O futuro da assistência técnica (parte 1)

Com o processo de intensificação dos sistemas de produção leiteira houve uma clara modernização de vários segmentos da atividade, tais como, as instalações, o manejo, maquinário, a dieta, etc. Mas, quais foram as modernizações da assistência técnica? Evidentemente foram os técnicos que orientaram e direcionaram estas transformações do sistema de produção, entretanto, como está o processo de modernização da própria estrutura da assistência técnica?

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Com o processo de intensificação dos sistemas de produção leiteira houve uma clara modernização de vários segmentos da atividade, tais como, as instalações, o manejo, maquinário, a dieta, etc. Mas, quais foram as modernizações da assistência técnica? Evidentemente foram os técnicos que orientaram e direcionaram estas transformações do sistema de produção, entretanto, como está o processo de modernização da própria estrutura da assistência técnica?

Este assunto é de extrema importância e creio que a estruturação da assistência técnica é um tópico que merece ser discutido. Este tema foi abordado no Congresso Mundial de Buiatria, no ano passado, em Nice na França, e o presente artigo trás considerações publicadas neste evento.

Inicialmente, a assistência técnica veterinária realizada à campo era responsável pela identificação dos animais doentes, diagnóstico da enfermidade e tratamento. Mais tarde, a obstetrícia, a reprodução, a cirurgia e outras atividades da clínica foram também adicionadas. Nos últimos anos, a maior demanda da assistência técnica veterinária realizada à campo é a orientação das atividades de manejo e o direcionamento do negócio (planos, metas, implementações, resultados, análise dos resultados).

Mas, esta modificação que ocorreu ao longo dos anos exige um treinamento e um conhecimento adicional, que muitas vezes não é oferecido na faculdade e o técnico precisa se adaptar, improvisar e criar soluções. Por isso, muitas vezes os caminhos não são os mais tradicionais ou os mais curtos.

Este cenário não é brasileiro, isto ocorre em grande parte do mundo, e no evento de Buiatria foi abordado como começar a encontrar as soluções para este grande número novos atributos que estão sendo exigidos da assistência técnica. O primeiro passo seria realizar a chamada "SWOT" análise, que significa determinar os pontos fortes, pontos fracos, as oportunidades e as ameaças, que possibilitarão que cada técnico tenha consciência de seu potencial e de suas deficiências.

Os autores destacam que, como veterinários, eles acreditam que faltam disciplinas nos cursos de formação para que os veterinários possam oferecer o suporte que as fazendas precisam. Tais como: noções de engenharia, gerenciamento de empresas, gerenciamento de fazendas, princípios de marketing, princípios de administração e negociação, habilidades de comunicação, noções da área financeira, epidemiologia quantitativa, saúde do rebanho e gerenciamento da produção.

Pode parecer que a profissão veterinária precisará mudar drasticamente, mas na realidade, isso irá adequar o profissional às necessidades vigentes e garantir a competitividade do profissional no mercado. Já que, como o veterinário muitas vezes não pode suprir as necessidades da industria leiteira, é contratado um profissional de outra área.

Tabela 1. Resultados da análise "SWOT" de veterinários que trabalham com bovinos na Europa realizadas em diferentes estudos e workshops.

Figura 1

As questões apresentadas na tabela acima são muito variadas, porém podem ser classificadas em grupos:

  • Atitude e comunicação

  • Marketing e administração de empresa

  • Conhecimentos da área veterinária e zootécnica


  • Muitas vezes, o veterinário que trabalha com bovinos parece oferecer ao seu cliente somente os serviços técnicos. Mas a assistência técnica é muito mais do que isso, em um primeiro momento, é difícil compreender que, por exemplo, quando um produtor procura a assistência devido a um problema de mastite do rebanho, e o veterinário lhe propõe um programa de controle da saúde do úbere, o produtor parece relutante em aceitar e adotar o esquema de controle. Este fenômeno faz parte de um comportamento financeiro.

    O comportamento de escolha das pessoas é influenciado por 6 fatores, sendo eles: percepção, impressão, emoção, atitudes, motivos e preferências. Quando um veterinário deseja convencer sobre a utilização de um determinado produto (no caso, programa de controle da saúde do úbere), ele precisa levar em consideração os 6 fatores que influenciarão a decisão do produtor. Esta forma de analisar as atitudes e comunicação de uma assistência técnica torna a abordagem e a argumentação mais profissional e mais inserida em um planejamento de cada propriedade leiteira.

    Resumindo, a assistência técnica veterinária para bovinos na Europa mudou muito nas últimas décadas e irá mudar ainda mais em um futuro próximo. Os consumidores estão, cada dia mais, preocupados com o bem estar e a sanidade dos animais produtores de leite. O grande desafio dos veterinários de rebanhos leiteiros é o de se adaptar às exigências do mercado e evitar a perda do campo de atuação. Baseados nos resultados de estudos e workshops com veterinários de bovinos de diferentes regiões da Europa os autores relacionaram uma série de prioridades que visam adaptar a assistência técnica à atual necessidade das fazendas produtoras de leite. O próximo artigo irá detalhar estas prioridades.

