Faça seu rebanho usar mais eficientemente o nitrogênio da dieta

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Em muitos países (mais desenvolvidos), a preocupação com o meio ambiente é uma questão cada vez mais importante e tem apresentado impacto cada vez maior nas explorações agropecuárias. Agências governamentais têm imposto cada vez mais regras para o uso da terra.

Um dos pontos de grande preocupação destes órgãos regulatórios são os dejetos oriundos da criação intensiva de animais das mais variadas espécies. Muitas vezes o número de animais de um rebanho é limitado pela área disponível na fazenda para distribuição dos dejetos. Alguns minerais como o fósforo, por exemplo, têm sua quantidade controlada para que se evite a contaminação ambiental. Outro nutriente bastante importante neste cálculo é o nitrogênio.

Em nossas condições tais limitações ainda não existem, mas esta discussão é pertinente nesta seção já que o custo das fontes de nitrogênio (leia-se proteína) sempre foi elevado (e atualmente encontra-se proporcionalmente mais significativo). Sendo assim, toda e qualquer tecnologia que permita o uso mais eficiente deste nutriente irá, além de preservar o meio ambiente, trazer economia para o produtor.

Alguns estudos realizados nos Estados Unidos apontaram algumas tecnologias que permitem tal economia. Vamos iniciar por aquelas não relacionadas à nutrição:

Especialistas da Universidade de Maryland fizeram simulações que demonstraram a relação entre três técnicas de manejo que podem estimular a produção de leite das vacas e seu efeito na quantidade de dejetos por elas produzidos. Eles avaliaram o uso de somatrotopina bovina (BST), a prática de 3 ordenhas diárias ou a extensão do fotoperíodo (através de iluminação artificial nos meses de dias curtos).

A premissa foi que vacas recebendo tratamentos que estimulassem a produção seriam mais eficientes na utilização dos nutrientes porque os requerimentos de manutenção seriam diluídos em maior quantidade de leite.

Os pesquisadores estimaram através de suas simulações que, quando comparadas a rebanhos que não fazem uso destas tecnologias, o uso da somatrotopina bovina, 3 ordenhas ou fotoperíodo estendido permitiria a redução do nitrogênio excretado por unidade de leite produzido respectivamente em 7,8; 7,0 e 3,6 porcento. Quando todas três tecnologias foram usadas simultaneamente na simulação, as perdas de nitrogênio nos dejetos caíram mais de 15%. O estudo demonstrou ainda que reduções nos requerimentos de nitrogênio dos alimentos, bem como reduções das perdas de nitrogênio na urina e nas fezes, permitiriam reduzir a carga de nitrogênio no ambiente (e o gasto desnecessário em nitrogênio) em até 16% quando as três tecnologias foram usadas.

Dirigindo agora a discussão para o lado nutricional, outro estudo conduzido na Universidade Estadual da Carolina do Norte (EUA), adiciona informações à simulação anteriormente descrita no sentido que a redução no consumo de nitrogênio pode diminuir seus níveis nos dejetos. Estes pesquisadores estudaram o efeito da diminuição da quantidade total de nitrogênio consumido através de um balanceamento mais adequado dos requerimentos de proteína degradável e não degradável (by-pass) no rúmen, na quantidade de nitrogênio excretada. Eles concluíram que, em comparação a uma dieta padrão, quando a quantidade total de proteína consumida foi reduzida, observou-se 18% de redução no nitrogênio excretado nas fezes e na urina. Isto ocorreu sem qualquer efeito na produção de leite. O melhor balanceamento das diversas frações (tipos e níveis) de proteína da dieta pode reduzir a quantidade de nitrogênio perdido e manter a produção de leite. Isto melhora a eficiência na conversão dos nutrientes em leite.

Todas estas tecnologias discutidas têm potencial para reduzir as perdas de nitrogênio mantendo ou até mesmo aumentando a produção de leite do rebanho.

Comentário do autor: a promoção do uso eficiente dos nutrientes, além de uma prática ambiental correta (dever de todos nós) pode trazer benefício financeiro ao sistema e, portanto deve ser trabalhada. Todas estas tecnologias são de fácil implementação, devendo ser consideradas e adotadas quando viáveis. Além da economia potencial, estudos recentes indicam que o correto balanceamento protéico pode ter impacto positivo no desempenho reprodutivo do rebanho, o que seria um ganho adicional de grande importância. Alguns estudos neste sentido já foram discutidos anteriormente nesta seção.

Adaptado de: Pritchard, D.E., 2003. Can your herd make better use of nitrogen? Hoard's Dairyman. January 25.
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Material escrito por:

José Roberto Peres

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