Cana-de-açúcar: uma opção na alimentação de pequenos ruminantes
A cana-de-açúcar tem sido amplamente utilizada na alimentação de bovinos, mas o uso desta forrageira na alimentação e suplementação de caprinos e ovinos ainda está um passo atrás.
Médica Veterinária pela UFPR. Mestranda em Nutrição e Produção Animal pela UFPR- Campus Palotina. Tem experiência e atua na área de produção e reprodução de ovinos e caprinos.
A cana-de-açúcar tem sido amplamente utilizada na alimentação de bovinos, mas o uso desta forrageira na alimentação e suplementação de caprinos e ovinos ainda está um passo atrás.
As EFE possuem características promissoras para sua utilização como aditivos na alimentação de pequenos ruminantes, que se devem, principalmente, ao fato de não alterarem a qualidade do produto final (lã, carne, leite, etc.), ausentando-o de resíduos indesejáveis, e por não promoverem efeitos negativos sobre a sanidade animal ou humana.
Diferentes métodos de tratamentos químicos, físicos e microbiológicos têm sido empregados a fim de melhorar o valor nutritivo dos alimentos. O uso de enzimas fibrolíticas exógenas (EFE) como aditivos nas dietas de pequenos ruminantes busca otimizar a utilização de nutrientes de alimentos pobres (com baixa digestibilidade e baixo consumo) e a eficiência produtiva dos animais. Sua principal função é melhorar a digestão da fibra alimentar, facilitando a "quebra" das paredes celulares dos vegetais, convertendo a ligninocelulose em fontes de energia (glicose e outros açúcares solúveis) prontamente disponíveis às vias metabólicas dos animais.
Na primeira parte do artigo sobre Taninos Condensados (TC) vimos que se por um lado o consumo desses compostos pode prejudicar a digestão e absorção de nutrientes pelos animais, por outro lado eles podem apresentar vantagens bastante atrativas na nutrição, sanidade e até mesmo no ambiente de produção de pequenos ruminantes. Fica então a dúvida: O que devemos fazer para alcançar os benefícios oportunizados pelos TC, sem obter seus efeitos indesejáveis?
"Todas as substâncias são venenos, não existe nada que não seja veneno. Somente a dose correta diferencia o veneno do remédio" - já dizia Paracelso há muitos séculos, e, no caso dos taninos, essa afirmação é notoriamente aplicável. Os taninos são substâncias produzidas, principalmente, pelas forrageiras tropicais com o objetivo de proteger a planta contra o ataque de bactérias, fungos, vírus e também de herbívoros (seus predadores), ou em resposta a limitações no crescimento das plantas. Em condição de estresse ambiental, as plantas aumentam a síntese de taninos para armazenar produtos da fotossíntese que poderão ser utilizados em períodos de frio ou de seca. Estes compostos são popularmente reconhecidos por apresentarem odor repulsivo, gosto amargo, por atuarem como fatores antinutricionais, e por seu potencial em provocar intoxicações nos animais (Giner-Chaves, 1996).
Na última parte desta série de artigos vamos mostrar como a pastagem pode ser utilizada para suprir as necessidades nutricionais de ovelhas e cabras em lactação. O período de lactação para matrizes de corte corresponde a quatro meses (16 semanas) e é subdivido em três períodos: início - 1ª a 6ª semana; metade - 7ª a 12ª semana; e final da lactação - 13ª a 16ª semana. Estes períodos são definidos com base nas mudanças na demanda nutricional e na produção de leite das matrizes.
No artigo anterior mostramos que a demanda nutricional de matrizes em mantença e em reprodução pode ser atendida utilizando-se a pastagem como fonte exclusiva de alimento. Neste artigo vamos discutir sobre as necessidades nutricionais de ovelhas e cabras gestantes, e demonstrar como a pastagem pode suprir a demanda nutricional destes animais.
O tema "nutrição e manejo alimentar de matrizes" foi bastante discutido em artigos anteriores, que mostram a necessidade de suplementar (com volumosos ou concentrados) ovelhas e cabras nas fases de maior demanda nutricional, que correspondem ao terço final de gestação e a lactação. Mas, será que é necessário suplementar as matrizes nos sistemas de produção em pastagens? Este artigo faz parte de uma série (dividida em três partes) na qual buscamos mostrar que em alguns casos é possível utilizar a pastagem como fonte exclusiva de alimento para matrizes, diminuindo os custos com suplementação e alcançando bom desempenho produtivo.
Entre as práticas de maior impacto na condição de estresse de cordeiros destaca-se o desmame precoce, que é indicado e utilizado como estratégia em programas visando controle parasitário e manejo reprodutivo acelerado do rebanho ovino, além do uso do desmame para terminação dos cordeiros em confinamento. O objetivo deste artigo é descrever alguns aspectos relacionados ao desmame precoce que afetam o grau de estresse e o desempenho dos cordeiros em pastejo.
As discussões que permeiam acerca do mercado informal, com particular ênfase em relação à movimentação e ao abate clandestino de animais, e ainda, a crescente demanda por parte dos consumidores sobre políticas de segurança de alimentos integrada e abrangente, nos remetem a necessidade de avaliação criteriosa sobre os tradicionais sistemas de identificação de ovinos e caprinos empregados no país. Embora a ovinocaprinocultura brasileira não esteja inserida no contexto de exportação, cabe lembrar que atualmente detemos o oitavo maior rebanho de pequenos ruminantes, e notadamente, diante do favorecimento geográfico e climático, cumpre apostar que o país poderá figurar entre os produtores mundiais e vislumbrar exportações em cenário futuro.