Receita Líquida Vitalícia - RLV

Publicado por: e

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 1
Ícone para curtir artigo 0

Uma forma um pouco mais elaborada de avaliar o potencial econômico de fazendas leiteiras é verificar qual a Receita Líquida Vitalícia (RLV) de suas vacas, ou seja, quantificar o total de receitas que cada animal gera durante todo o período de tempo em que permanece na propriedade. O cálculo da RLV exige que o pecuarista realize ao menos um razoável controle financeiro da atividade, indicando com alguma precisão a origem e destino das entradas e saídas de seu caixa.

O primeiro passo é definir o Custo Vitalício (CV) de cada animal, ou seja, somar todos os gastos realizados com a criação e o manejo de cada indivíduo, incluindo aqueles com a alimentação, manejo sanitário e reprodutivo, mão-de-obra e até mesmo os gastos com a ordenha, isso durante toda sua vida na fazenda. Consideremos uma situação em que o pecuarista produz seus próprios animais de reposição, nesse caso, é preciso contabilizar no CV destes, todas as despesas realizadas para com os mesmos desde o seu nascimento. Já no caso de criadores que compram suas vacas de reposição de terceiros, é fundamental que seja computado o valor despendido nesta aquisição.

Outro ponto importante é apurar a Receita Bruta Vitalícia (RBV) de cada animal de forma isolada, somando todas as receitas por ele geradas (leite, esterco, etc.), enquanto ele fizer parte do plantel da fazenda. Ainda devem ser adicionados à RBV: o saldo obtido com a comercialização de suas crias (subtraídas as despesas para criá-las) e o valor final recebido com a venda do animal no momento do descarte do mesmo.

Com os valores acima descritos em mãos, calcula-se a RLV subtraindo das receitas geradas pela produção deste animal os custos inerentes de sua criação. Assim sendo temos que:

(RLV) = (RBV) – (CV)


onde:

RLV = Receita líquida vitalícia
RBV = Receita bruta vitalícia
CV = Custo Vitalício

Os valores obtidos irão indicar quais são as matrizes que geram os maiores benefícios à boa "saúde econômica" da atividade, também demonstrando aqueles que ainda estão deficitários, dando espaço para que o produtor ou sua equipe técnica possam avaliar os motivos desse comportamento e traçar as diretrizes do plano de seleção e até mesmo de manejo do plantel.

Quanto mais precocemente são descartados os animais de uma propriedade, ou seja quanto maior a taxa de descarte do rebanho, maior a pressão negativa sobre a RLV. Reposições rápidas do rebanho reduzem o intervalo entre gerações promovendo incrementos nos ganhos genéticos com o tempo, entretanto a maior produção dos animais ocorre na idade adulta e muitas vezes os animais acabam sendo pouco explorados nesta fase.

No entanto, mais importante que o descarte em si, é o motivo pelo qual o animal foi descartado. Em estudo recente, realizado em 269 fazendas do estado norte-americano do Kentucky, a Professora Anamaria Cândido Ribeiro e seus colaboradores verificaram que a taxa de descarte média ficou em 31,39%. Embora motivada pelo rápido aprimoramento genético, este elevado valor acaba por reduzir a RLV desses plantéis.

A melhor RLV foi gerada por animais de boa produção leiteira que foram comercializados para serem aproveitados por outros criadores, devido ao bom valor recebido com sua venda, indicando que são esses os animais mais rentáveis ao produtor. Esses representaram, para as condições do Kentucky, apenas 7,98% dos motivos de descarte.

Em segundo lugar ficaram os animais comercializados devido à problemas de aprumos, problemas de úbere ou ainda com algum tipo de problema reprodutivo, esses problemas normalmente acometem animais de maior idade e que, portanto, influenciam menos a RLV. Além disso, embora sejam problemas sérios por vezes permitem o aproveitamento do animal por maior período de tempo garantindo algum valor comercial ao mesmo no momento do descarte.

Os piores resultados em termos de RLV foram verificados para os casos em que os animais são descartados por motivo de baixa produção (venda precoce e por valor reduzido) e quando da morte de animais onde nem sempre é possível comercializar a carcaça. A representatividade desses motivos de descarte, 27,25%, é considerável nos rebanhos do Kentucky.

Observe que esses dados são específicos para as condições onde ocorreu o experimento, e que a escassez de dados nacionais impede uma avaliação local. Também é preciso ressaltar que o modelo de exploração lá adotado prioriza o uso de animais de elevada produção leiteira individual, o que nem sempre é o objetivo maior de nossos sistemas de produção, principalmente aqueles baseados no uso de pastagens. Porém, vale a dica para os pecuaristas que tem bom controle financeiro e para aqueles que estão em busca de ferramentas para aprimorar seu controle sobre o rebanho. Boa Sorte!!!
Ícone para ver comentários 1
Ícone para curtir artigo 0

Material escrito por:

Alexandre de Campos Gonçalves

Alexandre de Campos Gonçalves

Acessar todos os materiais

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Fernando Enrique Madalena
FERNANDO ENRIQUE MADALENA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 29/10/2001

A receita líquida vitalícia proposta é uma medida ótima, especialmente quando expressa por dia de vida útil da vaca, já que o ideal seria substituir cada vaca imediatamente após a sua saída do rebanho.

Além de haver poucos dados nacionais, os que existem são ignorados. Com essa medida mostramos que as F1 são mais econômicas que outros genótipos

Vide: Madalena et al., 1990, J. Dairy Sci. 73:1887
Qual a sua dúvida hoje?