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Gerenciamento de custos da bovinocultura de leite

POR CARINA BARROS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/08/2013

5 MIN DE LEITURA

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Com este artigo iniciaremos uma série de discussões sobre a temática de gerenciamento da bovinocultura de leite. Apresentaremos conceitos e informações da área e contamos com a participação de vocês, leitores, para que possamos discutir os diferentes contextos das localidades em que exercem a atividade.

Neste primeiro momento, vamos começar abordando alguns conceitos básicos e ao longo do tempo iremos aprofundando os conhecimentos.

Comumente vemos esse termo: gerenciamento. No entanto, qual seu significado?

Podemos dizer que o gerenciamento compreende a ação de aplicar métodos, modelos, técnicas para coordenar e executar trabalhos de modo a otimizar resultados, que podem ser, por exemplo, a minimização de custos ou aumento do lucro. Pode-se verificar que o termo pode abranger várias questões e aqui vamos abordar os custos.

É muito comum ouvir falar sobre custo de produção, a importância de conhecê-lo e minimizá-lo, mas efetivamente, quem sabe os conceitos de custos, o método de cálculo, e aplicam-nos para gerenciar seu negócio? Sabendo-se que é essencial conhecer o custo de produção, por que muitos produtores não conhecem seu real valor? Podemos citar alguns motivos...

• Falta de conhecimento técnico para calcular o custo de forma correta. Vemos cálculos realizados sem contemplar todos os itens que o compõe e dessa forma, o custo acaba sendo subestimado.

• Dificuldade em sistematizar formas de coleta de dados no campo e registro. O produtor/técnico pode até saber os dados que precisa coletar, mas não consegue estabelecer uma rotina que permita seu registro como efetiva rotina e os dados vão se perdendo.

• Dificuldade em classificar os custos. Há diversas metodologias que podem ser empregadas. Selecionar uma e fazer seu correto uso pode ser um desafio. Aqui também se destaca o rateio de custos que precisa ser feito quando há mais de uma atividade na propriedade, o que pode ser complexo.

• Dificuldade de interpretação dos resultados. Depois de todos os dados coletados, registrados, classificados, cálculo efetuados, o que fazer com os resultados? Como analisar? Que conclusões podem ser tiradas?

• Desmotivação. Isso pode ocorrer especialmente quando não se encontra uma ferramenta prática para registro, cálculos e análises, e então a tarefa torna-se árdua e deixa de ser executada.

Já vimos muitas dificuldades que precisam ser superadas, então agora vamos ver quais são as vantagens, o porquê devemos ser persistentes e organizados no gerenciamento de custos.

• Formação de preços de produtos: se eu sei meu custo de produção tenho melhor condição para definir os preços que podem ser aplicados e repensar estratégias quando não consigo bons preços.

• Melhor conhecimento do sistema produtivo: identifico todas as atividades/tarefas e recursos necessários para executá-las.

• Avaliação e seleção do emprego ou adoção de novas tecnologias: posso avaliar o impacto das tecnologias no meu custo de produção e com isso tenho mais segurança na tomada de decisão.

• Redução dos custos controláveis para se evitar desperdícios: posso monitorar cada item e identificar em quais posso otimizar seu uso.

• Identificação do ponto de equilíbrio: sei quantas unidades de produção preciso vender para cobrir os custos de produção.

• Avaliação da atividade em cálculos de lucratividade e rentabilidade: os dados contribuem para avaliação da viabilidade econômica.

• Gerenciamento da atividade: tenho todas as informações nas mãos para definir as ações.

• Avaliação de riscos: posso avaliar os riscos e com isso planejar estratégias.

• Contabilidade fiscal: tenho todos os dados necessários organizados.

Diante de tantas finalidades é evidente que há necessidade de se conhecer os custos de produção, até mesmo porque precisamos controlá-los. Pode-se perceber que há grandes vantagens e isso precisa ser a motivação para a adoção de métodos para gerenciamento de custos de produção.

Percebendo essas vantagens, uma pergunta pode surgir: como começar?

Em primeiro lugar precisamos de organização e disposição. Não é tarefa tão simples e rápida quando não se tem ainda a prática, também não é algo tão complexo.

Podemos sintetizar o processo de como fazer em três passos básicos:
1. Coleta de dados
2. Processamento dos dados
3. Análise de informações

Coleta de dados

Você precisa ter a escrituração zootécnica da fazenda em ordem; número de animais em cada categoria, fertilidade, natalidade, mortalidade, produtividade por animal, entre outros. Vendas, compras, nascimentos, enfim, os índices zootécnicos da propriedade.

Para isso há necessidade de organização, uso de planilhas simples e objetivas de modo que rapidamente o funcionário possa fazer os registros. Os dados mensalmente devem ser recolhidos e passados para um controle geral, uma planilha ou um software escolhido.

