Principais entraves para a produção de leite orgânico no Brasil

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Jozivaldo Prudêncio Gomes de Morais

Nos últimos anos muito se tem falado de alternativas para a crise que atravessa a produção de leite no Brasil. Uma delas, a produção de leite orgânico, tem como sólida base teórica a tendência mundial de maior respeito ao meio ambiente e consumo de produtos com menor possibilidade de causar resíduos tóxicos.

No mundo inteiro, o mercado de leite orgânico vem se expandindo, pois o binômio "maior preço pago" e "grande demanda" tem estimulado a produção. Mas quais seriam os principais entraves na cadeia de produção de leite orgânico no Brasil? Levantam-se a seguir algumas análises para discussão.

1) Produção de forragem - pensando em produção orgânica sobre pastagem, qual seria a forrageira ideal para a atividade? É sabido que as gramíneas tropicais vencem em produtividade, mas perdem em qualidade. Se não houver a possibilidade de adubação, pode-se perder essa grande dádiva. Para tornar o sistema lucrativo precisaria então de áreas maiores, dificultando a participação de pequenas propriedades. Outra alternativa, porém também difícil, é a utilização da adubação orgânica, que depende da movimentação de grandes quantidades de esterco, necessitando de máquinas especializadas.

2) Combate a ectoparasitos - carrapatos, bernes e piolhos consomem grande parte da renda em fazendas de leite. Além disso, a maioria dos produtos químicos encontrados no mercado são caros, de difícil aplicação (pulverizações) e de eficácia duvidosa. Porém, sem eles a situação fica pior ainda, pois, no caso de manejo orgânico, não se poderia usá-los. Uma alternativa possível seria a utilização de raças mais resistentes, no entanto, com menor potencial produtivo e provavelmente maior dificuldade de manejo.

3) Processamento do produto - não se pode pensar em produção de leite orgânico como produtor isolado, a não ser que o mesmo disponha de capacidade de industrialização e distribuição do produto - o que é muito pouco provável. Leite é um dos produtos agrícolas de maior dificuldade de comercialização, por isso, a organização entre produtores para o estabelecimento de laticínios exclusivamente para a produção de leite orgânico é fundamental.

4) Órgãos certificadores - todas as regras de produção devem estar devidamente sistematizadas e as fazendas regularmente fiscalizadas. Na Holanda, por exemplo, existem órgãos fiscalizadores dos certificadores o que parece incongruência. Hoje, no Brasil, já existe legislação normatizando a criação destes órgãos, que prevê fiscalização das fazendas pelo menos uma vez por ano, o que é muito pouco. É evidente que quem produz não pode também ser fiscalizador (é só lembrar do ditado da raposa e das galinhas).

Do exposto tira-se o tamanho do lastro a ser percorrido. Estudos na área de sistema de produção requerem tempo e dinheiro, e as instituições públicas de ensino e pesquisa, a quem provavelmente caberia a façanha, atravessam um terrível sucateamento. O fato é que o tema precisa ser estudado, e logo, para se evitar um dos grandes males que comumente acometem a pecuária nacional: o modismo inconseqüente. Caso contrário, persistirá a cena de vacas escanzeladas e leite clandestino nos arrabaldes. Agora, organicamente produzido.
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Altemar Canelada Campos
ALTEMAR CANELADA CAMPOS

GALIA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/10/2017

a produção normal com custo aproximado de 1,00 a 1,10 o custo do leite e o mesmo sendo vendido de 0,90 a 1,20 esta asfixando o pobre do produtor de leite do Brasil. A importação desenfreada , a pouca representatividade direta do produtor na cadeia do leite faz com que mais de 700 mil produtores desistissem da atividade, e se continuar assim em pouco tempo não restara nenhum, as propriedades passarão todas para o sistema financeiro nacional. Entao p mim quase que não existe saída, ou vou para a produção orgânica ou vendo as vacas e a propriedade e vou embora com a família  a contragosto para a cidade. As dividas so aumentam junto aos Bancos. Vou desesperadamente buscar parcerias na Embrapa Sudeste São Carlos e tentar mais uma vez sobreviver juntamente ... com minha dignidade.Boa sorte a todos
Antonio Ronaldo de Paula
ANTONIO RONALDO DE PAULA

SANTA RITA DO PASSA QUATRO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/04/2017

Querido prof. Jozivaldo, tenho despertado um interesse pelo assunto e até pensei na possibilidade de partir nessa direção, porém tenho enroscado nesses pontos que o senhor colocou em seu artigo, tinha até pensado em entrar em contato contigo para tratar sobre o assunto. Creio que uma vertente da pecuária leiteira irá nessa direção, mas parece que ainda falta bastante coisa, gostaria de conhecer propriedades que já estão trabalhando com orgânico, propriedade que operam na realidade de 500 a 1000 litros dia. Abraço.
Felipe Albernaz
FELIPE ALBERNAZ

EM 29/06/2016

O leite orgânico é um alimento é incrível...

tem mais de 71% a mais de omega 3...além disso não possui contaminação química...

