A EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), por intermédio de sua unidade de pesquisa em gado de leite - situada em Coronel Pacheco/ MG, apresentou, na última reunião da Sociedade Brasileira de Zootecnia (julho/2001), um trabalho que teve por objetivo demonstrar a rentabilidade e sustentabilidade de um modelo tropical de exploração de pecuária leiteira. O modelo, criado em 1977, utiliza animais oriundos de cruzamentos entre a raça holandesa e alguma raça zebuína, produzindo leite em um sistema baseado no uso intensivo de pastagens.
Este modelo se adapta perfeitamente às condições encontradas em grande parte de nosso país e, em virtude do grande número de produtores que operam em sistemas semelhantes a esse, a sua análise pode levar a conclusões muito interessantes.
Basta dizer, por exemplo, que o lucro por litro de leite produzido no período de 1995 a 1999 foi de US$ 0,01 e que o ganho real para remuneração sobre o capital foi de 14%. As receitas provenientes da venda de leite e de animais participaram em 86,60% e 13,40% da receita total, respectivamente, comportando-se de forma condizente com o sistema de produção implantado e com o mercado explorado.
As principais mudanças nas características do sistema original, que proporcionaram a obtenção dos índices acima mencionados foram: uso de inseminação artificial sem estação de monta definida; manutenção do grau de sangue do rebanho entre 1/2 e 15/16 Holandês x Zebu; cobertura a partir de 60 dias do parto; desaleitamento precoce aos 56 dias de idade; uso de abrigos individuais para bezerros até os 70 dias de idade; alimentação diferenciada para vacas pré e pós parto e a formação de lotes de produção com dieta balanceada.
Fica claro portanto, que a base para a obtenção de resultados econômicos favoráveis está na melhora da criação de animais jovens e no oferecimento de dieta de melhor qualidade para todo rebanho. O processo de intensificação adotado priorizou a produção de alimentos volumosos de boa qualidade, em quantidades satisfatórias, através do adequado manejo de pastagens e incremento na fertilidade dos solos das áreas exploradas (pastos e capineiras). Assim, como conseqüência, aumentou-se o potencial leiteiro das novilhas (o mesmo aconteceu com seu valor de mercado), foi possível manter maior número de animais na mesma área e aumentar a produção diária de leite. A somatória de todos estes fatores fez com que a receita fosse maior, com participação efetiva da venda de animais.
É importante dizer, até para caracterizar melhor o sistema, que boa parte das pastagens utilizadas neste modelo (aproximadamente 70 a 75%) são encostas e meia-encostas de morros, muitas vezes povoadas por capins nativos, como o capim-gordura e o jaraguá. No inverno parte dos animais é alimentada com cana-de-açúcar e silagem de milho.
Os custos com alimentação (vacas, novilhas e bezerras) perfizeram 50,80% do custo operacional total, valor este que é bastante característico de um sistema de produção de leite a pasto, com recria de animais jovens. Os gastos com mão-de-obra totalizaram 26,20%, com medicamentos 6,60% e com a reprodução dos animais 3,00%. Os gastos realizados exclusivamente com as pastagens foram apenas 3,20% do custo operacional total, confirmando o fato de que o pasto rotacionado é realmente um recurso forrageiro muito barato.
Salientamos que os valores apresentados se referem a um custo efetivo ou operacional. O custo com amortizações e/ou investimentos praticamente não existe, pois a maioria deles já foi realizada e já está paga (o modelo foi criado em 1977). Portanto, no momento da elaboração de um projeto orçamentário para implantação de sistemas de produção de leite, mesmo a pasto, há que se considerar o valor das amortizações dos investimentos e o montante de recursos necessários para iniciar a implantação do projeto. O índice de 14% de remuneração do capital certamente será diferente em uma situação onde ainda estaríamos fazendo investimentos. Em toda e qualquer atividade (agropecuária, comercial ou industrial) existe este período que, dependendo do valor agregado que seu produto apresenta e do mercado que ele explora, pode ser maior ou menor.
A sustentabilidade do modelo é caracterizada pelo lucro anual produzido US$ 2.639,78, pelo acréscimo no número de animais abrigados (aumento do patrimônio) e na já citada remuneração do capital empregado. Além disso, em função da aplicabilidade dos aspectos técnicos do sistema, este demonstrou ser bastante factível, confirmando seu caráter sustentável. É evidente que se o módulo de exploração do sistema fosse ampliado (a produção diária é de aproximadamente 900 litros), a propriedade teria suas receitas incrementadas, permitindo maior diluição de custo fixos.
Material escrito por:
Alexandre de Campos Gonçalves
Acessar todos os materiaisPaulo Araripe
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JULIANO
CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - ESTUDANTE
EM 19/12/2001
Como meu sistema de produção se identifica com os parâmetros mencionados no artigo, posso dizer que confirmo as conclusões do articulista, notadamente no que diz respeito à necessidade de que sejam abstraídos da análise econômica, fatores como amortização do investimento ou mesmo aumento de plantel, para busca de escala. Nesses casos, é necessária a utilização de recursos externos à atividade, já que a margem de lucro (dois ou três centavos de real), não admite sonhar com crescimento.