O que você sabe sobre a Tinea bovina?

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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No último artigo desta secção foi publicado uma pequena revisão sobre a Papilomatose bovina, todavia muitas pessoas confundem esta doença com a Dermatofitose, mais conhecida como Tinea.

A Dermatofitose é a principal infecção causada por fungos em bovinos. Os principais agentes envolvidos são Trichophyton verrucosum, T. mentagrophytes e Microsporum canis (esses dois últimos em menor escala).

Com a intensificação dos sistemas de produção, os rebanhos aumentaram de tamanho e um número maior de animais foi concentrado em áreas menores, ocasionando uma maior possibilidade da disseminação de doenças tais como a Tinea. Esta micose é considerada uma doença de rebanho.

A doença ataca principalmente bezerros abaixo de um ano de vida, estabulados em grupo. Animais imunodeprimidos, animais debilitados e magros podem também atuar como focos da infecção. Não há diferenciação da prevalência entre as raças e nem entre os sexos. Além disso, a dermatofitose é uma zoonose, podendo contaminar as pessoas que têm maior contato com os animais acometidos.

Instalações úmidas e escuras constituem um ambiente favorável para o crescimento do fungo. Por isso, os animais confinados têm uma maior predisposição a contrair, e disseminar a doença. Os esporos estão presentes não só na lesão, mas também em todo o pêlo do animal, nas ferramentas utilizadas no manejo, paredes da instalação, cercas, ou seja, em todos os lugares!

A principal fonte de contaminação é o animal infectado, mas os insetos (moscas) e a cama dos animais também disseminam a doença. O fato dos animais lamberem a si próprios e lamberem também outros animais, auxilia na disseminação. A doença pode entrar no rebanho através da compra de animais, durante o transporte de animais, em leilões e exposições.

Os esporos do Trichophyton verrucosum permanecem viáveis na pele por até quatro anos. Seu longo período de sobrevivência e as facilidades de contágio favorecem a proliferação da micose.

Geralmente, as lesões possuem uma distribuição irregular, as áreas mais afetadas são ao redor dos olhos, na fronte, orelhas, no pescoço, região lombar e cauda.

Na maioria das vezes, a lesão se caracteriza por áreas ovaladas de alopecia, com presença de crostas, podendo também ser encontradas pápulas, nódulos e úlceras. As lesões variam de 0,5 cm a 10 cm. Após a infecção da pele o fungo penetra nos folículos pilosos formando os esporos. A doença evolui em quatro estágios, sendo eles:
Estágio 01: Período de incubação, ocorre entre os dias 7 e 17 após a infecção. Neste período, há uma rápida multiplicação dos fungos.

Estágio 02: Ocorre entre os dias 14 e 28 após a infecção, nesta fase há uma reação da pele, os pelos sofrem autólise e caem.

Estágio 03: Ocorre entre os dias 28 e 49 após a infecção. Nesta fase ocorre o pico da inflamação, surgem lesões vermelhas e úmidas, e finalmente as crostas. Ocorre ainda a paraqueratose e acantose.

Estágio 04: Ocorre entre os dias 49 e 63 após a infecção. Nesta fase ocorre a regressão do quadro, as crostas caem e surgem os novos pelos.

Muitas vezes, a Tinea apresenta uma recuperação espontânea, mas o processo de cicatrização varia muito, podendo ocorrer em 3 semanas, e em outros casos, levar até 9 meses. Animais que se recuperam da infecção podem ganhar resistência à doença durante o período de um ano ou mais.

As lesões causadas pela Tinea são típicas e facilmente identificadas, mas a confirmação do fator etiológico só é possível através do exame microscópico e da cultura.

O material a ser enviado para análise:

- amostras de pêlos
- escamas da pele

* No caso de cultura, a área lesada deverá ser lavada com água e sabão antes da coleta.

O tratamento consiste na aplicação tópica de pomada à base de Tiabendazole (5 à 10%). Uma alternativa mais prática é aspergir os animais afetados com uma solução de Água Sanitária a 10% (o produto adquirido como Água Sanitária deve ser diluído em água, no intuito de se obter uma concentração de 10%). As lesões devem ser tratadas até a recuperação do quadro.

Para controlar esta micose nos rebanhos afetados, deve-se minimizar a densidade animal por lote, enfatizar a limpeza das instalações, a drenagem dos malhadouros e a sanidade dos animais (procurando dar maior atenção aos animais mais debilitados de cada lote)


Foto: Animais acometidos com a Tinea bovina


Fonte:
Cutsem, J. V. et al., Mycoses in Domestic Animals, Saunders: Janssen Research Foundation, 1991. Cap.3, p.47-54.

Onde saber mais:
< a href=http://persephone.agcom.purdue.edu/AgCom/Pubs/VY/VY-56.html>< http://persephone.agcom.purdue.edu/AgCom/Pubs/VY/VY-56.html
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Material escrito por:

Renata de Oliveira Souza Dias

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Alcio
ALCIO

PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 01/05/2019

No exterior há vacinas, aqui no Brasil existem disponíveis?
João Leonardo Pires Carvalho Faria
JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 15/01/2019

Muitas vezes à campo, se confunde com dermatofilose ou até mesmo a própria papilomatose bovina!
Rudiger Daniel Ollhoff
RUDIGER DANIEL OLLHOFF

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 21/05/2017

Importantíssimo neste artigo que faz falta: a doença é uma zoonose, infecta o homem, e especialmente importante para crianças que não atingiram a puberdade ainda. Nestas crianças poderá haver lesões profundas do couro cabeludo, com cicatrizes onde não mais cresce cabelo. O bovino se que passou pela infecção fica imune pelo resto de sua vida !

Portanto, formas de tratamento que evitam o contato direto com as lesões devem ser preferidas. No exterior, existem vacinas disponíveis para os bovinos.
Natalício Tenorio
NATALÍCIO TENORIO

QUEBRANGULO - ALAGOAS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/02/2016

Muito bom o artigo!!
felcio manoel araujo
FELCIO MANOEL ARAUJO

CARIACICA - ESPÍRITO SANTO - ESTUDANTE

EM 08/04/2015

MInha cara colega edimara sousa pode tentar o tratamento com iodo,voce poderár pegar uma escova e esfregar bem a area afetada e com um algodão embebecido com iodo passe sobre a area afetada .

E assim você terá sucesso.
Arnaldo
ARNALDO

SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/06/2012

Já tentou ivermectina?
edimara souza
EDIMARA SOUZA

UMUARAMA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 19/07/2011

Estou com um caso desse (único e jamais visto). Não existe superlotação ou confinamento. Administrado antibióticos a base de penicilina e de oxitetracilina. Passado spray sobre o corpo.  Nada resolveu. Não regride. Todo o corpo está tomado. O que fazer? Veterinário disse que não tem cura. Só com o tempo. Bezerra fêmea com 08 meses. Problema surgiu por volta dos 03 meses. Alguém pode auxiliar?
Paulo Dutra Vieira Neto
PAULO DUTRA VIEIRA NETO

NITERÓI - RIO DE JANEIRO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 28/02/2002

Muito interessante o artigo. Muitas doenças fúngicas ocorrem e não são diagnosticadas como tal. Com isso tem-se insucesso no tratamento, disseminação da enfermidade no próprio animal e rebanho acarretando sérios prejuízos. Parabéns pelo artigo.
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