O Sistema de Produção de Leite da Embrapa Pecuária Sudeste foi implantado em 1984, com os objetivos de gerar dados zootécnicos e econômicos; possibilitar o desenvolvimento de projetos de pesquisa e a validação de novas tecnologias; e funcionar como unidade demonstrativa, facilitando o processo de transferência de tecnologia e formação de pessoas.
Ao longo desse período o sistema sofreu transformações, de acordo com as exigências do setor produtor de leite. Na década de 80, o sistema foi utilizado como referência para a elaboração da planilha de custo de produção de leite tipo B e era caracterizado pela utilização de pastagem e suplementação no cocho com uma dieta a base de silagem de milho e capineira de capim-elefante.
Com o final da regulamentação do preço do leite por parte do governo, a necessidade de se gerar uma planilha de custo de produção do leite B deixou de ser prioridade, havendo uma mudança de foco na condução do Sistema de Produção de Leite da Embrapa Pecuária Sudeste. Na década de 90, portanto, o sistema passou a ser caracterizado pela utilização intensiva de pastagens durante o verão e pelo fornecimento de silagem de milho e/ou cana-de-açúcar durante o inverno. Entre 1993 e 2001 foi utilizada a somatrotopina bovina com o objetivo de maximizar a produção de leite das vacas. Em 2002, foi feito um descarte de animais com o objetivo de reduzir o rebanho.
O melhoramento genético e as melhorias no manejo e alimentação dos animais permitiram um aumento na produção média por lactação das vacas de 2.658 kg, em 1984, para 8.022 kg, em 2002. A Tabela 1 mostra os resultados médios obtidos nos períodos de 1984 a 1991 e 1992 a 2002.
Tabela 1. Médias para produção de leite, duração da lactação, intervalo de partos, produção de leite por intervalo de partos, idade ao primeiro parto e peso da vaca à maturidade no Sistema Intensivo de Produção de Leite da Embrapa Pecuária Sudeste.

Atualmente, o Sistema Intensivo de Produção de Leite da Embrapa Pecuária Sudeste conta com uma área total de 90 ha, sendo 25 ha de pastagem adubada, 16,4 ha de pastagem não adubada (após a redução do rebanho esse área não foi mais utilizada com o rebanho leiteiro), 35 ha para a produção de milho para ensilagem, 2,6 ha de cana-de-açúcar, 1 ha de instalações e 10 ha de reserva ambiental. O rebanho, atualmente, é composto por 95 vacas da raça holandesa preta e branca e a produção média é de 2.300 L/dia.
A média de produção de leite das vacas em lactação (de 67 a 78 animais) no ano agrícola 2002/2003 foi de 26,7 kg leite/dia. No período de verão (outubro/02 a abril/03), a média foi de 24,7 kg de leite/vaca/dia. No lote de maior produção (25 a 30 animais), a média neste mesmo período foi de 34 kg de leite/vaca/dia. No período de inverno (maio a setembro/03), a média do rebanho foi de 28,7 kg de leite/vaca/dia e do lote de maior produção de 42,6 kg de leite/vaca/dia.
Comentário: A viabilidade técnica de produção de leite a pasto com vacas de elevado potencial de produção em condições tropicais sempre foi motivo de discussão por parte de técnicos e produtores. Os resultados obtidos no Sistema Intensivo de Produção de Leite da Embrapa Pecuária Sudeste mostram que isso é possível, desde que alguns pontos sejam observados: os animais devem ter acesso a alimento de qualidade e em quantidade adequada; a distância entre a sala de ordenha e as áreas de pastagem não devem ser muito longas; os animais devem ter livre acesso à água e sombra de qualidade e o melhoramento genético deve ser direcionado para o sistema de produção.
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Patricia Menezes Santos, Embrapa Pecuária Sudeste
Pedro Franklin Barbosa, Embrapa Pecuária Sudeste
Danilo de Paula Moreira, Embrapa Pecuária Sudeste
Marco Antonio Alvares Balsalobre, Bellman Nutrição Animal e B&N Consultoria
