Determinar o grau de desidratação do animal é muito importante para se definir o esquema para a recuperação dos fluidos corporais. Todavia, deve-se destacar que o ideal é que a fluidoterapia em bovinos seja iniciada antes do aparecimento dos sintomas de desidratação, desta forma, é possível recuperar o animal com maior eficiência, bem como reduzir os custos com o tratamento.
Quando a intenção é determinar o grau de desidratação deve-se voltar a atenção para alguns parâmetros clínicos que auxiliam a estimativa da gravidade do quadro. A endoftalmia, ou retração do globo ocular é um sinal muito fácil de ser avaliado e muito importante. A avaliação da elasticidade da pele é um outro sinal fácil e prático para ser avaliado.
Considera-se como leve a desidratação na qual é observada a diminuição da elasticidade da pele. Pode-se definir como padrão para a desidratação leve quando a prega formada na pele volta ao normal após 5 a 8 segundos. Além disso, há leve endoftalmia e as mucosas estão ainda úmidas. A estimativa da quantidade de fluido necessário para reposição de líquidos em um bovino com estas características é de 5 à 7 % do peso vivo do animal.
Considera-se como grave a desidratação na qual é observada a significativa redução da elasticidade da pele. Pode-se definir como padrão para a desidratação grave quando a prega formada na pele volta ao normal após 10 a 15 segundos. Além disso, há evidente endoftalmia e mucosas secas. A estimativa da quantidade de fluido necessário para reposição de líquidos em um bovino com estas características é de 8 à 10 % do peso vivo do animal.
Considera-se como muito grave a desidratação na qual é observada a perda da elasticidade da pele. Pode-se definir como padrão para a desidratação muito grave quando a prega formada na pele volta ao normal após 20 a 30 segundos. Além disso, há evidente endoftalmia, mucosas muito secas, reflexos diminuídos, extremidades frias e prostação. A estimativa da quantidade de fluido necessário para reposição de líquidos em um bovino com estas características é de 11 à 12 % do peso vivo do animal.
Uma vez determinado o grau de desidratação do animal devem-se iniciar os cálculos para a definição da quantidade de fluido a ser administrada. Com o grau de desidratação é definido o valor necessário para a reposição dos fluidos. Entretanto, devem-se ainda considerar os valores associados com a manutenção da hidratação e o volume associado às perdas contínuas do organismo. Tais fatores irão variar com a faixa etária e o estágio produtivo do animal em questão. Para os bezerros o volume para manutenção varia de 50 a 100 ml de água por Kg de peso corpóreo ao dia. Já as vacas secas requerem cerca de 50 ml de água por Kg de peso corpóreo ao dia (24 horas). As vacas em lactação requerem 80 ml de água por Kg de peso vivo ao dia, ou pode-se também considerar o volume de leite produzido e adicionar 87% deste total.
Para escolher a via de administração deve-se avaliar principalmente o estado clínico do animal e a capacidade dos funcionários locais para a realização do procedimento. A via oral é mais fácil de ser realizada, tem baixo custo, possibilita a administração de grandes volumes e não exige a esterilização dos fluidos constituintes. A via endovenosa é a mais eficiente em casos onde a debilidade do animal já está avançada, são necessários fluidos estéreis e uma pessoa habilitada para a realização e acompanhamento do procedimento.
Os tipos de fluidos podem ser classificados em soluções alcalinas e não alcalinas. Nos casos de diarréia os animais geralmente apresentam acidose e devem receber durante a hidratação soluções alcalinas. Em bovinos adultos os casos de alcalose são mais comuns que os casos de acidose, os casos de alcalose estão associados a erros na utilização da uréia na dieta, deslocamento e torção de abomaso, distúrbios gastrointestinais em geral, mastites e metrites. Casos de acidose metabólica e insuficiência cardíaca congestiva são exemplos de bovinos adultos com acidose e devem receber soluções alcalinas.
Em última análise, a fluidoterapia é um passo essencial para a recuperação dos animais. O conhecimento dos detalhes sobre a determinação do grau de desidratação, os tipos de fluido, as quantidades que devem ser administradas e as vias de aplicação irão implementar os resultados da fluidoterapia e garantir menores perdas para a sanidade do rebanho.
Fonte:
Marques, D. C. Desidratação e hidratação. In. Marques, D.C. Criação de bovinos. Belo Horizonte: Consultoria Veterinária e Publicações, 2003. p.558-566.
Phillips, R.W. Fluid therapy for diarrheic calves - What, How and How Much. Vet. Clin. of North Am.: Food An. Prac., v.1, n.3., 1985.
Facury Filho, E. J.; Carvalho, A. U.; Ferreira, P.M. Fluidoterapia em bovinos.
Hanson, M. The Salmonella situation. Dairy Herd Management. Outubro, 2004.
Hidratação de bovinos: o básico deve ser bem feito (parte 2)
Publicado por: Renata de Oliveira Souza Dias
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Renata de Oliveira Souza Dias
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NEUZA CARRIERI
ARARAQUARA - SÃO PAULO
EM 24/09/2019
Quais os três formas de se avaliar a hidratação bovina?