Suplementação de cromo para vacas leiteiras - uma novidade promissora

O cromo é um mineral necessário em pequenas quantidades no metabolismo animal. Saiba detalhes e entenda melhor sobre o assunto, acesse.

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José Roberto Peres

O cromo (Cr), é um mineral necessário em pequenas quantidades no metabolismo animal. Acredita-se que sua atuação seja através do controle da tolerância dos animais à glicose. Seu efeito envolve o aumento da sensitividade das células à insulina.

A deficiência de Cr, embora incomum, leva a quadros de intolerância à glicose, glicosúria, hiperinsulinemia, hipercolestremia e hipertrigliceridemia em humanos. Este padrão seria semelhante ao observado em portadores de Diabetes Mellitus do tipo I.

O fornecimento de cromo é um conceito relativamente novo na nutrição animal. Recentemente, o comitê de nutrição animal americano (NRC, 1997, citado por Hayirli, 2001), avaliou os resultados da suplementação com Cr em sete estudos realizados com gado de leite, vinte estudos com gado de corte e sete estudos com ovinos. Nestes estudos, a quantidade de Cr fornecida na dieta basal variou de 0,79 a 1,60 mg/kg de matéria seca e a quantidade de Cr suplementar variou de 5,5 a 10 mg/dia. A principal conclusão foi a inconsistência entre os resultados apresentados e insuficiência de informação nestes experimentos para permitir uma recomendação da suplementação de Cr na dieta de ruminantes. Por outro lado, nesta mesma revisão se conclui que a suplementação com Cr pode ser benéfica para a saúde e bem estar de ruminantes durante períodos de estresse (veja também o texto Suplementação de Cromo para Bovinos, publicado na seção de nutrição do BeefPoint em 16/6/00).

A transição do período seco (gestação) para a lactação é um desafio tremendo para vacas leiteiras. Muita vacas passam por uma série de problemas metabólicos neste período, o que afeta seu desempenho. Normalmente as vacas se encontram em deficiência energética nesta fase. Estes problemas têm início ainda durante o período seco.

Considerando tudo isto, um grupo de pesquisadores da Universidade de Wisconsin, EUA, realizou um experimento onde o Cr foi suplementado na forma de cromo-metionina (25% cromo e 75% metionina), nas quantidades de 0 ; 0,03; 0,06 e 0,12 mg de Cr/kg de peso metabólico (10 animais por tratamento). O período de fornecimento foi dos 21 dias antes da data prevista para o parto até 28 dias após o parto. Foram avaliados o consumo de alimentos, a produção de leite e seus componentes, o peso e a condição corporal, além de diversos parâmetros metabólicos.

Os resultados foram bastante promissores. O consumo de alimentos aumentou de forma linear, no período pré parto, com o aumento do nível de cromo na dieta (tabela 1). Os autores especulam que este efeito pode estar relacionado à eliminação de uma possível deficiência de Cr.

De forma semelhante, após o parto, o consumo aumentou de forma linear (kg/dia, P<0,003; % do peso vivo, P<0,07) e quadrática (P<0,01 para ambos) com o aumento da suplementação com cromo-metionina. Fato interessante é que, conforme a lactação avançou, os aumentos de ingestão de matéria seca (% do peso vivo) foram maiores para as vacas recebendo cromo-metionina que para as vacas controle.

Tabela 1: Efeito da suplementação de Cr na ingestão, Peso Vivo e Condição Corporal

 

Tabela 1


1- Quantidade de Cr, na forma de Cr-metionina/kg de Peso Vivo0,75
2 - Contrastes C x Cr = vacas que não receberam Cr contra vacas que receberam
Fonte: Hayirli et al., 2001

A produção de leite também foi afetada pela suplementação (Tabela 2). As produções de leite (P<0,02), gordura (P<0,05) e lactose (P<0,05) aumentaram de forma quadrática com o aumento do Cr-Metionina na dieta. Os autores atribuem este aumento de produção ao aumento na ingestão de matéria seca anteriormente mencionado. Eles chamam atenção para o fato de que as produções aumentaram e depois diminuíram com o aumento crescente da suplementação com Cr-Metionina, o que pode sugerir uma possível intoxicação com Cr, no nível mais elevado de suplementação, embora o nível tóxico deste elemento para ruminantes seja desconhecido.

Tabela 2: Efeito da suplementação de Cr na produção de vacas leiteiras

 

Tabela 2


1- Quantidade de Cr, na forma de Cr-metionina/kg de Peso Vivo0,75
2 - Contrastes C x Cr = vacas que não receberam Cr contra vacas que receberam
3 - Respostas obtidas nas primeiras 4 semanas de lactação. 4 - Produção corrigida para o teor de gordura.
Fonte: Hayirli et al., 2001

Foram avaliados também vários outros parâmetros metabólicos e hormonais, além da tolerância à glicose. De forma geral, os tratamentos não alteraram a concentração de metabólitos sangüíneos e de triglicerídeos no fígado. No pós parto, a concentração de insulina e a proporção molar de insulina em relação à glicose foram menores nas vacas que receberam o Cr-Metionina, o que indica ação mais eficiente da insulina, mas elas aumentaram de forma quadrática com o aumento da suplementação de Cr-Metionina. Testes de tolerância à glicose foram conduzidos 10 dias antes e 28 dias depois do parto. A suplementação com Cr-Metionina atenuou a sensitividade à insulina pré parto e aumentou a tolerância à glicose pós parto. O nível basal de insulina das vacas recebendo Cr-Metionina foi maior que o das vacas controle durante o teste de tolerância do período pré-parto.

Comentário do autor: Cada vez mais é possível detalhar a nutrição de ruminantes. Cada detalhe pode representar avanço na produtividade animal. Todavia é preciso tomar cuidado para que estes detalhes não sejam vistos como soluções milagrosas para problemas básicos. O aumento na ingestão de alimentos, tanto no período pré, quanto no pós parto é fundamental para obtenção de boa produção e até mesmo para reprodução mais eficiente. Todo conhecimento ou tecnologia que proporcione este tipo de resultado deve ser avaliado. A suplementação do cromo parece poder contribuir neste sentido, especialmente em condições de estresse. Mais estudos precisam confirmar estes resultados e definir dosagens corretas. É importante que se saiba que não é qualquer fonte de cromo que pode ser utilizada. Segundo o NRC 2001, as formas inorgânicas de Cr são muito pouco absorvidas, embora algumas cheguem a ter efeito tóxico. Ele precisa ser complexado com compostos orgânicos para ser absorvido.

fonte: HAYIRLI, A, et al., 2001. Effect of Chromium Supplementation on Production and Metabolic Parameters in Periparturient Dairy Cows. J.D.Science, 84(5):1218-1230

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