No ultimo artigo, foi abordado o tema referente aos critérios na apuração das medidas de controle estratégico do carrapato na região sul do Brasil. Neste artigo, serão discutidos aspectos para o controle estratégico nas regiões sudeste, centro-oeste e na região dos cerrados.
Como já foi comentado anteriormente, a duração dos ciclos e as características climáticas determinam a ocorrência de duas ou três gerações anuais do Boophilus microplus nas regiões de clima sub-tropicais (como a região sul do País), quatro gerações nas regiões sudeste e centro-oeste, e, possivelmente, até cinco gerações na região equatorial Amazônica.
Entretanto, mesmo nas regiões sudeste e centro-oeste do Brasil, identificam-se duas situações macroclimáticas distintas:
- Altitudes superiores a 400 metros (temperaturas de primavera, verão e outono são amenas e as de inverno um pouco mais frias)
- Altitudes inferiores a 400 metros (temperaturas de meados da primavera até meados do outono são elevadas e as de inverno são amenas)
Nas altitudes superiores a 400 metros, o controle estratégico objetiva permitir à ocorrência da primeira geração (setembro, outubro) no intuito de garantir o estado de premunição dos animais; atacar a segunda e terceira geração, e conviver com a quarta geração que ocorre no inverno (junho, julho, agosto) e que é limitada pelo frio e pelos tratamentos estratégicos anteriores.
Em altitudes inferiores a 400 metros as quatro gerações parasitárias apresentam tendências crescentes. Durante o outono e o inverno as cargas parasitárias são elevadas e há necessidade de iniciar os tratamentos estratégicos no final do verão (março/abril).
Em ambos os casos o parâmetro para a realização dos tratamentos, à partir do tratamento 1, será a presença da paternógena.
Neste momento, vale a pena relembrar rapidamente o ciclo do Boophilus microplus:


Fonte: Cepa CAMCORD. Boophilus microplus, Cuba, 1989.
É importante destacar que o programa de controle do Boophilus microplus deve ser composto de dois tipos de tratamento: o tratamento estratégico conforme esquema proposto acima e, posteriormente, o tratamento tático, que visa manter o controle da população de parasitos. Nos tratamentos táticos, apenas os animais que apresentam paternógena são banhados, e, desta forma, faz-se um controle dos parasitos remanescentes. No caso dos tratamentos táticos vale a pena relembrar o conceito de que:
1 - 100% dos animais terão 5% dos parasitos em vida parasitária, e 95% estarão na fase de vida livre (teleógena, ovos, larvas)
2 - 10% dos animais albergarão 50% dos parasitos em vida parasitária
3 - 20% dos animais albergarão 80% dos parasitos em vida parasitária
No caso dos Cerrados, deve-se considerar ainda um "manejo integrado de ectoparasitas" atuando juntamente com o controle da Mosca dos Chifres, Bernes e Helmintos. Além das medidas estratégicas citadas acima, pode-se implementar algumas das opções sugeridas abaixo:
-Rotação de pastagens com um descanso de pelo menos três meses
-Manutenção ou aumento da participação do sangue zebu no rebanho (seleção genética de animais resistentes)
-Vacina contra o carrapato
-Manejo de esterqueiras, limpeza de pastagens e remoção de carcaças
-Controle biológico
Independente da região do País e do tipo de exploração realizado, algumas premissas básicas devem ser respeitadas para o efetivo controle do carrapato: escolha do produto para a realização dos tratamentos por teste carrapaticida; conscientização do produtor, gerente e do funcionário (responsável pelo controle carrapaticida) de todo o programa estratégico, e a criação das condições necessárias nas propriedades para a execução do programa.
Fonte:
Romário Cerqueira Leite (Professor do Dep. Preventiva Veterinária - Escola de Veterinária da UFMG), comunicação pessoal, fevereiro/2002.
Cordoves, C. O. Carrapato - controle e erradicação, Guaíba: Agropecuária, 1997, 176p.
Onde saber mais:
A Resistência Genética dos Bovinos e o Controle do Carrapato. N.6, EMBRAPA (Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Leite).