Resta saber, prioritariamente para quem leva poucos animais em exposições, se a parte econômica desta equação está bem balanceada. Em outras palavras, retirando o prazer pessoal da decisão, que parece mesmo ser grande para todos que participam, será que é viável economicamente participar de exposições e torneios leiteiros? A resposta a esta indagação é importante, pois se o acalento pessoal terminar ou diminuir demais, há que se ter um outro benefício que compense a continuidade dos esforços.
É interessante observar que, depois que se entra para o "jogo" das exposições, o rebanho e a propriedade passam a sofrer conseqüências de diversas naturezas. Primeiramente é preciso se conscientizar que duas alterações ocorrerão irreversivelmente: o aumento no custo de criação dos animais (adultos e jovens) e a interferência do estresse dos animais na produção de leite da propriedade.
Além disso, a rotina da propriedade é alterada de maneira severa, seja pelo trabalho adicional nas épocas de exposição, seja pela mudança de algumas práticas como arraçoamento e ordenha. O preparo dos animais que participarão dos eventos, geralmente começa bem antes e, é bastante comum, a formação de lotes dentro das propriedades que recebem cuidados diferenciados, alterando as práticas citadas. Ocorre freqüentemente também a coincidência de datas de exposições com as datas para realizações de operações agrícolas importantes na propriedade, como plantio, tratos culturais e colheita das lavouras utilizadas na alimentação dos animais. Nestes casos, a sobreposição de datas gera custos diretos, devido à necessidade de contratação de pessoal para efetuar os serviços, e custos indiretos, pelo atraso nas operações e a realização delas por funcionários não adaptados à rotina da propriedade.
Outro fato que passa a acontecer quando se freqüenta exposições é a necessidade da montagem de uma estrutura na fazenda para o recebimento das pessoas interessadas na compra e vistoria dos animais. Esta prática tende a ser mais freqüente quanto mais o rebanho aparece em eventos agropecuários, e é caracterizada pela grande demanda de tempo por parte dos proprietários e dos administradores, interferindo no dia-a-dia da propriedade.
Em contrapartida é notório que, quando um rebanho é reconhecido pela sua genética superior e/ou pela sua maior produção leiteira, há um real incremento no valor de mercado, não só apenas dos animais que venceram alguma competição (seja por tipo ou por produção), mas de toda uma descendência, às vezes de todo um rebanho. No caso específico de torneios leiteiros, o retorno financeiro muitas vezes se inicia no mesmo dia da competição, pois existem muitos deles que premiam em dinheiro os primeiros colocados, salvando assim parte dos investimentos.
O quadro abaixo possibilita a visualização de uma idéia mais precisa das despesas recorrentes quando se pensa em levar animais para eventos agropecuários.

Analisando os dados fornecidos por alguns proprietários de gado de elite e assíduos freqüentadores de exposições e torneiros leiteiros (pelo menos 2 eventos por ano), é possível obter conclusões interessantes. A distância da fazenda ao local da exposição, por exemplo, muitas vezes, não interfere no custo final da participação no evento. Isto ocorre pois os recursos não gastos com o maior frete, normalmente são deslocados para manutenção e preparação de um maior número de animais. Ou seja, a distribuição dos custos acima demonstrados muda, mas o que se gasta por cabeça por dia de evento é quase o mesmo valor.
Dentre os proprietários que participam de exposições de gado de leite entrevistados, os valores mais comuns de despesas com o rebanho variou entre R$ 44,50 por cabeça por dia para eventos de curta duração (até 4 dias) e R$ 25,45 por cabeça por dia para eventos de duração mais longa (de 4 a 8 dias). Deve ser incluído nestes valores também o valor do volume de leite que não é vendido quando se leva vaca em lactação às exposições e torneios leiteiros. No caso do recebimento de prêmios estes valores podem ser desconsiderados, pois o animal se pagou.
De modo geral, a participação com poucos animais (menos que 5 cabeças) não permite a diluição de alguns custos fixos, como o frete e diminui a chance de premiações quando se fala em julgamentos de animais.
Assim, é necessário, com auxílio do seu técnico de confiança, a elaboração dos custos desta empreitada e a verificação da viabilidade das participações. Salientamos, por fim, que, para a obtenção de resultados satisfatórios, não basta participar apenas uma vez, e sim ter continuidade no trabalho até o rebanho poder gozar do privilégio de ser reconhecido e premiado a ponto de alterar os seus valores de mercado.