O desafio da sobrevivência

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Não é novidade que os bezerros ficam doentes. Na realidade a verdadeira surpresa é que muitos sobrevivem a elas.

Os bezerros nascem com o sistema imune afuncional. Bezerros leiteiros, em especial, sofrem grande número de ataques, no minuto que caem no chão. Como exemplo, os bezerros leiteiros são desafiados porque os nascimentos em fazendas leiteiras, na maioria das vezes ocorrem distribuídos ao longo do ano. Situação diferente do gado de corte, que normalmente tem uma estação de monta e, consequentemente, de nascimentos. Nas fazendas leiteiras há constante renovação dos possíveis hospedeiros aos diferentes patógenos. Não há um período de descanso, que contribuiria para desinfecção do ambiente. Para complicar ainda mais, os novos bezerros nascem nas mesmas instalações e iniciam sua vida (em confinamento) em grande proximidade das potenciais fontes de contaminação (animais mais velhos). Nesta situação, os organismos infecciosos podem se multiplicar grandemente ao longo do tempo, já que são passados de bezerro a bezerro. É como se os bezerros se tornassem "fábricas" de doenças.

Diarréias e pneumonia são, sem sombra de dúvida, as duas doenças mais prováveis de serem geradas nestas "fábricas". Nos Estados Unidos, por exemplo, o sistema nacional de monitoramento da saúde animal relata que em bezerras em aleitamento, a diarréia é a primeira causa de morte, responsável por 52,5% da mortalidade. A pneumonia é a segunda, respondendo por outros 21,3%. A maior ocorrência destas doenças é nas primeiras três semanas de vida.

Portanto, se você deseja diminuir a taxa de mortalidade de suas bezerras, é preciso concentrar nestes dois pontos.

As duas doenças podem andar lado-a-lado. O primeiro órgão a responder ao estresse em bovinos é o pulmão. Se o animal está estressado por diarréia e desidratação, os pulmões podem ser afetados também. Esta é a razão que freqüentemente se observa diarréia e pneumonia ao mesmo tempo.

As vacas leiteiras não são as mães mais perfeitas da natureza. Devido à seleção genética, as vacas leiteiras têm úberes relativamente baixos e pendulosos, que devem ser alcançados por bezerros altos. Além disso, elas produzem grandes volumes de leite, o que resulta na diluição do colostro. A única maneira dos bezerros consumirem quantidade suficiente de anticorpos é pela ingestão de grande quantidade de colostro (pelo menos 4 litros), o que não é muito natural. Portanto, as vacas leiteiras modernas não fazem um bom trabalho na criação de seus bezerros sem auxílio humano.

A fisiologia também influi. A estrutura diferenciada da placenta dos bovinos não permite qualquer transmissão de anticorpos (proteção) enquanto o animal ainda está no útero. Cada gota de imunidade que o bezerro adquire vem da proteção passiva do colostro. Mesmo vacas sadias, vacinadas contra as mais variadas doenças são de pouca valia para suas crias a menos que seu colostro seja rapidamente ingerido.

Leva aproximadamente 3 semanas para que o sistema imunológico dos bezerros desenvolva a habilidade de combater doenças por si só. Até esta fase, eles precisam da imunidade fornecida pelo colostro.

As mortes causadas por diarréias e pneumonia não são as únicas ameaças à produtividade dos bezerros. Os custos de diagnóstico e tratamento para um eventual controle das doenças contribuem com mais prejuízo para o balanço da fazenda. Somado a isto, mesmo animais sobreviventes podem ter seu desempenho permanentemente prejudicado. Por exemplo, problemas respiratórios severos podem levar a danos permanentes ao pulmão, deixando os animais fracos. Se muita energia é dirigida para a sobrevivência, nada sobra para o crescimento.

Onde o criador deve, então, trabalhar para conseguir melhor resultado nestas duas doenças? A resposta não vem pronta numa seringa ou garrafa. As fazendas que têm os bezerros mais saudáveis são minimalistas, elas não gastam muito tempo ou dinheiro procurando por poções mágicas. Ao invés disso, concentram-se em fazer o básico, e fazem as mesmas coisas da forma correta, um dia após o outro.

Comentário do autor: a criação de bezerros requer atenção aos detalhes. Iniciá-los bem com quantidade adequada de colostro no momento correto é só o primeiro passo. Com uma infinidade de microorganismos esperando por uma oportunidade para atacar, é essencial que se tenha um bom planejamento para ajudar seus bezerros a sobreviver.

Fonte: Hanson, M., 2002. The survival challenge. Dairy Herd Management, September.
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Material escrito por:

José Roberto Peres

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paulo roberto heine
PAULO ROBERTO HEINE

CHAPECÓ - SANTA CATARINA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 28/02/2003

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