Operando com os índices do descarte

Fatores como a taxa de descarte, idade da vaca, motivo do descarte e o preço de venda precisam ser monitorados todo o tempo para considerar objetivamente cada descarte e a conformação da curva de descarte do rebanho. Considerando o volume do capital que o produtor investe na atividade leiteira, é muito importante que a administração possa avaliar e manejar a taxa de descarte e o custo de reposição do rebanho.

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Fatores como a taxa de descarte, idade da vaca, motivo do descarte e o preço de venda precisam ser monitorados todo o tempo para considerar objetivamente cada descarte e a conformação da curva de descarte do rebanho. Considerando o volume do capital que o produtor investe na atividade leiteira, é muito importante que a administração possa avaliar e manejar a taxa de descarte e o custo de reposição do rebanho.

A Taxa de Descarte do Rebanho é obtida com a soma do número de casos de descarte no rebanho ao longo do ano, dividido pela média do total de vacas do plantel no mesmo período. Uma vez que a taxa de descarte esteja estabelecida, o processo se inicia com a comparação individual do desempenho de cada vaca e as características deste banco de dados. As vacas com defeitos físicos evidentes que, certamente, irão piorar com o avanço do tempo devem ser identificadas e marcadas rapidamente. Defeitos tais como, neoplasia ocular, lesões crônicas nos membros ou nos cascos, etc. devem ser avaliados quanto à possibilidade de recuperação.

Grupos de animais para descarte, mas sem defeitos aparentes, podem ser trabalhados para a obtenção de um melhor valor no momento do descarte. Por exemplo, vacas que serão descartadas devido a problemas reprodutivos, mas que estão magras, podem ser alimentadas com uma dieta de baixo custo, visando à obtenção de um preço mais alto na venda.

Outro ponto que deve ser monitorado é o fato de um descarte precoce limitar a lucratividade, já que afeta a recuperação das despesas com o investimento feito no animal. Além disso, considere o valor de mercado das novilhas de reposição e o fato de um rebanho com muitas novilhas vivenciar uma redução do nível de produção. E ainda lembre-se que, na maioria das vezes, a vaca leiteira começa a dar retorno positivo para a fazenda, apenas no meio da segunda lactação. Por outro lado, um descarte tardio também irá limitar a lucratividade, pois impede uma receita que poderia ser obtida com um animal em uma fase produtiva com tendência de crescimento e com uma genética mais moderna.

A taxa de descarte quando bem coletada, oferece ao produtor e ao técnico uma boa referência de onde estão os principais problemas do rebanho: período da lactação, época do ano, idade do animal, raça e instalação (nos casos de rebanhos que utilizam diferentes raças e mais de um tipo de instalação). Bem como, auxilia a mensurar o impacto das diferentes doenças no plantel. Para que este índice se traduza em maiores informações, deve-se detalhar a coleta de dados. Observe na Tabela 1 um exemplo de como os dados podem ser divididos para ampliar a informação obtida com a taxa de descarte.

É importante enfatizar que rebanhos que procuram combater as altas taxas de descarte com foco na sanidade dos animais e na execução de um descarte consciente conseguem, em médio prazo, uma significativa redução das taxas de descarte, e conseqüentemente, incrementam o crescimento do rebanho, ou quando não têm a intenção de crescer, aumentam a venda de novilhas.

A taxa de descarte é um índice que tem muitas faces para ser explorado e deveria ser mais trabalhado no dia-a-dia da atividade leiteira. Considerando a simplicidade da coleta das informações relativas ao descarte e significativo benefício obtido com a interpretação dos dados, produtores e técnicos poderiam ser beneficiados com discussões mais freqüentes sobre a evolução da taxa de descarte no rebanho.

Tabela 1. Razões para o descarte de vacas leiteiras nas diferentes lactações.

Figura 1

Fonte:

Engelken, T. J. Culling options for cows/calf operations In: The North American Veterinary Conference - Large Animal, 2006, Orlando. Proceedings. Orlando: {s.n.}, 2006.

Cattell, M. Culling: waste not, want not. Dairy Herd Manangement. Dezembro, 2003.
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Material escrito por:

Renata de Oliveira Souza Dias

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Luiz F. A. Marques
LUIZ F. A. MARQUES

VITÓRIA - ESPÍRITO SANTO - PESQUISA/ENSINO

EM 18/04/2007

A taxa de descarte, agora compreendida como índice zootécnico, fica muito mais fácil de ser visualizada e diminuída e então o produtor teria que se preocupar com a reposição voluntária, tipo baixa produção.

Assim, quando a maior parte das vacas estiver naturalmente sendo substituída por novilhas de melhor potencial produtivo, o sistema estará dentro de um esquema de melhoramento genético, o qual tem como requisitos aspectos de nutrição e sanidade bem resolvidos. O tema é instigante e deve retornar mais vezes à discutidos, para melhorar a sua compreensão.
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