O efeito do aumento da escala de produção sobre os custos da atividade de pecuária leiteira funciona como uma alavanca para a obtenção de maiores lucros por unidade produzida. A diluição dos custos, principalmente os relativos às despesas fixas, ocasionada pelo aumento da produção faz com que o custo operacional para se produzir um litro de leite seja drasticamente reduzido. Esta ferramenta econômica é bastante utilizada por grandes pecuaristas e/ou aqueles que possuem grandes extensões de terra e podem fazer a expansão da atividade, se beneficiando do aumento da escala de produção.
Mas, e os pequenos produtores, possuem outras ferramentas para aumentar o lucro, já que o fator escala não está ao seu alcance? E quando existe limitação física para o empreendimento crescer, como passar a ter lucro e/ou manter a propriedade sem que ela se deprecie ou proporcione prejuízo ao proprietário? Nestas situações, os fatores de maior influência são certamente o aumento da eficiência produtiva e um gerenciamento rígido da atividade (propriedade) como um todo.
Dentro deste contexto, a análise dos resultados de um trabalho de pesquisa efetuado pela EMBRAPA de São Carlos/SP nos mostra uma alternativa para que a obtenção de lucro em pequenas escalas se concretize, melhorando o padrão de vida das pessoas envolvidas na atividade e a qualidade do leite produzido. Este trabalho foi apresentado na última Reunião da Sociedade Brasileira de Zootecnia e é de autoria dos pesquisadores Aírton Manzano, Alfredo Ribeiro de Freitas, Nelson José Novaes, Arthur Chinelato de Camargo, Sérgio Novita Esteves, Oscar Tupy e Rui Machado.
Para a realização do referido trabalho foram selecionados alguns pequenos produtores que tinham até 50 hectares de área útil, viviam da atividade leiteira e estivessem interessados em participar, dentre outras exigências. As principais ações realizadas nestas propriedades se referiam a melhoria da tecnologia de produção empregada e a implementação de técnicas gerenciais que permitissem maior sustentabilidade econômica às propriedades leiteiras. As variáveis analisadas de 1998 a 2001 foram: total de leite vendido; média de produção diária; média de produção por hectare; média do preço recebido; média do custo operacional; média de lucro por hectare; média de lucro por litro de leite produzido; média de produção por vaca por ano e número de vacas no rebanho.
Depois do ajuste nas práticas agrícolas (plantio de cultura para alimentação de inverno, arraçoamento do rebanho, fornecimento de maior conforto aos animais pela introdução de áreas de sombra, etc.), práticas zootécnicas (escrituração e identificação do rebanho, controle da reprodução do plantel, melhoramento genético, controle sanitário, etc.), ambientais e gerenciais (planejamento da alimentação do rebanho para o ano todo, arraçoamento do rebanho por mérito produtivo, elaboração de estratégias de descarte de animais, melhoria na comercialização dos produtos através de associativismo e cooperativismo, realização de análises econômicas periódicas da atividade, etc.), a economicidade da atividade começou a ser alterada e uma lucratividade real foi aferida.
Uma das primeiras modificações positivas da implantação da nova filosofia técnica e gerencial foi o aumento da produção de leite diária das propriedades. Quanto à média do custo operacional, que leva em consideração as despesas relativas ao custeio da produção de leite, excetuando-se a mão-de-obra que é, na maioria dos casos, familiar, verificou-se queda acentuada logo no início dos trabalhos, derivada dos descartes estratégicos de animais e do uso racional dos insumos. O normal, após a introdução destas práticas gerenciais no primeiro ano de implantação dos trabalhos, é o custo operacional ser elevado em razão da intensificação do sistema produtivo. A média do custo operacional nos quatro anos do experimento ficou em R$ 0,34 por litro de leite produzido.
A receita obtida por litro de leite também foi elevada em virtude da melhoria de três fatores: aumento na qualidade do produto comercializado, maior constância do volume fornecido para o laticínio durante o ano e a associação com outros produtores, fazendo com que estes passassem a ter poder de barganha comercial quando discutiam preços em conjunto, com volumes de leite maiores. O número de vacas no rebanho diminuiu no primeiro ano da implantação dos trabalhos, em decorrência da maior pressão de seleção nos descartes realizados, mas aumentou significativamente quando analisado ao final do ano de 2001, superando a quantidade existente em 1998.
O resultado mais interessante, porém, se refere, tanto ao lucro aferido por litro de leite produzido, quanto ao aferido por hectare explorado. Ambos fatores foram incrementados em todos os anos relatados no experimento, ficando, na média em R$ 0,10 e R$ 1.325,00, respectivamente para litros de leite comercializados e hectare explorado.
Assim, o que se conclui é que a adaptação das tecnologias empregadas para produção em pequena escala e a implantação de técnicas de gerenciamento em pecuária de leite, melhoram significativamente a receita, a produção e o lucro da atividade. É evidente que neste exemplo também houve efeito do aumento da escala de produção, porém em menor proporção. Contudo, salienta-se que a viabilização econômica das propriedades se deu, principalmente, em função da implantação das técnicas gerenciais.
Como dito anteriormente, para pequenos proprietários que não têm na pecuária leiteira a sua principal fonte de renda familiar, é possível explorar a atividade, mesmo em pequenas escalas, fazendo com que esta seja economicamente saudável. Se considerarmos que a mão-de-obra não é familiar nestes casos e tem que ser contratada, ainda sim com os valores de lucro aferidos pelo trabalho citado, é factível a permanência na atividade e manutenção da propriedade.
Material escrito por:
Alexandre de Campos Gonçalves
Acessar todos os materiaisPaulo Araripe
Acessar todos os materiaisDeixe sua opinião!

ÉLIO JOÃO ANTUNES
CAMPO MOURÃO - PARANÁ
EM 20/01/2003
Achei interessante o assunto, até porque possuo uma propriedade leiteira nos moldes das que participaram do programa da Embrapa, em Campo Mourão, no Paraná, porém com vacas mestiças. Minha produtividade é baixa, talvez por falta de um melhor gerenciamento da atividade, já que não é a minha principal ocupação. Gostaria de saber se aqui no Estado do Paraná existe algum programa da Embrapa que possa me ajudar a incrementar a atividade, porque que gosto muito da pecuária e pretendo me envolver mais nela.
Grato. Élio.
Grato. Élio.