Muitas vezes as cabras e ovelhas são nutricionalmente consideradas e tratadas como "pequenas vacas", especialmente as de categoria leiteiras. Todavia, apesar de ambas serem ruminantes e, portanto requererem os mesmos princípios nutritivos, as diferenças existentes entre essas espécies são muitas: hábitos alimentares, nível de atividades físicas, exigências nutricionais e de água, capacidade de seleção dos alimentos, aceitação dos alimentos, composição do leite, composição da carcaça, desordens metabólicas e endoparasitoses. Dessa forma, a nutrição de caprinos e ovinos deve ser tratada com especificidade, evitando-se extrapolar indiscriminadamente as experiências obtidas com outros ruminantes.
Nutrir adequadamente um caprino e/ou um ovino significa fornecer-lhe todos os nutrientes necessários, em quantidade e proporção adequadas para atender às suas necessidades, com uma ração sem fatores tóxicos e no menor custo possível. Nesta simples definição, estão envolvidos uma série de conceitos e princípios que devem ser muito bem conhecidos e considerados para se definir o programa nutricional mais adequado à propriedade e ao rebanho em questão, na escolha dos alimentos e na alimentação propriamente dita. Conceituando, a alimentação inclui o processamento dos alimentos, sua mistura e preparação e fornecimento aos animais; a limpeza e o manejo do cocho, e o monitoramento do consumo e do desempenho dos animais também devem ser considerados.
Os alimentos facilmente representam 50% das despesas de uma caprinocultura leiteira, não raramente ultrapassando essa participação, e chegando até a 80% em casos extremos. Por outro lado, sem alimentos de boa qualidade, certamente o desempenho e muitas vezes até mesmo a saúde dos animais serão comprometidas.
Assim, chegamos a um dilema:
a) Que animal alimentar?
b) Que alimentos utilizar na alimentação desses animais?
Ao iniciar uma criação, seja ela caprinocultura ou ovinocultura, o produtor deverá fazer um planejamento de sua propriedade, levando em consideração alguns aspectos. Entre eles, a área disponível para formação de forrageiras, se essa área se adapta ao plantio, se existe água para irrigação, qual a produção por hectare de massa verde dessa forrageira, época de colheita, digestibilidade e nutrientes que compõe a forrageira. E ainda o número de animais que está criando por categoria, descartes e nascimentos do ano.
Em sistemas de produção de pequenos ruminantes, esta pergunta é respondida mais facilmente se os animais forem divididos em categorias de produção, já que os animais dependendo da espécie, idade, sexo e do estádio fisiológico em que se encontram apresentam hábitos alimentares, exigências nutricionais e comportamentos diferentes. Assim, podem ser empregadas as categorias de produção apresentadas na Tabela 1.
Tabela 1 - Sugestão de categorias de produção para o manejo alimentar de caprinos e ovinos.

É sabido que, os custos com concentrado torna-se a fração mais onerosa na produção de um criatório, portanto, é necessário a implantação de capineiras na propriedade para diminuir esses custos. Na alimentação animal é importante que se dê preferência, as variedades de plantas mais adaptáveis à região, desde que sejam bem aceitas pelos animais e tenham bom valor nutritivo. Nas condições do semiárido, geralmente estão disponíveis para alimentação de caprinos e ovinos, a pastagem nativa (caatinga), a cultivada, os volumosos suplementares (palma, feno e silagem), além de alimentos concentrados, geralmente comprados de outras regiões produtoras.
Vale salientar que, animais nutricionalmente mais carentes devem ter acesso à suplementação com feno ou silagem de leguminosas e/ou gramíneas, obtidas do campo de produção de forragem das áreas úmidas da propriedade. Deve ser oferecida uma mistura de sal comum e sal mineralizado, nos cochos, colocados nos apriscos, à vontade.
O efeito do estado nutricional na performance reprodutiva é muito importante. Embora os tipos de fontes nutricionais e os problemas de manejo possam diferir entre regiões, os processos fisiológicos que comandam o desempenho reprodutivo são os mesmos e sob condições nutricionais inadequadas agem negativamente no processo reprodutivo, afetando os índices produtivos do rebanho.
A alimentação é o principal fator do comportamento reprodutivo e de respostas aos tratamentos de sincronização de estros em todas as espécies animais. No semiárido a limitada disponibilidade de alimentos, associada à escassez das chuvas, é determinante no estado nutricional dos rebanhos. Assim, em animais com baixa condição corporal, o atraso e a ausência de cio estão estreitamente relacionados. A taxa de ovulação e a fertilidade são altamente dependentes da alimentação pré-cobertura, enquanto em bom estado nutricional, estes animais apresentam excelente respostas ao tratamento. Fundamentando-se assim, a preocupação e os cuidados que se deve ter com a alimentação animal.
Diante do exposto, é de conhecimento que a alimentação é o fator que mais onera o custo nos sistemas de produção animal. No semiárido, devido à dificuldade de produção de alimentos, esta realidade é ainda mais marcante e implica em cuidados especiais no planejamento alimentar. Muitas tecnologias já foram geradas e muitas ainda estão sendo estudadas e desenvolvidas para o aprimoramento do manejo alimentar de caprinos e ovinos no semiárido.
Referências bibliográficas
ALBUQUERQUE, F. AH. M. A. R; BORGES, I.; NEIVA, J. N. M.; Exigências nutricionais e categoria de produção. In: Do campus para o campo: Tecnologia para produção de ovinos e caprinos. 165-172p. Fortaleza, 2005.288p.
PEREIRA, L.G.R. et al. Manejo nutricional de ovinos e caprinos em regiões semiáridas. In: SEMINÁRIO NORDESTINO DE PECUÁRIA, 11; 2007, Fortaleza. Repensando o agronegócio da pecuária: novos caminhos. Fortaleza: FAEC; CNA; SENAR; SEBRAE-CE, 2007.