Pseudogestação em cabras

A pseudogestação é uma alteração patológica de alta ocorrência em cabras, sendo responsável por casos de infertilidade ou subfertilidade. Esse distúrbio da reprodução tem origem hormonal observado em fêmeas não prenhez, quer tenham sido cobertas ou não. Afeta tanto fêmeas nulíparas quanto pluríparas, independentemente da idade, ordem de parto e grau de sangue. Dessa forma, torna-se difícil correlacionar quais são os fatores predisponentes. Esse fenômeno não é um fator de risco para a saúde do animal, no entanto, reduz a capacidade reprodutiva e produtiva, sendo responsável por grandes prejuízos econômicos ao sistema. O diagnóstico precoce viabiliza o tratamento, evitando quadros patológicos avançados que possam comprometer a eficiência reprodutiva futura da fêmea. Leia mais sobre esse assunto e tire suas dúvidas!

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A pseudogestação é uma alteração patológica de alta ocorrência em cabras, sendo responsável por casos de infertilidade ou subfertilidade. Esse distúrbio da reprodução tem origem hormonal observado em fêmeas não prenhez, quer tenham sido cobertas ou não. Afeta tanto fêmeas nulíparas quanto pluríparas, independentemente da idade, ordem de parto e grau de sangue. Dessa forma, torna-se difícil correlacionar quais são os fatores predisponentes.

Na cabra está associado à persistência do corpo lúteo, o qual mantém níveis plasmáticos de progesterona elevados que induzem um bloqueio do eixo hipotálamo-hipófise, inibindo o retorno da atividade cíclica da fêmea (anestro). A persistência do corpo lúteo pode-se apresentar em decorrência de duas situações: (1) fêmea não sendo fecundada após o estro, apresenta persistência do corpo lúteo cíclico e; (2) após a fecundação há mortalidade embrionária e persistência do corpo lúteo, iniciando a pseudogestação. Esse desequilíbrio pode perdurar por até cinco meses. As concentrações de progesterona são similares às de uma fêmea gestante até os dias 98 a 133 pós-ovulação, diminuindo a níveis basais, sem, no entanto, expulsão do feto.

Acredita-se que a causa imediata deste distúrbio seja a falha do endométrio em sintentizar ou liberar a prostaglandina (hormônio responsável pela luteólise). Entretanto, devido à íntima interação entre os hormônios reprodutivos, esta ação pode ser regulada por uma atuação sinérgica de vários agentes.

Como sinal clínico observa-se distensão abdominal, devido ao acúmulo asséptico de líquido no interior do útero. Tal manifestação é proveniente da intensa secreção das glândulas endometriais, originando como complicação, a hidrometra/mucometra. O conteúdo do útero, nessas condições, varia de massas semisólidas (mucometra) até líquidos serosos (hidrometra). O evento é acompanhado por significativas alterações de comportamento do animal, compatíveis com uma gestação verdadeira.

A maior evidência da pseudogestação ou muco/hidrometra é a ocorrência de anestro e a distensão abdominal que frequentemente é diagnosticada, erroneamente, como prenhez. Em geral, esse distúrbio é diagnosticado quando se realiza exames ultrassonográficos para detecção de prenhez do rebanho. Por este método é possível diferenciar tal evento de uma gestação verdadeira. Na prenhez, além da presença de líquido é possível visualizar outros sinais característicos de gestação como, presença de vesícula embrionária ou feto, placentomas e cordão umbilical, por exemplo. No caso de pseudogestação, o conteúdo uterino apresenta-se na imagem ultrassonográfica numa variação de ecogenicidade de acordo com densidade.

Esse fenômeno não é um fator de risco para a saúde do animal, no entanto, reduz a capacidade reprodutiva e produtiva, sendo responsável por grandes prejuízos econômicos ao sistema. O diagnóstico precoce viabiliza o tratamento, evitando quadros patológicos avançados que possam comprometer a eficiência reprodutiva futura da fêmea.

Figura 1 - Diagnóstico ultrassonográfico diferencial entre pseudogestação (A) e prenhez (B).

Figura 1

Referências bibliográficas


GRUNERT, E.; BIRGEL, E. H.; VALE, W. G. Patologia e Clínica da Reprodução dos Animais Mamíferos Domésticos - Ginecologia. 1ª Edição. São Paulo: Livraria Varela. 551p., 2005.

M.A.M. TAVERNE, M. A. M.; BEVERS, M. M.; HESSELINK, J. W.; VAN DEN BRANDE, H. J. ; DIELEMAN, S. J. ; VAN OORD, H. A. Evidence for a dominant role of prolactin in the luteotrophic complex of pseudopregnant goats. Animal Reproduction Science, V. 36 p. 253-260, 1994.

SALLES, M. G. F.; ARAÚJO, A. A. Pseudogestação em cabras leiteiras - relato de caso. Veterinária e Zootecnia. V.15, n.2, agosto, p.251-256, 2008.
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Material escrito por:

Maria Emilia Franco Oliveira

Maria Emilia Franco Oliveira

www.mariaemilia.vet.br

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FELICIO MANOEL ARAUJO
FELICIO MANOEL ARAUJO

LAJINHA - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 10/02/2022

NOTA 10 PELA MATERIA SOBRE
Maria Gorete Flores Salles
MARIA GORETE FLORES SALLES

FORTALEZA - CEARÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 02/03/2011

Prezada maria Emilia,

Parabéns pelo artigo e divulgação do problema que é muito comum em cabras leiteiras confinadas, as quais só tem contato com os reprodutores em estações de monta.
Qual a sua dúvida hoje?