Produção de leite a pasto com vacas de elevado potencial genético

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Por Patricia Menezes Santos, Pedro Franklin Barbosa, Danilo de Paula Moreira e Marco Antonio Alvares Balsalobre

O Sistema de Produção de Leite da Embrapa Pecuária Sudeste foi implantado em 1984, com os objetivos de gerar dados zootécnicos e econômicos; possibilitar o desenvolvimento de projetos de pesquisa e a validação de novas tecnologias; e funcionar como unidade demonstrativa, facilitando o processo de transferência de tecnologia e formação de pessoas.

Ao longo desse período o sistema sofreu transformações, de acordo com as exigências do setor produtor de leite. Na década de 80, o sistema foi utilizado como referência para a elaboração da planilha de custo de produção de leite tipo B e era caracterizado pela utilização de pastagem e suplementação no cocho com uma dieta a base de silagem de milho e capineira de capim-elefante.

Com o final da regulamentação do preço do leite por parte do governo, a necessidade de se gerar uma planilha de custo de produção do leite B deixou de ser prioridade, havendo uma mudança de foco na condução do Sistema de Produção de Leite da Embrapa Pecuária Sudeste. Na década de 90, portanto, o sistema passou a ser caracterizado pela utilização intensiva de pastagens durante o verão e pelo fornecimento de silagem de milho e/ou cana-de-açúcar durante o inverno. Entre 1993 e 2001 foi utilizada a somatrotopina bovina com o objetivo de maximizar a produção de leite das vacas. Em 2002, foi feito um descarte de animais com o objetivo de reduzir o rebanho.

O melhoramento genético e as melhorias no manejo e alimentação dos animais permitiram um aumento na produção média por lactação das vacas de 2.658 kg, em 1984, para 8.022 kg, em 2002. A Tabela 1 mostra os resultados médios obtidos nos períodos de 1984 a 1991 e 1992 a 2002.

Tabela 1. Médias para produção de leite, duração da lactação, intervalo de partos, produção de leite por intervalo de partos, idade ao primeiro parto e peso da vaca à maturidade no Sistema Intensivo de Produção de Leite da Embrapa Pecuária Sudeste.


Atualmente, o Sistema Intensivo de Produção de Leite da Embrapa Pecuária Sudeste conta com uma área total de 90 ha, sendo 25 ha de pastagem adubada, 16,4 ha de pastagem não adubada (após a redução do rebanho esse área não foi mais utilizada com o rebanho leiteiro), 35 ha para a produção de milho para ensilagem, 2,6 ha de cana-de-açúcar, 1 ha de instalações e 10 ha de reserva ambiental. O rebanho, atualmente, é composto por 95 vacas da raça holandesa preta e branca e a produção média é de 2.300 L/dia.

A média de produção de leite das vacas em lactação (de 67 a 78 animais) no ano agrícola 2002/2003 foi de 26,7 kg leite/dia. No período de verão (outubro/02 a abril/03), a média foi de 24,7 kg de leite/vaca/dia. No lote de maior produção (25 a 30 animais), a média neste mesmo período foi de 34 kg de leite/vaca/dia. No período de inverno (maio a setembro/03), a média do rebanho foi de 28,7 kg de leite/vaca/dia e do lote de maior produção de 42,6 kg de leite/vaca/dia.

Comentário: A viabilidade técnica de produção de leite a pasto com vacas de elevado potencial de produção em condições tropicais sempre foi motivo de discussão por parte de técnicos e produtores. Os resultados obtidos no Sistema Intensivo de Produção de Leite da Embrapa Pecuária Sudeste mostram que isso é possível, desde que alguns pontos sejam observados: os animais devem ter acesso a alimento de qualidade e em quantidade adequada; a distância entre a sala de ordenha e as áreas de pastagem não devem ser muito longas; os animais devem ter livre acesso à água e sombra de qualidade e o melhoramento genético deve ser direcionado para o sistema de produção.

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Patricia Menezes Santos, Embrapa Pecuária Sudeste
Pedro Franklin Barbosa, Embrapa Pecuária Sudeste
Danilo de Paula Moreira, Embrapa Pecuária Sudeste
Marco Antonio Alvares Balsalobre, Bellman Nutrição Animal e B&N Consultoria
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valmir leandro schatz
VALMIR LEANDRO SCHATZ

ITAPIRANGA - SANTA CATARINA - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 08/04/2009

Boa tarde
Prezados senhores, as informações que são lançadas sempre são válidas, cabe a cada um interpretar estas informações ao seu próprio sistema. Gostaria de saber se vocês tem alguma planilha elaborada para gerar os reais custos da produção leiteira, seja ela extensiva ou intensiva, se houver a possibilidade de receber este material posso atualizá-la conforme a minha realidade, e a partir dai ter base para uma avaliação econômica.

Desde já agradeço vossa atenção no esforço de atender minha solicitação.
Muito Obrigado
Fernando Enrique Madalena
FERNANDO ENRIQUE MADALENA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 02/09/2004

Gostaria de saber o resultado econômico do sistema descrito. Existem publicações ao respeito. Desde já muito obrigado.

<b>Resposta dos autores:</b> Prezado Prof. Madalena,

Realmente, para determinar a viabilidade de um sistema de produção é necessário fazer uma análise econômica. O levantamento de custos de produção em instituições de pesquisa governamentais, no entanto, têm uma série de limitações (ex: o custo de mão-de-obra é acima do valor de mercado, a compra e venda de insumos e produtos depende de processos de licitação e, nem sempre, podem ser feitas de forma a otimizar o sistema, os animais são utilizados em ações de pesquisa, etc.). Dessa forma, o objetivo desse artigo foi fornecer aos interessados parâmetros zootécnicos que possibilitem e execução e análise prévia de projetos de sistemas de produção de leite em pastagens. Acredito que, nesse sentido, ele será útil.
Andre Zanaga Zeitlin
ANDRE ZANAGA ZEITLIN

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 29/08/2004

Entendo que com a desregulamentação, a elaboração da planilha de custo de produção tenha deixado de ser prioridade, mas nao quero crer que se tenha deixado de acompanhar os custos de produção. Uma vez que o artigo fala da viabilidade de produção de leite a pasto a partir de animais especializados, pergunto: cade os números ($) ? Sem os respectivos dados financeiros, avaliar a mera viabilidade técnica, nao tem sentido prático. Em outras palavras, livre de restrições financeiras, dá pra produzir leite até na lua...


<b>Resposta dos autores:</b>Prezado André,

Realmente, para determinar a viabilidade de um sistema de produção é necessário fazer uma análise econômica. O levantamento de custos de produção em instituições de pesquisa governamentais, no entanto, têm uma série de limitações (ex: o custo de mão-de-obra é acima do valor de mercado, a compra e venda de insumos e produtos depende de processos de licitação e, nem sempre, podem ser feitas de forma a otimizar o sistema, os animais são utilizados em ações de pesquisa, etc.). Dessa forma, o objetivo desse artigo foi fornecer aos interessados parâmetros zootécnicos que possibilitem e execução e análise prévia de projetos de sistemas de produção de leite em pastagens. Acredito que, nesse sentido, ele será útil.

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