárias na UFPR. Participa de pesquisas com sistemas de produção de bovinos (LAPBOV-UFPR), caprinos e ovinos para corte (LAPOC-UFPR). Atua na área de nutriçao de ruminantes.

DAMARIS FERREIRA DE SOUZA

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FRANCISCO BARROSO

RIO BRANCO - ACRE

EM 24/08/2015

Prezada Luciana,

qual a diferença da uréia comum,  para uréia pecuária?

grato!!!!
ANDERSON

URANDI - BAHIA - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE CORTE

EM 10/08/2015

Prezada Dra. Luciana,

venho através deste, informar de vossa senhoria,que tenho em minha propriedade  uma área de cana de açúcar e outra de feijão gandu. Portanto gostaria de saber se preciso acrescentar mais proteína nesta ração? geralmente, acrescento 50 % de cada forrageira.

deste de já agradeço.
JOSÉ ROBERTO DA ROCHA

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO

EM 02/11/2014

  Boa tarde,Luciana parabens pelo documento e os esclerecimento das dúvidas. Estou no RJ, estou pesquisando para começar a criar ovinos no sistema de confinamento, já decidir que vou usar cana e capim elefante como volumoso, pois quero produzir o máximo de animais no mínimo de área, qual cultivar de capim elefante a Mestre me indicaria,dentro do contesto descrito acima,incluindo o fator climático que muito quente?



ATT: Zé Roberto
PAULO ROBERTO

EM 01/08/2014

Seria correto fazer silagem utilizando sorgo, milho e cana-de-açucar? Se for, quais os percentuais pra cada produto e qual a forma recomendada para servir a silagem?
OSCAR JULIAN ARROYAVE S

INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 19/12/2013

Saudações

Eu tenho engordado animais cana Farinha, que é colhida ponta livre e serapilheira, terra, neutralizado com 0,5% de cal virgem MN, a secagem ao sol, moagem e integrar no suplemento, 62% da matéria seca é composta de refeição cana

ganhos médios de 245 g / animal / dia.
JOVERSON A M SOUZA

EM 04/11/2013

mais um pergunta só em relação a diluição com agua qual a proporção para cal e para ureia, obrigado.
LUCIANA HELENA KOWALSKI

PALOTINA - PARANÁ

EM 25/10/2013

Prezado Joverson,



A cana-de-açúcar pode ser ensilada com uréia comum, que é utilizada como adubo. Porém se a cana for fornecida in natura, recomenda-se o uso da uréia pecuária.
JOVERSON A M SOUZA

EM 16/10/2013

ola Luciana boa noite a ureia usada na ensilagem é a mesma usada como adubo?

LUCIANA HELENA KOWALSKI

PALOTINA - PARANÁ

EM 04/10/2013

Prezado Joverson,



A inclusão de cal pode ser de 0,5-1,5% na cana, conforme  Tabela 2 do artigo. Por exemplo, a cada 100Kg de silagem de cana você deverá acrescentar de 500g a 1,5Kg de cal.
JOVERSON A M SOUZA

EM 29/09/2013

ola boa noite prof Luciana , estou começando um pequeno rebanho de 13 cabeças de ovelhas e li sobre seu comentario sobre alimentação dos ovinos com cana de açucar e cal,como seria a proporção da mistura...desde ja agradeço
SERGIO LABELLA NETO

IRACEMÁPOLIS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 21/01/2013

Cara Lucina, muito obrigado pela orientação, realmente esta era e resposta que eu gostaria de receber, pois a area é pequena já possui um pouco de cana a regiao em que estou é grande   produtora de alcool  e  açucar o solo é apropriado para o cultivo e já tem tambem um pouco de napie.





LUCIANA HELENA KOWALSKI

PALOTINA - PARANÁ

EM 20/01/2013

Prezado Cecílio

A cevada pode substituir o milho em dietas para bovinos confinados, pois estes alimentos têm características nutricionais semelhantes. Uma vantagem da cevada é o maior teor de proteína bruta (PB) comparado ao milho, sendo próximo de 12% e podendo variar de 7,5 a 18% da matéria seca. Diante desta alta variação no teor de PB, seria interessante analisar a composição nutricional da cevada que está fornecendo aos seus animais para que seja possível balancear adequadamente a dieta. Se o teor de PB da cevada que está utilizando for baixo, provavelmente será necessário incluir algum alimento proteico para aumentar o teor proteico da dieta. Nesse caso, a adição de ureia é uma opção para elevar o teor de proteico da dieta e atender de forma adequada a demanda nutricional dos animais.
LUCIANA HELENA KOWALSKI

PALOTINA - PARANÁ

EM 20/01/2013

Caro Sergio

A escolha da espécie forrageira que deve ser plantada em determinada área depende de vários fatores, como tipo de solo, características climáticas da região, área total disponível para o plantio e, principalmente, do tamanho do rebanho que será alimentado. Se as características de solo e climáticas forem favoráveis, a área de plantio for pequena e os seus animais são alimentados no cocho, sugerimos o plantio de forrageiras de alta produtividade como a própria cana-de-açúcar, o capim elefante ou o napie. Assim poderá utilizar essas forrageiras na forma de capineiras, realizando cortes ao longo do ano. Por outro lado, se a área for grande e a intenção é utilizá-la na forma de pastagem, as gramas bermuda ou estrela (cultivares do gênero Cynodon spp.) e os capins tanzânia ou aruana (cultivares da espécie Panicum maximum) são opções interessantes, pois apresentam média-alta produtividade, média-alta qualidade e boa aceitabilidade por ovinos e caprinos.
LUCIANA HELENA KOWALSKI