Os dados contábeis também são importantes, sendo necessário que verifique com o contador valores de taxas e impostos obrigatórios, entre outros.

Anotar todas as despesas mensais é fundamental. Cada gasto feito – combustível, medicamentos, etc - deve ser registrado, seja guardando as notas fiscais, anotando em um caderno de despesas, registrando em planilhas, a forma mais conveniente e prática para sua situação.

Identificar os custos implícitos, como de conservação e reparos, depreciação, seguro, juros, entre outros é outra etapa que é preciso fazer. Abordaremos isso em outro artigo com detalhes.

Processamento dos dados

Com esses dados todos reunidos precisamos processá-los, ou seja, transformá-los em informações para análise. Isso pode ser feito por cálculos manuais, bem mais trabalhosos, ou por meio de computadores. Podem ser usadas planilhas eletrônicas criadas pelo produtor ou mesmo softwares disponíveis. O importante é que todos os dados coletados possam ser registrados. As planilhas criadas especificamente para a propriedade podem facilitar essa tarefa, já que vão contemplar os dados de forma mais conveniente à realidade da atividade.

Análise de informações

Com os resultados emitidos procede-se a análise dos custos obtidos, verificando...
- os itens que mais “pesam” no custo de produção;
- os custos fixos que não podem ser alterados no curto prazo;
- quais os pontos de estrangulamento; e
- no que é possível economizar...

Assim, é possível gerenciar a atividade de modo mais seguro com informações corretas. Essa etapa é muito importante e deve ser discutida com os envolvidos na atividade. Lembre-se de que qualquer mudança para melhorias vai depender de funcionários que devem entender o propósito para estarem motivados a colaborar e mudar. Também de nada adianta ter todo o trabalho de cálculos sem uma análise criteriosa dos resultados.

Com todo esse processo organizado e compreendido é necessário promover treinamentos para os colaboradores envolvidos na atividade, de modo que possam perceber a importância da participação de todos desde a coleta de dados até a análise para tomada de decisão. A contribuição de todos na análise é parte importante do processo, tanto por possibilitar diversas opiniões quanto pela motivação da equipe.

Observe o esquema abaixo que sintetiza o processo:


Há desafios para aqueles que desejam fazer um ótimo gerenciamento de seus custos, mas todos podem ser superados com o acesso à informação e disciplina.

Lembre-se de que o produtor de leite deve ter a visão de que ele é um empresário: deve enxergar sua propriedade como uma empresa com objetivos claros e definidos e delinear as estratégias para atingi-los. Ao longo dos meses ainda teremos muito a conversar...

 

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CARINA BARROS

Médica veterinária
Mestre em Ciências Veterinárias UFPR
Doutora em Nutrição e Produção Animal FMVZ-USP
Pós-doutorado FMVZ-USP
Atuação na avaliação econômica e modelagem

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FABRICIO BELOTTO

CAMPOS NOVOS - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/10/2013

Carina, agradeço o artigo que já e de grande valia para mim, mas ainda não sou produtor efetivado, estou no ponto de levantamento de custos iniciais, gostaria de um artigo que me esclareça dados iniciais como: inclinação maxima do terreno, hect por animal ao pasto, sistemas confinado/misto ou pasto, qual raçao mais vatajosa?

se puder me ajudar, agradeço.

Sou de Capinzal, vizinho a C. Novos SC, minha propriedade tem declines mas com a vantagens de agua boa e continua.
VINICIUS ONASSIS DO BRASIL ROBERTO ELOI DOS SANTOS

URUAÇU - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/08/2013

Albino Gonçalves   neste Comunicado Técnico possui alguns indices que a Embrapa disponibiliza, creio que no item 85 esta sua resposta.



https://www.cnpgl.embrapa.br/nova/publicacoes/comunicado/COT39.pdf
ALBINO GONÇALVES NUNES NETO

PATROCÍNIO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/08/2013

Carina,



Mesmo após a coleta e processamento , encontro muita dificuldade em analisar esses dados , exemplo , você tem algum material ou benchmarking que mostra quais sao os valores aceitáveis em % para alimentação , mao de obra , etc ?
CARINA BARROS

OSASCO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 12/08/2013

Prezados leitores! Agradeço a participação de todos e conto com vocês para os próximos artigos. Irei considerar as sugestões, pois estamos só começando nossa conversa.

