A intensificação do sistema produtivo e o direcionamento da atividade focado na produção geraram uma significativa sobre-carga metabólica no rebanho leiteiro de alta produção. Já se reconhece que os programas de acasalamento foram direcionados para as características produtivas, não levando em consideração as características associadas ao bem estar e saúde dos animais, fato que contribuiu para a baixa longevidade observada atualmente nas vacas leiteiras.
Avanços no acasalamento genético ocasionaram um rápido aumento na produção leiteira, equivalente a 3,7% ao ano, desde a década de 80. Cerca de 60% deste aumento na produção é atribuído ao progresso da seleção genética, e os demais 40% estão associados às melhorias nas práticas de manejo.
A seleção genética direcionada para o aumento da produção de leite contribuiu paralelamente para o incremento das enfermidades. Pesquisadores apontam que os principais problemas associados à seleção para alta produção de leite são: redução na fertilidade; aumento na contagem de células somáticas; redução da longevidade e aumento associado nas taxas de descarte involuntário.
Os efeitos desses problemas têm sido atenuados devido aos avanços realizados nas áreas de manejo. Todavia, se a seleção do gado leiteiro não for repensada e ajustada, os problemas de saúde e fertilidade podem ser maiores que o progresso obtido na campo do manejo das vacas leiteiras.
Pesquisadores do SAC (Scottish Agricultural College) desenvolveram um novo índice para auxiliar a seleção genética. Este índice busca associar, no momento da escolha do acasalamento, quatro importantes fatores para o futuro do rebanho leiteiro: saúde, longevidade, fertilidade e características produtivas.
A versão mais recente deste índice é chamada de Índice do tempo de vida rentável. Com a utilização deste índice, espera-se melhorar, ou pelo menos deter, o aumento da incidência de problemas de casco e mastite.
A atual tendência do aumento da conscientização do consumidor com a qualidade e procedência do alimento, tem incrementado a procura por produtos orgânicos. O manejo do uso de medicamentos nas fazendas orgânicas, ou seja, a busca pela redução do uso da antibióticoterapia nos animais, aumenta a importância significativamente da resistência do rebanho às enfermidades.
Neste tipo de propriedade, busca-se cada vez mais trabalhar com vacas capazes de resistir os desafios ambientais e infecciosos. Algumas pesquisas têm avaliado como o cruzamento entre raças, pode ser mais bem explorado nas fazendas produtoras de leite orgânico.
Em última análise, esta fase em que a seleção genética tem sido questionada e reavaliada nos USA e Europa mostra que as dificuldades do manejo sanitário das vacas leiteiras de alta produção é uma questão global. Um momento como este é muito importante para o direcionamento e amadurecimento da atividade. Vacas produtivas são, sem dúvida, um fator essencial para a lucratividade, mas a longevidade tem um peso cada vez mais alto na sustentabilidade dos rebanhos leiteiros.
Fonte:
SAC (Scottish Agricultural College). Health and Welfare Index. International Dairy Topics, v.5, n.5, p.38, 2006.
Selecionando vacas mais resistentes às enfermidades
A intensificação do sistema produtivo e o direcionamento da atividade focado na produção geraram uma significativa sobre-carga metabólica no rebanho leiteiro de alta produção. Já se reconhece que os programas de acasalamento foram direcionados para as características produtivas, não levando em consideração as características associadas ao bem estar e saúde dos animais, fato que contribuiu para a baixa longevidade observada atualmente nas vacas leiteiras.
Publicado por: Renata de Oliveira Souza Dias
Publicado em: - 2 minutos de leitura
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Material escrito por:
Renata de Oliveira Souza Dias
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ALBERTO MACHADO
OUTRO - RIO DE JANEIRO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 30/01/2007
Prezada Colega Renata,
Genética é um assunto complicado, ainda mais que envolve interesses diversos. O melhor trabalho que conheço é o do Jan Bosman, que criou o Bosmara, na África do Sul. Foram trinta anos de pesquisa até fixar a linhagem e ser considerada uma raça, o trabalho de seleção é inacreditável, ele media tudo. Para ter uma idéia, o livro dele chama-se "O Homem tem de Medir".
Outro tipo de seleção é o desenvolvido na Nova Zelândia, entre outras coisas, há 80 anos é proibido concursos leiteiros e os animais são criados a pasto. Resultado, é hoje o pais que mais exporta leite para a Europa.
Boa sorte,
Alberto
Genética é um assunto complicado, ainda mais que envolve interesses diversos. O melhor trabalho que conheço é o do Jan Bosman, que criou o Bosmara, na África do Sul. Foram trinta anos de pesquisa até fixar a linhagem e ser considerada uma raça, o trabalho de seleção é inacreditável, ele media tudo. Para ter uma idéia, o livro dele chama-se "O Homem tem de Medir".
Outro tipo de seleção é o desenvolvido na Nova Zelândia, entre outras coisas, há 80 anos é proibido concursos leiteiros e os animais são criados a pasto. Resultado, é hoje o pais que mais exporta leite para a Europa.
Boa sorte,
Alberto