Os ionóforos, entre eles a monensina, vêm sendo pesquisados intensamente na nutrição de ruminantes quanto ao seu potencial de melhorar a eficiência alimentar. Quando adicionados à dieta eles restringem o crescimento da população de bactérias gram-positivas no rúmen, o que altera sua fermentação e a proporção de ácidos graxos (favorecendo a produção de ácido propiônico), e disponibiliza mais energia para produção animal.
Um experimento foi realizado na Fac. de Med. Vet. e Zootec. da USP em Pirassununga, para avaliar os efeitos da suplementação de monensina no desempenho de bezerros ruminantes. No início do experimento os 20 bezerros holandeses tinham, em média, 90,8 kg de peso vivo (PV) e 80 dias de vida. O experimento teve duração de 120 dias. Os tratamentos foram 0; 0,4; 0,8 e 1,2 mg de monensina por kg/PV. A dose de monensina foi corrigida semanalmente em função do peso dos animais. A dieta foi composta de feno de coast-cross (30%), farelo de soja (20%), fubá de milho (32%) farelo de trigo (12,5%) suplemento mineral (1,5%) e caulim (4%), na forma de uma ração peletizada.
Foram analisadas a ingestão de alimentos, o ganho de peso, a conversão alimentar, o ganho em altura na cernelha e perímetro torácico (Tabela 1). Após o abate foram avaliadas a composição da carcaça e o orçamento parcial do experimento.

O ganho de peso apresentou regressão quadrática, com o ponto de máxima no nível de 0,8 mg de monensina/kg de PV e ganho de peso de 1,37 kg/dia. Este valor é superior ao tratamento testemunha e concorda com vários outros experimentos com uso de monensina em dietas de animais jovens.
De forma semelhante a ingestão de matéria seca teve comportamento quadrático, com pico de consumo no nível de 0,8 mg de monensina por kg de PV. Vários autores relataram diminuição do consumo de alimentos com o uso da monensina, especialmente em dietas ricas em grãos, como o presente caso (somente 30% de volumoso na dieta). Os autores mencionam que em estudos com duração acima de 112 dias a diminuição da ingestão é de cerca de 5% em relação ao grupo controle. Isto não ocorreu neste experimento. Os autores argumentam que isto talvez tenha sido resultado dos incrementos semanais nos níveis de monensina, de acordo com o peso vivo dos animais, mantendo a dosagem em concordância com as recomendações do fabricante (Elanco), com exceção do nível de 1,2 mg de monensina, que ultrapassou este limite.
As conversões alimentares não tiveram alterações significativas, porém os autores relatam que foram superiores a outros experimentos citados em literatura.
Os ganhos de perímetro torácico apresentaram regressão quadrática também com ponto de máxima no nível de 0,8 mg de monensina. Os dados de altura nas cernelhas não apresentaram homogeneidade das variâncias, sendo analisados em estatística não paramétrica de ordem. A monensina promoveu aumento no ganho em altura na cernelha em relação ao contrôle, o que demonstra maior crescimento ósseo nos animais suplementados com monensina.
Os pesos de carcaça quente, fria, pesos vazios e cortes cárneos comercializáveis apresentaram regressão quadrática (P<0,05), também com ponto de máxima no nível de 0,8 mg de monensina por kg de PV. Isto levou a um aumento nos cortes comercializáveis. O comprimento e rendimento de carcaça aumentaram linearmente (P<0,05) com o aumento do nível de monensina. Não houve diferenças significativas na profundidade de carcaça e área de olho de lombo.
A análise do orçamento parcial do experimento demonstra que os tratamentos com monensina apresentaram maior receita, e consequentemente, maior benefício, da ordem de R$ 6,64; R$8,77 e R$ 1,84, pela adição, respectivamente de 0,4; 0,8; e 1,2 mg de monensina/kg de peso vivo, em relação ao controle. Estes dados viabilizam economicamente a utilização da monensina, nas presentes condições.
Comentário do autor: são muitos os experimentos que demonstram a eficácia dos ionóforos na melhora do ganho de peso ou conversão alimentar de animais em crescimento. Estes dados, embora obtidos com machos, podem ser extrapolados a fêmeas de reposição podendo diminuir seu custo de criação.
fonte: SALLES, M.S.V.* e LUCCI, C.S., 2000. Monensina para Bezerros Ruminantes em Crescimento Acelerado. 1. Desempenho. Rev. Bras. Zootec., 29(2):573-581. * Márcia Saladini Vieira - saladini@usp.br