PALOTINA - PARANÁ

EM 20/01/2013

Prezado Marcelo



Não temos experiência com o uso destas forrageiras na alimentação de ovinos. Para responder as suas dúvidas, fizemos uma pesquisa sobre a qualidade destas forrageiras e encontramos teores de matéria seca (MS) de 17% para o mandacaru e de 37% para a folha de pau de rato; e teores de proteína bruta (PB) de 11% da MS para o mandacaru e de 20% da MS para a folha de pau de rato. Esses teores de PB são suficientes para formular uma dieta utilizando apenas essas duas forrageiras, que já é o seu caso. Assim, não é necessário adicionar ureia a dieta que está fornecendo aos animais, pois aumentaria os custos da sua dieta sem necessidade.

O simples balanço da inclusão destas duas forrageiras na dieta é suficiente para atender a demanda nutricional dos seus animais. Nesse caso, recomendamos a inclusão de 40 a 60% de feno de folha de pau de rato com base na MS da dieta, pois esta forrageira apresenta melhor qualidade que o mandacaru. Menores níveis de inclusão deste feno (40 a 50% da MS) podem ser considerados para ovelhas em mantença (vazias), reprodução e início de gestação; maiores níveis de inclusão (50 a 60%) devem ser considerados para ovelhas em final de gestação e em lactação.
CECILIO BALBINO

FEIRA DE SANTANA - BAHIA

EM 16/01/2013

Luciana, gostaria de saber o que você acha a respeito do uso de cana+ cevada na dieta de bovinos de corte.  Nesta mistura não é usada uréia.





Att.: Cecilio Balbino
SERGIO LABELLA NETO

IRACEMÁPOLIS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 10/01/2013

Cara Luciana fico grato pela informação, outra coisa que ue gostaria de saber, na propriedade onde estou iniciando a ovinocultura há traços de que houve sabe-se lá quando uma qualidade de capim rasteiro, gostaria de exterminar o pouco que restou e plantar um outro o que voce me sugere?
MARCELO JOSÉ CAMPOS PAIVA

EUCLIDES DA CUNHA - BAHIA

EM 09/01/2013

Prezada Luciana Kowalski, boa tarde!

         Sou pequeno e persistente criador de ovelhas na região nordeste da Bahia. Peço sua valiosa ajuda no sentido de me orientar a repeito da alimentação que ora venho fornecendo ao rebanho. A seca que ora enfrentamos, acabou com o pasto nativo da propriedade. Para alimentar os animais, venho fornecendo mandacaru triturado e feno da folha do pau de rato. Pergunto: posso adicionar ureia na alimentação? como e qual a quantidade?

Atenciosamente,

Marcelo Campos Paiva

LUCIANA HELENA KOWALSKI

PALOTINA - PARANÁ

EM 08/01/2013

Prezado Sergio,



A adição de ureia a cana-de-açúcar deve ser considerada no período seco e chuvoso, pois o objetivo é corrigir o déficit de proteína da cana com a inclusão de ureia na dieta. No seu caso, mesmo com o fornecimento de capim napiê, a inclusão de ureia continua sendo interessante para corrigir os níveis de proteína da dieta, desde que seja corretamente formulada. Nesse caso, recomenda-se a adição de ureia diretamente ao volumoso para favorecer o seu consumo pelos animais e, dessa forma, garantir a ingestão de uma dieta adequadamente balanceada.
LUCIANA HELENA KOWALSKI

PALOTINA - PARANÁ

EM 08/01/2013

Prezado Lourival

O bagaço da cana-de-açúcar tem menor valor nutricional do que a cana in natura ou conservada, pois é o resíduo do processamento da cana após a retirada do caldo - fração com maior concentração de carboidratos solúveis e, portanto, com maior energia. O bagaço, além do baixo teor de proteína, apresenta alto teor de fibra e baixa concentração de energia, o que limita o seu uso em grandes quantidades em dietas para ruminantes. Em geral, a recomendação de uso do bagaço de cana in natura é de, NO MÁXIMO, 30% da dieta total ofertada a pequenos e grandes ruminantes. Assim, considerando que o teor de matéria seca do bagaço de cana é próximo de 50% e utilizando os mesmos critérios do cálculo apresentado para o leitor Ricardo Silva (Catanduva - SP), a estimativa de inclusão deste resíduo na dieta de ovinos ou caprinos adultos (60 kg PV) varia entre 700 a 800 g/cabeça/dia. A dieta deverá ser balanceada com outros alimentos que sejam fontes de proteína (farelo de soja, ureia), energia (milho) e minerais e, preferencialmente, com outra fonte

Quanto às formas de processamento do bagaço de cana-de-açúcar, existem tratamentos químicos e físico-químicos que podem ser utilizados para melhorar a qualidade deste resíduo. Entre os tratamentos químicos, estão o uso de álcalis (soda cáustica, cal virgem e hidratada) e de ureia, que já foram descritas nesta coluna, enquanto o tratamento físico-químico consiste na hidrólise por pressão de vapor, que geralmente é realizado nas usinas de processamento da cana-de-açúcar.
SERGIO LABELLA NETO

IRACEMÁPOLIS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 07/01/2013

No momento estou alimentando meu rebalho somente com cana e capim anapie , posso incluir a ureia também no periodo chuvoso? Somente a ureia misturado ao sal ou posso adicioar direto no volumoso?