Silagem de cana-de-açúcar para cabras em lactação

Devido à época de colheita da cana-de-açúcar ser na entressafra da produção das pastagens, ela vem sendo amplamente estudada e empregada como alimento volumoso para ruminantes na forma "in natura".

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Devido à época de colheita da cana-de-açúcar ser na entressafra da produção das pastagens, ela vem sendo amplamente estudada e empregada como alimento volumoso para ruminantes na forma "in natura", porém essa forma requer corte diário, o que muitas vezes dificulta sua utilização, pelo fato da colheita em dias chuvosos e à perda em seu valor nutritivo durante o verão.

Na silagem de cana-de-açúcar apenas a produção de ácido lático não representa eficiência de conservação, pois as leveduras são capazes de assimilar este ácido e produzir etanol (Walker, 1998; Bernardes, 2003). Aditivos químicos e inoculantes bacterianos têm sido utilizados com intuito de melhorar o padrão de fermentação e a qualidade da silagem.

Na ensilagem da cana-de-açúcar a bactéria Lactobacillus buchneri vem apresentando grandes benefícios na preservação do alimento. Esta bactéria (heterolática) não possui a enzima acetaldeído desidrogenase, responsável pela redução do acetaldeído a etanol.

Dessa forma, esse microrganismo não produz etanol, conseqüentemente ocorre aumento na concentração de ácido acético como produto final de sua fermentação. Além disso, Oude Elferink et al. (2001) demonstraram a capacidade de esta bactéria degradar, em condições anaeróbias, o ácido lático em ácido acético e 1,2-propanodiol, representando para silagens de cana, diminuição de substrato potencialmente fermentável por leveduras. O ácido acético que na maioria das vezes é um produto indesejável nas silagens, constitui-se em um controlador da ação de leveduras (Moon, 1983).

Mendes (2006), trabalhando com rações para cabras da raça Saanen em lactação (sendo a fonte de variação diferentes volumosos: cana-de-açúcar in natura, silagem de cana e silagem de cana aditivada com a bactéria L. Buchneri), obteve resultados promissores, sendo alguns dos parâmetros discutidos abaixo e apresentados na Tabela 1.

A silagem aditivada com a bactéria apresentou maiores teores de ácido acético (aumento de 40% em relação à silagem não aditivada) e menores teores de etanol (apesar de não ser verificado efeito significativo). O etanol produzido causa grande perda energética da forragem, uma vez que é formado a partir da fermentação da glicose.

O consumo foi maior para cabras alimentadas com rações contendo cana-de-açúcar natural, sendo que um dos fatores que auxiliou no decréscimo do consumo para os animais alimentados com as silagens, foi a maior concentração da porção fibrosa contida nestas rações. Apesar do menor consumo para as silagens, a produção de leite não foi afetada estatisticamente (média de 1,52 kg/dia) e os animais que as consumiram apresentaram maior eficiência alimentar.

Em relação à composição química do leite, os animais que receberam silagem apresentaram maiores teores de gordura e sólidos totais. Provavelmente, o aumento da porcentagem de gordura em relação aos animais que receberam rações a base de cana-de-açúcar in natura, pode estar relacionada com a concentração dos ácidos orgânicos das silagens, com destaque para o ácido acético, um dos precursores para síntese de gordura e, ao maior tamanho de partícula observado no material ensilado.

Tabela 1. Parâmetros avaliados em experimento com cabras em lactação.

Figura 1

1Probabilidade de haver efeito significativo entre tratamentos (P<0,05).
nd: não determinado.

Fonte: adaptado de Mendes (2006)

Diante do exposto acima, a silagem de cana, além de beneficiar a logística operacional da propriedade pode auxiliar em melhorias na qualidade do leite. Porém, vale ressaltar que na ensilagem da cana, aditivos são recomendados para minimizar as perdas e melhorar a economicidade da produção. A estratégia a ser adotada, dependerá dos objetivos e planejamento da propriedade.
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Material escrito por:

Rafael Camargo do Amaral

Rafael Camargo do Amaral

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal. Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP. Gerente de Nutrição na DeLaval. www.facebook.com.br/doctorsilage

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