Sucesso a todos.
ESTAÇAO EXPERIMENTAL UTINGA

UTINGA - BAHIA - PESQUISA/ENSINO

EM 09/08/2013

Dra. Carina . Parabens pela abordagem do tema. É extremamente necessários que os  produtores familiares de leite comecem a pensar e entender o que é custo, depreciação, receita e lucro. Além de manter uma escrituração da propriedade como uma empresa. Produtor não pode se apropriar de receita esquecendo-se que existe encargos de depreciação de máquinas, implementos, e estruturas físicas.  Eng. Agr. Itamar D. Monteiro
MAXWELL FREITAS SILVA

CAIAPÔNIA - GOIÁS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 09/08/2013

Carina parabens pelo artigo.bateu de frente com que eu estou precisando tenho que me organizar por isso te pesso por favor me mande modelos  de planilha que voce tem para que eu possa poder me organizar. Estou a frente de uma propriedade de 1.900 lt de leite dia entao to no aguardo de sua resposta grato
WELINGTON SILVA

UBIRATÃ - PARANÁ - ESTUDANTE

EM 09/08/2013

cara, carina,



muito bom o artigo, sou estudante na área de administração, a família possui uma pequena propriedade, e já estamos trabalhando com a atividade leiteira, em torno de 6 anos, porém todo esse período, nunca foi feito nenhuma coleta de dados ou algo parecido, trabalhamos, gastamos tanto, sobrou tanto, ou ficamos devendo tanto. adorei o artigo e estou elaborando um TCC, sobre ampliação da atividade leiteira. se poder me ajudar, ficarei no aguardo.
JOAO GOMES DE AZEVEDO

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/08/2013

Boa noite Carina!

Sua iniciativa é ótima, você iniciou justificando vários itens que dificulta o gerenciamento dos custos mais usou uma linguagem de difícil compreensão, exemplo: índice zootécnico, custo fixo etc. Peço que seja mais simples e elabore numa planilha para que possamos acompanhar.
TIAGO JUNIOR PASQUETTI

ESTUDANTE

EM 08/08/2013

Esse é um tema muito bom para ser abordado. Além da escassa tecnologia, informações sobre manejo, e principalmente sobre nutrição, a falta de gerenciamento nas propriedades ainda é um grande problema no Brasil. Não basta apenas realizar cursos para os produtores. É necessário um acompanhamento mais de perto, ou seja, assistência técnica de qualidade. Se o produtor não tem tempo para fazer isso, alguém poderia pensar em fazer, e óbvio receber por isso. Mas o produtor precisa ver RESULTADOS para se convencer de que pode pagar por isso.
MARCO TÚLIO FERREIRA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 07/08/2013

Doutora Carina Barros, parabéns muito bom o artigo. Mas vejo dificuldades em aplicá-lo nas pequenas e médias propriedades, tem muito haver com o lado cultural. O pessoal (produtores / funcionários) envolvido na produção leiteira ainda tem muito resistência em coletar os dados (dizem que não tempo e paciência para isso). Os produtores ainda faz  os cálculos de forma  empírica, (gastou tanto e sobrou tanto, ou ficou devendo tanto). E assim segue a vida...  Muito obrigado pelas orientações, aguardamos mais.
GABRIEL GALDINO DE SOUZA

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 07/08/2013

Carina,



Ótimo artigo, assim como o anterior.



Gerencio um projeto relacionado aos custos de produção da atividade leiteira e acho que temos muito a conversar. Gostaria da visão de um pesquisador do setor sobre a estrutura desse projeto.



Por favor, entre em contato comigo em gabriel.souza@danone.com
MISAEL DELIO DA SILVA

UNAÍ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/08/2013

- Carina, parabens pela iniciativa, vc. poderia desenvolver uma planilha bem simples que

se encaixe na maioria das propriedades pequenas ou medias leiteiras, e divulga-la para

que possamos utiliza-la. Estou no aguardo.
WALTER FAGUNDES RODRIGUES

PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/08/2013

ola carina.

Sou produtor na cidade de pelotas,

No momento a margem de lucro ainda é boa. Porém nao sei até quando esses preços pagos ao produtor vao perdurar. O preço do milho ja baixou mas a soja continua tirando as perspectivas de grandes ganhos por parte do produtor. Talvez esse item (soja) seja junto comm a mao de obra o mais pesado para o produtor.

O mercado é implacavel mesmo. Um país com tanta soja, obriga o produtor a racionar com muita cautela esse ingrediente.

Tenho duvidas de como quantificar os custos com máquinas se puderes ajudar.

Grande abraço e obrigado
HUMBERTO MELO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 07/08/2013

Carina, parabéns pelo artigo. Aprofundar nesse tema será essencial para ajudar no gerenciamento das atividades.



Uma sugestão: na etapa Planejamento você poderia abordar também os gastos com atividades como, por exemplo, plantio de lavoura visando a atividade leiteira e silagem, as quais estão ligadas à produção de leite e compõe boa parte dos seus custos. Essas atividades se tornam tão importantes quanto os índices zootécnicos na determinação da competitividade do produtor e se você junto com a equipe da Milk Point conseguirem abordar o tema Gerenciamento por uma visão sistêmica do processo será muito enriquecedor para todos que os acompanham.
MilkPoint AgriPoint