Vale a pena fazer o teste da doença de Johnes no seu rebanho?

Publicado em: - 4 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Várias pessoas e pesquisadores já expressaram seu descontentamento com os resultados dos testes realizados para se diagnosticar a presença, ou não, da doença de Johnes no rebanho. Qual a razão de resultados diferentes quando são utilizados testes diferentes? Qual a razão dos testes terem custo elevado? O que os resultados dos testes significam? Enfim, ao invés de responder a cada uma destas complexas questões, iremos abordar um aspecto mais amplo do controle da doença de Johnes e, conseqüentemente, os princípios atrás da realização dos testes nos animais.

Inicialmente, gostaria de revisar alguns pontos básicos sobre a doença:

  • A doença de Johnes não é nova. Foi identificada há mais de 100 anos atrás e provavelmente já existia há muito mais tempo

  • A bactéria causadora da doença, Mycobacterium paratuberculosis, apresenta uma parede celular espessa e lipidinosa, que a auxilia a sobreviver nos ambientes de calor e frio, independentemente

  • Os efeitos da doença são normalmente de difícil constatação, parcialmente por causa do longo período de incubação entre a infecção inicial e o aparecimento dos sinais clínicos anos após

  • A doença de Johnes é contagiosa, espalhando-se entre os animais geralmente através do contato e ingestão de itens contaminados com restos fecais. Esterco contaminado é, portanto, de alto risco!

  • Animais jovens (e outros ruminantes) são mais susceptíveis à infecção do que animais mais velhos.

  • Suspeita-se de diferente susceptibilidade entre vacas num mesmo rebanho. O fator genético pode estar envolvido

  • A bactéria parece estar presente nos animais por um período prolongado sem, entretanto, causar a doença.

  • A fonte inicial de contaminação e infecção em um rebanho é a exposição de animais jovens ao esterco de animais adultos, contaminados.
Diante destes princípios básicos, um fator inicial a ser monitorado é o impacto econômico desta doença no rebanho. Vacas que foram descartadas com diagnóstico e/ou sintomas parecidos com a doença de Johnes (diarréia intermitente, seguida de grande perda de peso e não resposta ao tratamento), deverão ter os dados anotados freqüentemente.

Dados de pesquisas americanas do estado de Minenesota indicam que as perdas econômicas das doenças de Johnes estão ao redor de USD 250 por animal, em rebanhos infectados com pelo menos 5% das vacas. Uma vez que a Mycobacterium paratuberculosis multiplica-se somente nos animais (e não no ambiente), o controle nas propriedades leiteiras baseia-se na quebra da cadeia de transmissão dos animais adultos para os animais jovens.

Em decorrência de tal importância, a implementação de um programa de controle da doença inicia-se pela realização de um teste no rebanho, com posterior periodicidade, para que se possa monitorar a evolução da doença. De menor importância é a realização de testes individuais nos animais. Os resultados individuais dos animais são importantes nos casos onde se realiza a segregação dos animais imediatamente após o parto e, portanto, procura-se evitar o contato destes animais jovens recém-nascidos com animais possivelmente infectados. Entretanto, outro fator que ainda não está completamente comprovado é o risco de transmissão da doença através do colostro.

Os testes para diagnosticar a doença permitem uma resposta sobre a presença, ou não, da doença no rebanho. Utilizando-se o teste de ELISA, seguido de uma cultura fecal para as vacas positivas no teste ELISA, detecta-se a maioria dos rebanhos infectados, com única exceção para aqueles rebanhos com muito baixa prevalência da doença. É importante acompanhar o teste ELISA com a cultura fecal uma vez que a chance de reações cruzadas, que podem levar a diagnósticos falso-negativos, podem ocorrer com certa freqüência.

A boa novidade é que pesquisadores da Universidade de Minesota acabam de identificar o genoma da Mycobacterium paratuberculosis e, desta forma, testes de diagnóstico baseados na identificação da estrutura do DNA, de resposta rápida, estão com seus dias contados para serem lançados e utilizados, sanando-se assim várias possíveis dúvidas que ainda existem em relação aos testes existentes e utilizados.

De um outro lado, alguns produtores querem realmente eliminar e erradicar a doença do rebanho. O USDA acaba de desenvolver um programa estratégico (VJDHSP - Voluntary Johne's Disease Herd Status Program) para identificar os rebanhos que desejam ser livres da doença de Johnes, garantindo aos proprietários, por exemplo, que toda aquisição de novilhas seja feita somente de rebanhos já livres da doença e assim por diante.

Voltando ao tema deste texto, temos a ressaltar várias etapas a serem consideradas em nosso país em relação a doença de Johnes. Por exemplo, já está comprovado que o teste de ELISA disponível atualmente detecta somente 25% dos animais adultos aparentemente infectados. Ainda sobre este teste, vale a pena ressaltar que de 1 a 3% dos animais que aparecem como positivos são, na verdade, negativos a doença.

Por fim, diante de tais fatores, o custo benefício de se realizar um teste em todo rebanho depende de vários fatores, principalmente da situação no rebanho e últimos acontecimentos. De maneira geral, ainda apresenta-se de baixo retorno mediante as várias chances de falso positivo e, também, à baixa detecção dos animais positivos.

Em contrapartida, a boa novidade é o mapeamento genético da bactéria que, com certeza, nos possibilitará em um futuro próximo testes mais confiáveis e com custo mais compatível com os sistemas de produção de leite.

Fonte: Scott J. Wells; Hoards Dairyman, April 2003, What's the value of Johne's testing
Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Material escrito por:

Renata de Oliveira Souza Dias

Renata de Oliveira Souza Dias

Acessar todos os materiais

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?