    Fonte:

    Cannas, J.S.; Noordhuizen, J.P.T.M.; Vagneur, M.; Bexiga, R.; Gelfert, C.C.; Baumgartner, W. The future of veterinarians in bovine herd health management the bovine practitiones in Europe: perspectives and constraints. In: World Buiatrics Congress, 14., 2006, Nice. Proceedings. Nice: {s.n.}, 2006.
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    Renata de Oliveira Souza Dias

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    waldeir
    WALDEIR

    MONTE SANTO - BAHIA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

    EM 12/06/2011

    Com certeza !!! meus parabéns pelo artigo Renata .Precisa se muito da AT aos produtores da base para cima. e valorizaçao também do nosso trabalho!!!!!
    Alan Issa Rahman
    ALAN ISSA RAHMAN

    CARAZINHO - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

    EM 21/06/2007

    Parabenizo a colega pelo excelente artigo e acho que as coisas estão realmente indo por este lado. Como profissionais temos que procurar fazer da propriedade um negócio rentável, pois assim estaremos garantindo nosso emprego.

    Veterinários para fazer clínica e cirúrgia tem em todos os lugares, mas alguém que trace planos e metas, crie planilhas de custo de produção, insira manejo, calcule dietas balanceadas, estes não são muitos, e os que tem estão empregados. Agradeço pelo espaço e novamente parabenizo a colega!!
    Luiz Fernando Bonin Freitas
    LUIZ FERNANDO BONIN FREITAS

    NOVA FRIBURGO - RIO DE JANEIRO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

    EM 20/03/2007

    Parabéns pelo artigo. Gostaria de dizer que além de não possuirmos uma política de respeito para com o produtor de leite, grande parte das escolas de veterinária, e como tem "escola", joga na rua vários profissionais sem as mínimas condições de trabalhar, devido ao desconhecimento profissional e da atividade em questão.

    Em minha região observo um quadro de extremo desânimo, tanto do produtor quanto do extensionista, devido ao desestimulo gerado pelo desinteresse governamental em oferecer ao produtor uma política de respeito à atividade exercida, pois agropecuária é sinônimo de segurança nacional. Observo também o despreparo dos profissionais que desconhecem gerenciamento, marketing, são curativos e deveriam observar mais a prevenção e o aspecto produtividade.

    Aliado a esse desânimo, os quadros deste serviço estão fora do prazo de validade, com salários defasados, e o governo teima em não oferecer vagas aos profissionais competentes, atuantes e que estão sempre buscando se atualizar para oferecer melhores tecnologias ao produtor de leite.
    Fernando Antonio de Azevedo Reis
    FERNANDO ANTONIO DE AZEVEDO REIS

    ITAJUBÁ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

    EM 17/03/2007

    Muito bom o artigo.

    Ocorre o mesmo aqui em nossa região, a falta de visão gerencial e o desconhecimento em nutrição fica evidente.

    Sempre imagino, como deve ser difícil quando alguém quer iniciar investimento na pecuária de leite e não sabe com quem orientar-se. Também imagino se estamos corretos de exigir de um médico veterinário todo este conhecimento, o correto não seria as especializações?

    Qual será o porcentual de produtores que aceitam interferência na administração da fazenda, principalmente na área financeira, quantos elaboram planilha de custo? Temos alguma pesquisa a respeito?
    A realidade dos produtores seriam um espelho dos técnicos e vice-versa?
    Carlos José Rodrigues Barroso
    CARLOS JOSÉ RODRIGUES BARROSO

    MARABÁ - PARÁ - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

    EM 15/03/2007

    Muito bem, nós, médicos veterinários, não podemos nos apegar mas somente em clínica e cirurgia dos animais. Temos que nos atentar para a parte da consultoria, elaborar programas rentáveis para os pecuaristas, fazer uma assistênticia técnica dirigida a sanidade, custo-beneficio. Ganhar dinheiro e fazer os pecuaristas ganharem.

    O artigo em discussão é muito valioso, hoje a presença do médico veterinário está em todos segmentos da sociedade.
    Maria Selma P. de Andrade Hage
    MARIA SELMA P. DE ANDRADE HAGE

    NOVO REPARTIMENTO - PARÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE CORTE

    EM 12/03/2007

    Sou de pleno favor de uma disciplina introdutória curricular. Faz-se necessário mudanças de acordo com as necessidades de mercado. Parabéns pela matéria, o médico veterinário é muito mais do que usar um estestocópio, há uma gama de atuações. Um grande abraço!

    Maria Selma Hage.
    José Claudio Campos Carvalho
    JOSÉ CLAUDIO CAMPOS CARVALHO

    CAÇAPAVA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

    EM 08/03/2007

    Gostaria de parabenizar minha colega e amiga Renata pelo brilhante artigo. No Brasil nossos problemas com assistencia técnica são parecidos.