Vale a pena conferir e começar a consumuir esse alimento diferenciado






Edgar José
EDGAR JOSÉ

CAMBUÍ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/06/2014

Produção orgânica é simples e muito fácil de se realizar. Basta ter vontade de ter uma melhor vida.
Luiz Carlos Britto Ferreira
LUIZ CARLOS BRITTO FERREIRA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 25/03/2013

4) ainda sobre as certificadoras - não concordo com a ideia da raposa vigiando o galinheiro, as OCS (organizações de conformidade sociais) e as OPAC (organização participativa da conformidade) são excelentes ferramentas de controle e mais confiáveis de fiscalização. Esse modelo do MAPA de fiscalização e inspeção já está ultrapassado e não é usado em países desenvolvidos. Esta iniciativa do setor de orgânico do MAPA em criar a Avaliação de Conformidade Participativa é de grande sabedoria e está na vanguarda.

Concluindo - Primeiro é mudar o paradigma, produzir organicamente não é simplesmente trocar os insumos químicos por outros insumos permitidos. É uma mudança nos sistema de produção como um todo e principalmente nos padrões de consumo da população. Enquanto o consumidor estiver disposto a pagar mais por um suco de soja, por um refrigerante, mais que paga por um litro de leite (saúde) fica realmente difícil prosperar a produção orgância
Luiz Carlos Britto Ferreira
LUIZ CARLOS BRITTO FERREIRA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 25/03/2013

Prezado Jozivaldo, muito oportuna a sua preocupação com os Entraves para a produção de leite orgânico no Brasil. Eu trabalho na Extensão Rural e acompanho este processo a mais de 10 anos. inclusive a primeira publicação sobre leite orgânica do pais é nossa. Tenho umas considerações sobre suas análises:

1) Forragem - Não existe a forragem milagrosa, portanto ideal para produção orgânica. Cada microrregião tem forragens mais adaptadas aos seus respectivos ecossistemas. No Sistema de Produção Orgânico precisa de outro paradigma onde a biodiversidade não deve nunca ser esquecida, assim como o redesenho da propriedade, etc. O solo é a base de tudo, para termos boas produção temos que ter solos férteis, vivos e produtivos, Para tanto temos varias alternativas de fontes de fósforo, potássio e até nitrogênio, que não os adubos solúveis. Um destaque para a cama-de-frago, que com ela, temos conseguidos excelentes resultados, inclusive na produção convencional em substituição dos adubos químicos. Porem  no Brasil, sempre queremos ser mais reais que o rei e já existe prazo para a proibição da cama-de-frango na adubação das pastagens. A propósito a legislação para produção orgânica animal é de longe o maior entrave a produção.

2) Não existe raças resistentes e sim mais adaptadas, os Zebuínos e seus cruzamentos são animas, que se bem selecionados podem produzir com produtividades econômicas e satisfatórias. Estes animais juntamente com manejo adequado não vão depender da parafernália química para viabilizar a produção. Quanto a dificuldade de manejo, isto não procede, pois quando se adora da Manejo Racional/Gentil, podemos ver crias recém nascidas de vacas nelores serem curadas a campo, ao lado da mãe, sem nenhum trauma ou perigo. As vacas gir e seus cruzamentos são animais doceis, dão leite sem bezerro, e tem bons índices zootécnicos desde que sejam tratadas observando suas particularidades.

3) Os produtos de origem animal orgânicos não se difundem como os vegetais justamente por causa do processamento e se não houver organização do produtor para trabalhar em associações e cooperativas, estes produtos ficaram restritos a uns nichos onde o produtor consegue realizar as três etapas do processo, mas isto esta restrito a muito poucos e não dará conta do mercado. Porem as empresas de extensão investem muito pouco nesta área ultimamente.

4) Os fiscais das certificadoras, quando visitam as propriedades e fazem certas exigências, nos parecem que eles são de marte e não conhecem nem um pouco a realidade da produção brasileira. A legislação do MAPA ficou muito restritiva nos tirando vantagens competitivas (como o a proibição do uso da ureia na alimentação animal) e foi baseada em experiencias internacionais que não servem pra  a nossa realidade
Qual a sua dúvida hoje?