A recente publicação pelo National Research Council (NRC) dos requerimentos nutricionais utilizados na formulação de dietas de gado leiteiro também apresenta modificações significativas em relação aos animais em crescimento.
Segundo os autores das novas normas, desde a publicação da última versão do NRC, em 1989, muitos estudos abordaram o crescimento acelerado de novilhas e seu efeito na produção de leite. Também foram publicados resultados de vários experimentos sobre os requerimentos protéicos de novilhas em crescimento. Este interesse renovado no desenvolvimento de novilhas se deve ao alto custo de criação de animais de reposição e do impacto deste período na produção futura do animal. Estes novos conhecimentos foram incorporados às recentes recomendações.
Muito do que foi comentado no artigo publicado na seção de nutrição desta semana também se aplica aos animais jovens. No entanto, algumas alterações são particulares a esta classe animal, e também devem permitir mais precisão no balanceamento das dietas.
A começar pelos bezerros lactentes, os valores de energia líquida para manutenção e ganho atribuídos ao leite e seus derivados tiveram seus valores corrigidos, pois encontravam-se subestimados na edição anterior. Ainda nesta fase inicial de crescimento, as novas normas foram detalhadas permitindo a formulação de dietas de bezerros em dietas exclusivamente sólidas a partir de pesos abaixo de 100 kg (desmama precoce). Anteriormente as tabelas só apresentavam estes requerimentos a partir dos 100 kg de peso vivo.
Com relação às novilhas em crescimento, uma mudança radical foi a adoção das mesmas equações de cálculo utilizadas pelo NRC de 1996 para gado de corte. Esta versão das recomendações para gado de corte é mais atualizada e precisa. Ela baseia o cálculo dos requerimentos no peso vivo na idade adulta, nos pesos objetivados para as diferentes fases de crescimento (idade para cobertura; primeiro parto; segundo parto), e nos dias para se atingir os pesos objetivos. Este método de cálculo considera ainda que a composição do ganho em termos de energia e proteína, para pesos atuais semelhantes, mas pesos adultos distintos é diferente. Em outras palavras, estas equações admitem que dependendo, da fase de desenvolvimento em relação ao peso adulto, o animal acumula mais proteína (fase inicial de crescimento) ou gordura (fase final de crescimento) e portanto, as exigências destes nutrientes são distintas mesmo que a taxa de ganho seja idêntica.
Isto pode ser melhor entendido pela observação da tabela 1, que compara os requerimentos de energia e proteína líquidas de vacas Holandesas típicas ou de grande porte com vacas Jersey de pequeno porte, de acordo com o modelo.
Tabela 1: Requerimentos de novilhas com peso adulto de 400, 650 e 800 kg

Na tabela podemos observar o seguinte:
1. Num mesmo estágio de desenvolvimento, animais com maior peso vivo adulto estão num estágio de maturidade mais precoce que seus correspondentes de menor peso adulto (destacado em amarelo).
2. Quanto maior a porcentagem do peso adulto maior a energia necessária para o ganho (destaque em verde) e menor a proteína necessária para o ganho (destaque em azul).
3. A eficiência de uso da proteína metabolizável diminui conforme a porcentagem do peso adulto aumenta (destaque em vermelho).
A tabela 2 exemplifica a influência da taxa de ganho nos requerimentos de novilhas num mesmo estágio de desenvolvimento para raças de diferentes pesos adultos.
Tabela 2: Efeito do peso vivo e da taxa de ganho no ganho diário

Pode-se observar o seguinte:
1. Quando o teor de energia e proteína no ganho de uma Holandesa típica, uma Holandesa de grande porte, e uma Jersey são iguais, a novilha com maior peso adulto irá pesar mais que os animais menores (destaque em amarelo).
2. Num determinado peso, conforme a taxa de ganho aumenta, as exigências de energia e proteína líquidas aumentam (destaque em verde).
3. Numa taxa constante de ganho, a quantidade de energia líquida necessária aumenta e a de proteína líquida diminui por unidade de ganho conforme o animal amadurece (destaque em vermelho).
4. A proteína metabolizável é usada menos eficientemente para o crescimento na forma de peso vivo conforme a proporção do peso adulto aumenta (destaque em azul).
O modelo traz ainda outras inovações interessantes, como a possibilidade de ajuste dos requerimentos em função do plano nutricional anterior (função da condição corporal); dos efeitos do stress térmico por frio ou calor (funções das temperaturas prévia e atual; existência de barro; sinais físicos de calor em excesso; espessura do pelo). Isto tudo deve contribuir para maior precisão nas formulações.
Comentário do autor: a expectativa é que esta nova forma de cálculo permita a obtenção de animais melhor desenvolvidos, no sentido de entrarem em produção mais precocemente, sem que isto comprometa sua produção futura. Infelizmente, na maioria dos casos, estamos ainda distantes desta realidade. Precisamos corrigir falhas mais básicas como a própria disponibilidade de alimento de qualidade e em quantidade durante todo o ano para estas categorias animais. De qualquer maneira a ferramenta está à disposição para trabalho.
fonte: National Research Council. Nutrient Requirements of Dairy Cattle, Seventh Revised Edition, 2001.