Rumos da pecuária de leite

Publicado por: MilkPoint

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Jozivaldo Prudêncio Gomes de Morais

Este artigo trata da reportagem publicada no jornal O Estado de São de Paulo, Ed. Nº 2370 (Suplemento Agrícola) de 11 de abril de 2001, intitulada "Novo rumo para o leite".

O tema central da reportagem é a grave crise da pecuária leiteira paulista e o destino de suas vacas vendidas nos inúmeros leilões no Estado. Segundo dados da reportagem, só no ano passado 15 mil fêmeas vendidas em leilões migraram para outros estados, principalmente Goiás. Neste ano, a tendência permanece. Alguns motivos alegados na reportagem foram pinçados e comentados a seguir:

1) Alto custo de produção em São Paulo. O Estado de Goiás teria menor custo de produção, por basear o seu sistema de produção a pasto, ter preço do grão mais barato e incentivos fiscais. Segundo pesquisadores, o leite "segue regras de mercado baseados na livre concorrência" e por isso busca outros lugares. Enquanto as regras de mercado apontam a produção para o Planalto Central, as regras de consumo apontam no sentido inverso, pois São Paulo é o Estado de maior consumo do país. Ora, parece inaceitável fazendas fechando no Estado de maior consumo. Se os outros estados incentivam, por que São Paulo não faz o mesmo? Se Goiás tem grande aptidão para produção, o que dizer do Ceará que também amplia a sua produção atualmente? O fato é que não existe política de incentivo à atividade em São Paulo. O que acontece em São Paulo hoje não é problema exclusivo do leite, pois freqüentemente grandes indústrias têm deixado o Estado. Qual o serviço público do Estado de São Paulo que melhorou nos últimos seis anos?

2) Qual o perfil de quem deixa a atividade? Pequeno, médio ou grande? Produção a pasto ou confinado? Todos os tipos de todas as formas de produção, não interessa o tamanho, raça, sexo, credo, etc. Este fato dificulta a interpretação do que realmente acontece. Existe até uma máxima entre os técnicos do setor de que só "sobreviverão" os chamados grandes. Porém, existem diversos grandes também deixando a atividade. Só sobreviverão os eficientes. Isto é óbvio. Mas, afinal, quem são os eficientes no Estado de São Paulo? Esta pergunta foi feita por um produtor em visita à UFSCar. "Eu gostaria de abraçá-los, cumprimentá-los, enaltecê-los", dizia ele na oportunidade;

3) Animais puros ou cruzados? A resposta clássica é depende. Se o sistema for rústico, o animal deve ser cruzado, se for mais "tecnificado" deve ser puro. Se o sistema for rústico ele não é eficiente e talvez corra maior risco de cair fora do negócio. Discutir que raça deve ser utilizada não resolve o problema, pois os animais em produção não podem ser trocados a curto e médio prazo. Quando o sistema funciona bem, rapidamente os animais expressam seu potencial e o processo seletivo acontece naturalmente;

4) Falta de união do setor. Este é um item sem saída. Grande parte das "figuras" que trabalham com leite no Brasil nunca sentarão na mesma mesa para discutir. Vaidades, ambições e falta de sintonia nas idéias são alguns dos itens que ajudam na polarização.

É evidente que o país está em grande processo de transformação e isso inclui também a cadeia de produção do leite. Espera-se que pelo menos os novos rumos da pecuária de leite estejam certos e que Goiás se firme na atividade e não se torne apenas uma escala entre São Paulo e o "brejo".

Fonte: MilkPoint
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