Na cabra está associado à persistência do corpo lúteo, o qual mantém níveis plasmáticos de progesterona elevados que induzem um bloqueio do eixo hipotálamo-hipófise, inibindo o retorno da atividade cíclica da fêmea (anestro). A persistência do corpo lúteo pode-se apresentar em decorrência de duas situações: (1) fêmea não sendo fecundada após o estro, apresenta persistência do corpo lúteo cíclico e; (2) após a fecundação há mortalidade embrionária e persistência do corpo lúteo, iniciando a pseudogestação. Esse desequilíbrio pode perdurar por até cinco meses. As concentrações de progesterona são similares às de uma fêmea gestante até os dias 98 a 133 pós-ovulação, diminuindo a níveis basais, sem, no entanto, expulsão do feto.
Acredita-se que a causa imediata deste distúrbio seja a falha do endométrio em sintentizar ou liberar a prostaglandina (hormônio responsável pela luteólise). Entretanto, devido à íntima interação entre os hormônios reprodutivos, esta ação pode ser regulada por uma atuação sinérgica de vários agentes.
Como sinal clínico observa-se distensão abdominal, devido ao acúmulo asséptico de líquido no interior do útero. Tal manifestação é proveniente da intensa secreção das glândulas endometriais, originando como complicação, a hidrometra/mucometra. O conteúdo do útero, nessas condições, varia de massas semisólidas (mucometra) até líquidos serosos (hidrometra). O evento é acompanhado por significativas alterações de comportamento do animal, compatíveis com uma gestação verdadeira.
A maior evidência da pseudogestação ou muco/hidrometra é a ocorrência de anestro e a distensão abdominal que frequentemente é diagnosticada, erroneamente, como prenhez. Em geral, esse distúrbio é diagnosticado quando se realiza exames ultrassonográficos para detecção de prenhez do rebanho. Por este método é possível diferenciar tal evento de uma gestação verdadeira. Na prenhez, além da presença de líquido é possível visualizar outros sinais característicos de gestação como, presença de vesícula embrionária ou feto, placentomas e cordão umbilical, por exemplo. No caso de pseudogestação, o conteúdo uterino apresenta-se na imagem ultrassonográfica numa variação de ecogenicidade de acordo com densidade.
Esse fenômeno não é um fator de risco para a saúde do animal, no entanto, reduz a capacidade reprodutiva e produtiva, sendo responsável por grandes prejuízos econômicos ao sistema. O diagnóstico precoce viabiliza o tratamento, evitando quadros patológicos avançados que possam comprometer a eficiência reprodutiva futura da fêmea.
Figura 1 - Diagnóstico ultrassonográfico diferencial entre pseudogestação (A) e prenhez (B).

Referências bibliográficas
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