Os estudos que realizam análise econômica da ovinocultura não são tão frequentes, no entanto, são muito importantes para que melhor se avalie a atividade, e para que seja possível reduzir custos, aumentar a produtividade e estabelecer metas com o objetivo de atingir alta lucratividade com eficiência e sustentabilidade do negócio.
Neste mês vamos mostrar resultados obtidos em experimento para analisar a viabilidade econômica e identificar os componentes que exercem maior influência sobre o custo de produção de sistemas de terminação de cordeiros em sistemas que tinham como base a pastagem de inverno (azevém) na terminação. O experimento de campo foi realizado no Laboratório de Produção de Ovinos e Caprinos (LAPOC) da UFPR, na região metropolitana de Curitiba-PR. Foram estudados três sistemas de terminação com abate dos cordeiros da raça Suffolk aos 32 kg:
(1) cordeiros desmamados aos 40 dias mantidos em pasto;
(2) cordeiros mantidos com as ovelhas (mães) em pasto;
(3) cordeiros mantidos com as ovelhas (mães) em pasto recebendo suplementação em creep feeding (1% do peso dos cordeiros/animal/dia).
A pastagem utilizada foi azevém sobressemeada em Tifton 85. O suplemento fornecido aos cordeiros no creep feeding e no confinamento consistia de concentrado com 20% de proteína bruta. As 150 ovelhas do sistema permaneceram em pastagem durante o ano todo, em sistema de pastejo contínuo (10 hectares), sendo suplementadas antes da monta (flushing). Os resultados de desempenho, taxa de mortalidade, pesos e rendimentos de carcaças que foram utilizados para análise econômica estão apresentados na Tabela 1.
Tabela 1. Ganho de peso médio diário (GMD), mortalidade, tempo de terminação.
O gráfico apresenta a distribuição do custo efetivo conforme os seus componentes (clique para ampliar).
Gráfico 1. Percentual de contribuição dos itens que compõem o custo operacional efetivo. Nota: O percentual de conservação e reparos se refere à benfeitorias, máquinas e equipamentos. A sanidade contempla custo com medicamentos, vacinas, anti-helmínticos e material de limpeza.
Observou-se que a mão de obra foi o custo que apresentou maior contribuição nos sistemas estudados, com variação de 27,8% a 31,4% na composição do custo operacional efetivo. O valor de mão de obra temporária variou entre os sistemas conforme a necessidade de funcionários para auxiliar nos períodos de maior concentração de trabalho. A estratégia de contratar funcionários temporários pode ser útil para reduzir o custo com mão de obra, já que em alguns períodos do ano a demanda de trabalho não é grande. Deve-se ter muita eficiência no uso de mão de obra porque é o maior custo na atividade.
O segundo maior custo foi com alimentação dos animais nos três sistemas, sendo que esse foi muito próximo ao custo com assistência técnica, no sistema sem desmame com cordeiros terminados em pasto com creep feeding (16,8% vs. 15,3%). Portanto, o uso de alimentos que tenham qualidade, mas apresentem menor custo, por haver maior disponibilidade na região, deve ser empregado para redução do custo com alimentação, o qual representa elevado percentual no custo da atividade produtiva.
Os valores anuais de conservação e reparos foram maiores que aqueles com impostos e taxas e sanidade, portanto, é importante considerá-los nos cálculos. Os impostos e taxas representaram de 7,3% a 9,1% do custo operacional efetivo, cuja variação deveu-se à diferença de receita entre os sistemas, que por sua vez estava relacionada ao número de animais e ao rendimento das carcaças dos cordeiros.
O custo com sanidade foi diferente entre os sistemas conforme o número de administrações de anti-helmínticos necessárias durante a terminação. Esse número foi 6,5; 1,1; 1 vez, nos sistemas de cordeiros desmamados mantidos em pasto, e sem desmame mantidos em pasto sem e com creep feeding, respectivamente. Esse custo com anti-helmíntico poderia ser reduzido à metade se não houvesse necessidade de utilizar dois anti-helmínticos para se alcançar eficácia no rebanho, já que a dose média para os cordeiros custou cerca de R$ 0,52, sendo R$ 0,25 e R$ 0,27 a dose de cada um dos anti-helmínticos utilizados. Mesmo com desverminações frequentes, os cordeiros desmamados mantidos em pasto apresentaram elevada mortalidade (Tabela 1). Os cordeiros não desmamados, mantidos com as mães em pastagem, apresentaram menor necessidade de desverminação, o que reduziu o custo, e não houve nenhum caso de mortalidade por verminose, o que aumentou a receita pelo maior número de cordeiros terminados.
O transporte dos animais e o gasto com abate diferiram entre os sistemas devido ao número de animais terminados. No sistema com desmame e terminação em pasto, devido a mortalidade de 20% por verminose (Tabela 1), o número de cordeiros abatidos (91) foi menor que nos demais (104), que não apresentaram mortalidade na fase de terminação. O custo fixo total representou 23% do custo total de produção nos sistemas de terminação dos cordeiros, sem diferença entre os sistemas.
A depreciação das benfeitorias foi maior no creep feeding devido à maior área construída nesses sistemas. Quanto maior o valor das benfeitorias, maior é a depreciação, portanto instalações funcionais e de baixo custo são mais indicadas em qualquer área da produção animal. A depreciação do pasto foi menor no sistema que utilizou o confinamento porque nesse sistema a área de pastagem formada foi menor que nos demais, já que os cordeiros não utilizaram a pastagem durante a terminação. A mesma foi usada apenas para as ovelhas antes do parto e cordeiros até o desmame.
Os juros sobre o capital de giro variaram entre os sistemas, conforme variou o custo com suplementação alimentar, medicamentos, vacinas e limpeza, anti-helmínticos, pastagem, energia elétrica e conservação e reparos, já que o mesmo foi calculado sobre a soma desses custos.
Dessa forma, identificou-se que os principais custos são com mão de obra e alimentação dos animais. No próximo mês continuaremos a trabalhar com esses dados focando na análise de viabilidade econômica.
Referências bibliográficas
CANZIANI, J.R.F. O cálculo e a análise do custo de produção para fins de gerenciamento e tomada de decisão nas propriedades rurais. Curitiba: DERE/SCA/UFPR, 2005. 19 p. Material Didático.
