Interação entre humanos e bovinos no desenvolvimento das atividades de rotina da fazenda leiteira

Publicado por: MilkPoint

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Marcelo Simão da Rosa1,2 e Mateus J. R. Paranhos da Costa1,3

A facilidade do manejo diário está associada, entre outros fatores, ao tipo de ação entre humanos e animais durante o desenvolvimento das atividades (fornecimento de alimento, ordenha, pesagem, aplicação de medicamento, marcação, descorna e casqueamento). Este tipo de ação, quando positiva, promove uma maior facilidade de manejo, aumentando a eficiência do processo produtivo. Por outro lado, ações aversivas durante o desenvolvimento das atividades de rotina, fazem com que os animais tenham medo dos humanos, resultando numa maior distância de fuga, maiores índices de acidentes e também, numa menor eficiência da atividade. Algumas ações, tanto positivas como aversivas, são bem conhecidas: tapinhas na região da garupa, coçadinhas na cabeça, afagos, timbre de voz suave e assobios são algumas ações consideradas positivas, enquanto que a utilização de ferrão, de eletro-choques e de formigão, tapas com as mãos, pancadas e elevação da voz são exemplos de ações aversivas.

Sabe-se que os bovinos são capazes de discriminar as pessoas que desenvolvem as atividades, memorizando as características individuais que permitem identificar as pessoas (cor da roupa, estatura, face, etc.), utilizando essas informações conforme o contexto. Há diferenças entre categorias animais nessa identificação, por exemplo: as bezerras possuem esta capacidade que se manifesta apenas no local em que ocorreu a interação, enquanto que as vacas são capazes de identificar pessoas, associando a suas ações, independentemente do local em que ocorreu a interação. Daí, é de extrema importância que toda prática aversiva (pesagem, aplicação de medicamentos, marcação, descorna e casqueamento) seja realizada sempre no mesmo local, diferente daquele usado para outras atividades de rotina (fornecimento de alimento e ordenha, por exemplo), evitando assim, a inquietação do animal durante o seu desenvolvimento. Para que os animais reconheçam seus tratadores positivos em relação aos aversivos e neutros (aqueles que desenvolvem a atividade sem haver o contato físico com o animal), às vezes, é necessário que a ação positiva seja óbvia, inclusive na definição de quem a está realizando.

Entre vários resultados observados em relação ao tipo de ação recebida, estão a menor distância de fuga e a facilidade no desenvolvimento das atividades na fase de recria daquelas bezerras que receberam ações positivas desde o nascimento. Um outro exemplo seria a melhor interação social e menor nível de medo de novilhas que foram conduzidas à sala de ordenha antes do parto e que tiveram seus partos acompanhados. Além disso, várias pesquisas têm demonstrado haver uma correlação entre a ação utilizada pelo retireiro e as respostas das vacas na ordenha.

Assim, o conhecimento e a conscientização dos fatores que provocam a inquietação do animal (coice, cabeçada, rabada, tentativa para escapar), desperta a reflexão das nossas ações para sermos cautelosos no seu desenvolvimento, proporcionando maior agilidade no trabalho com o gado bovino e melhor nível do bem-estar dos animais e dos humanos que com eles trabalham.

1 ETCO - Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal

2 Professor da Escola Agrotécnica Federal de Muzambinho/MG - Aluno de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia/Produção Animal/Comportamento e Bem-Estar Animal - FCAV/UNESP-Jaboticabal/SP. E-mail: rosaefreitas@uol.com.br

3 Departamento de Zootecnia - FCAV/UNESP-Jaboticabal/SP.
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