O controle estratégico do Boophilus microplus nas diferentes regiões do Brasil

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O controle de carrapatos é um antigo problema das fazendas produtoras de leite, e, ano após ano, tem sido causador de inúmeras reclamações dos produtores e dos técnicos. De maneira geral, o controle do Boophilus microplus, no Brasil, ainda baseia-se em banhos carrapaticidas após a visualização de carrapatos adultos, o que eleva o número de banhos anuais, causa o desenvolvimento de cepas de carrapatos resistentes, predispõe aos riscos de contaminação ambiental e causa aumento significativo dos custos de produção.

O Boophilus microplus é um dos principais ectoparasitas dos bovinos nos países tropicais e subtropicais. Além das características climáticas, as forrageiras comumente encontradas nos trópicos, possuem grande produtividade por hectare, folhas largas e uma rápida propagação, estabelecendo assim, um microhabitat favorável para o desenvolvimento da fase de vida livre deste carrapato. A importância econômica deste parasita é tão grande que chega à comprometer o desenvolvimento da pecuária nestas regiões.

O Brasil é um país com características climáticas que favorecem a sobrevivência e o desenvolvimento do Boophilus microplus na maioria dos meses do ano. Além disso, este carrapato está presente em todos os estados. Deve-se destacar que no Brasil, encontramos uma grande variação climática, por exemplo, no Sudeste e Centro-Oeste desenvolvem-se quatro gerações anuais do parasito, e na região Sul ocorrem de duas a três gerações. Além disso, os diferentes métodos de criação encontrados pelo Brasil afora e as diferentes raças, contribuem para impedir a utilização de um método de controle padrão. A questão da raça é importante, pois já está definido que a resistência ao parasito aumenta com o maior grau de sangue Bos indicus no rebanho. Vários pesquisadores do assunto já chegaram a conclusão que a implementação de um mecanismo de controle estratégico para o combate ao carrapato que apresente facilidade de planejamento anual e efetiva redução de custos, deve levar em consideração as condições climáticas, grau de sangue e tipo de manejo de cada localidade.

Os conhecimentos a respeito das ectoparasitoses de bovinos encontram-se nas Universidades e Institutos de pesquisas e são publicados em revistas técnicas e anais de congressos, aos quais a maioria dos Veterinários, já fora das Universidades, não tem acesso. Por isso, infelizmente, existe uma distância entre as técnicas recomendadas pelos resultados de pesquisa disponíveis para o controle do Boophilus microplus e o que acontece no campo.

Este artigo visa relatar alguns dos estudos conduzidos nas diferentes regiões do Brasil para o controle estratégico do B. Microplus. Na região de Bagé no Rio Grande do Sul, em pesquisa realizada pela Embrapa, durante três anos, foi identificado a dinâmica estacional do Boophilus microplus.

Foi observado que o início da infestação na região ocorre nos meses de novembro/dezembro com uma elevação discreta, o segundo pico ocorre em fevereiro e a grau máximo de infestação, ocorre em outono, nos meses de abril e maio. Cada um desses picos corresponde a uma geração de carrapato. Com base nestas informações foi possível a formulação de esquemas estratégicos de banhos carrapaticidas para o controle do parasito. Sendo eles:

Tratamento 1:

- Aplicação de quatro banhos acaricidas estratégicos, dois no início da segunda quinzena de novembro (intervalados de 21 dias) primavera/verão e dois banhos a partir da segunda quinzena de fevereiro (verão/outono).

Tratamento 2:

- Aplicação de seis banhos acaricidas estratégicos, três no início da segunda quinzena de novembro (primavera / verão) e três a partir da segunda quinzena de fevereiro (verão/outono).

Tratamento 3:

- Testemunha (sem banho carrapaticida)

No primeiro ano de experimento a redução observada de parasitismo foi de 85,9% nos animais submetidos a quatro banhos estratégicos, e de 99,4% nos que receberam seis banhos, em relação aos grupo de animais testemunhas. No segundo ano experimental, verificou-se uma redução no parasitismo na ordem de 96,3% no grupo de animais submetidos a quatro banhos estratégicos e de 99,5% nos que receberam seis banhos, em relação aos grupo de animais testemunhas.

Os autores concluíram que o esquema de banhos estratégicos apresentou um alto potencial de redução na infestação de carrapato. Além disso, contribuiu para a redução de custos e para a organização do manejo nas fazendas devido à padronização das datas de compra de medicamento e de realização dos banhos. Além do mais, deve-se destacar que a redução do número de banhos por animal por ano poderá retardar o surgimento de estirpes resistentes.

Já em outra pesquisa, também conduzida no estado do RS, após 5 anos de observação e realização do controle estratégico, foram prescritas algumas recomendações para a obtenção de melhores resultados no controle, dentre elas:

- Utilize carrapaticidas de comprovada eficácia (faça o teste de resistência em caso de dúvida)

- Não misture carrapaticidas de diferentes nomes comerciais

- Use sempre a dosagem recomendada pelo fabricante (nunca utilize subdoses)

- Faça uma limpeza no brete e escorredouro antes do início dos banhos

- Nos casos de banheiros: agitar intensamente antes do início do banho

- Não banhar o gado em dias de chuva

- Conheça o ciclo do carrapato na sua região e tenha sempre uma estratégia para o seu controle.

- Além das medidas estratégicas é imprescindível que paralelamente sejam realizadas medidas para o controle biológico, existem predadores e plantas repelentes que atuam sobre diferentes estados do Boophilus microplus (Tabela 1), sendo que os mais promissores são os fungos.

Tabela 1- Predadores, patógenos e repelentes de Boophilus microplus.


Ainda abordando o tema referente aos critérios na apuração das medidas de controle estratégico do carrapato nas diferentes regiões do Brasil, no próximo artigo, serão discutidas as pesquisas sobre o controle estratégico desenvolvidas nas regiões sudeste, centro-oeste do Brasil e na região dos cerrados.

Fonte:

Cordoves, C. O. Carrapato - controle e erradicação, Guaíba: Agropecuária, 1997, 176p.

Santos Jr., J. C. B. et al. Controle do carrapato Boophilus microplus (Acari: IXODIDAE) em sistemas de produção de leite da microregião fisiográfica Fluminense do Grande Rio - Rio de Janeiro. Ciência Rural, v.30, n.2, p.305-311, 2000.

Onde saber mais:

A Resistência Genética dos Bovinos e o Controle do Carrapato. N.6, EMBRAPA (Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Leite).
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Material escrito por:

Renata de Oliveira Souza Dias

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