    Gostaria de enfatizar a importância de nós, técnicos, estarmos mais preparados no quesito gerenciamento de fazendas leiteiras, pois atualmente é um ponto que considero muito falho nas fazendas brasileiras, dificultando muito nosso trabalho de assistencia técnica.

    José Claudio
    Antônio Carlos de Souza Lima Jr.
    ANTÔNIO CARLOS DE SOUZA LIMA JR.

    GOIÂNIA - GOIÁS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

    EM 07/03/2007

    Renata,

    Achei muito interessante e atual o artigo. Temos grandes dificuldades de conciliar no perfil do técnico da AT, em geral, visão da tecnologia de produção com a tecnologia de gestão.

    A intervenção técnica na propriedade não pode ser pontual. Não é suficiente introduzir a IA e não manejar bem os bezerros ou implantar um sistema intensivo de pastejo rotacionado e não ter vacas com produção compatíveis com o mesmo.

    Realmente a Universidade tem que rever suas grades curriculares. O mercado necessita de técnicos com visão sistêmica do processo produtivo e com visão de negócios. Enfim, quando um empresário rural contrata um serviço técnico ele espera do mesmo resultados.

    Antônio Carlos de Souza Lima Júnior

    Gerente de Qualidade da Leitbom, coordenador da especialização em Bovinocultura da UEG e membro do Comitê Assessor Externo da Embrapa Gado de Leite
    João Francisco S. Vaz
    JOÃO FRANCISCO S. VAZ

    PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

    EM 05/03/2007

    Cumprimentos à Colega Renata Dias. Trata-se de um tema importantíssimo para o futuro da profissão e dos profissionais em Veterinária. Realmente temos a tendência de considerar os fatores externos como os maiores responsáveis pelas dificuldades de mercado que os profissionais em Assistência Técnica enfrentam. E isto, na verdade, ocorre sim.

    Particularmente no Rio Grande do Sul, prestam assistência técnica gratuita ou subsidiada em produção de leite a: Emater, as Cooperativas e algumas Prefeituras. As indústrias e grandes laticínios, atualmente mantêm um grupo minguado de profissionais que, devido à grande área de abrangência e ao grande número de produtores para visitar, ficam impossibilitados de realizar um trabalho de base nestas propriedades, para torná-la altamente produtiva.

    Por outro lado, temos hoje um perfil profissional em descompasso com o cenário de rápidas mudanças que ocorrem tanto na pecuária leiteira, como na pecuária de corte.

    Isto é o ponto em que todos nós interessados devemos discutir e aprimorar daqui para frente, senão corremos o risco de assistir-mos passivamente nosso mercado de trabalho ser ocupado por profissões correlatas, principalmente zootecnistas e agrônomos.
    Preparar-se primeiro. Ser competente no que faz. Eis o primeiro passo!

    Grato,
    João Francisco S. Vaz
    Veterinário- Pelotas RS.
    Guilherme Augusto Vieira
    GUILHERME AUGUSTO VIEIRA

    SALVADOR - BAHIA - PESQUISA/ENSINO

    EM 02/03/2007

    Gostaria também de parabenizar a colega pelo artigo. Como Veterinário e Professor Uiversitário dos Cursos de Agronegócios e Veterinária, observo a carência dos alunos em relação aos temas tratados no artigo. Na minha disciplina - Marketing e Agronegócios - trato dos temas abordados e vejo que os alunos de Veterinária ficam ´atordoados´ com os conceitos e questionando a importância da matéria, pois a maioria vem de uma formação tecnicista e poética em relação à Medicina Veterinária.

    Entretanto, mudar a estrutura curricular é um tanto quanto complexa, mas tenho debatido com outros colegas a necessidade durante o período da graduação da inserção de Cursos de extensão e qualificação nas áreas de marketing, gestão e administração, complementando as disciplinas de Economia e Administração Rural.

    Também defendo uma disciplina introdutória logo no primeiro semestre de Introdução aos Estudos de Veterinária (como é feito na engenharia e direito) no qual ofereceria um conteúdo voltado para o grande universo da veterinária. Enquanto isso, o mercado não espera, e os alunos que percebem estes aspectos saem na frente.

    Guilherme Vieira
    Luciano Calomeno Machado da Rosa
    LUCIANO CALOMENO MACHADO DA ROSA

    PONTE ALTA DO NORTE - SANTA CATARINA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

    EM 02/03/2007

    Antes de tudo, gostaria de parabenizar a colega pelo artigo. Na minha visão, as escolas de medicina veterinária devem passar por reformulação de sua grade de disciplinas, para poder preparar profissonais mais preparados para mercado atual. Para não ocorrer perda de campo de trabalho para outras formações.

    Luciano Calomeno Machado da Rosa
    Qual a sua dúvida hoje?