Estamos esquecendo da heterose materna!
Largamente utilizados na ovinocaprinocultura de corte, os cruzamentos têm como principal objetivo tirar proveito do fenômeno da heterose, além, é claro, de buscar no mestiço a combinação das características desejáveis de duas ou mais raças, ou seja, a complementaridade.
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A heterose, definida como a diferença entre o desempenho médio dos mestiços e o desempenho médio das raças puras que produziram aqueles mestiços, pode ser observada nas crias, nas matrizes e nos reprodutores.
De uma maneira geral, tem sido preconizado o cruzamento industrial, em que animais de duas raças puras diferentes são acasalados e todos os produtos, machos e fêmeas, são destinados ao abate.
Muito embora este sistema de cruzamento seja bastante eficiente no que diz respeito à obtenção de complementaridade entre as raças envolvidas e à exploração da heterose das crias, uma vez que as fêmeas F1 são todas destinadas ao abate, o mesmo ignora a oportunidade de tirar proveito da heterose presente nas matrizes mestiças ou heterose materna.
A heterose materna pode ser observada quando o desempenho de matrizes mestiças é comparado ao das matrizes das raças puras que deram origem àquelas mestiças. A vantagem da utilização das matrizes mestiças pode ser sentida em características de elevada importância econômica como a taxa de concepção, o número de crias nascidas por matriz exposta, o número de crias desmamadas por matriz exposta e o peso total das crias ao desmame por matriz exposta. Desta forma, as matrizes mestiças podem ser mais férteis, produzir mais leite e, conseqüentemente, desmamar um maior número de crias e crias mais pesadas.
Além disso, a adequada utilização dos cruzamentos pode ser uma forma de se conseguir mais rapidamente a obtenção de "matrizes ideais" cujas virtudes estão na rusticidade, longevidade, habilidade materna, fertilidade e baixo peso adulto, o qual confere um menor custo de manutenção.
Em função destes pontos levantados, nos parece clara a necessidade de reavaliar a recomendação de destinar as fêmeas mestiças F1 para o abate. Talvez devesse ser preconizada a manutenção das fêmeas F1 e seu acasalamento com reprodutores de raças paternas, cujas virtudes estão no elevado ganho em peso e na produção de carcaças de melhor qualidade.
No entanto, apesar das importantes contribuições dos estudos com cruzamentos realizados pelas instituições de pesquisa, ainda se fazem necessários maiores investimentos nesta área para que tenhamos informações acerca da expressão da heterose materna nas condições tropicais e com a utilização de nossas raças nativas, de maneira a fornecer subsídios mais seguros para tal recomendação.
Material escrito por:
Olivardo Facó
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LUCIANA CRISTINE VASQUES VILLELA
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Raimundo Nonato Braga Lôbo
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CEARÁ - PESQUISA/ENSINO
EM 16/06/2008
Tenho conhecimento do trabalho do colega Wandrick Haus, da EMEPA. Neste trabalho o Wandrick apresentou resultados de diversos cruzamentos utilizando animais das raças Dorper, Santa Inês e Morada Nova. Os resultados preliminares mostraram que os animais F1 mestiços de Morada Nova apresentaram desempenho produtivo inferior (foram mais leves).
Porém, estes mesmos animais apresentaram superior rendimento comercial das carcaças, com valores próximos a 50%. Este fato possivelmente está associado com o menor peso da pele e dos componentes não constituintes da carcaça dos cordeiros Morada Nova e seus mestiços.
Como você mesmo frisou, o menor porte é uma característica da Raça Morada Nova, logo, não é surpresa pesos e ganhos em peso menor dos Morada Nova e seus mestiços. No trabalho ainda não existem resultados de avaliação das características reprodutivas, para as quais seria de se esperar um melhor desempenho das ovelhas Morada Nova. Vale salientar que as características reprodutivas têm forte impacto econômico sobre a rentabilidade do sistema de produção.
Quanto à questão dos problemas de parto, conversei com o colega Wandrick que me informou não ter observado anormalidades quanto à ocorrência de problemas de parto nos cruzamentos Dorper x Morada Nova.

CEARÁ - PESQUISA/ENSINO
EM 08/04/2008
Infelizmente, não temos resultados do cruzamento mencionado. Talvez possas obter alguma informação com os colegas da Embrapa Pecuária Sul através do Serviço de Atendimento ao Cidadão (sac@cppsul.embrapa.br).
Cordialmente,
Facó

ARAPONGAS - PARANÁ - PRODUÇÃO DE OVINOS
EM 08/04/2008
Gostaria de saber se tem algum resultado em termos de GPD, idade de abate, peso de nascimento de cordeiros oriundos do cruzamento de matrizes Texel c/ reprodutor Hampshire Down.
Na opinião de vocês, é um cruzamento interessante ou o melhor é manter o plantel c/ reprodutores Texel?
Grato

CERES - GOIÁS - PESQUISA/ENSINO
EM 07/04/2008
Gostaria de saber se existem trabalhos científicos sobre cruzamentos de matrizes da raça Morada Nova com outras raças mais especializadas para produção de carne como o próprio Dorper, por exemplo? Tenho muita curiosidade de saber se poderia haver problemas de parto e se o desempenho dos cordeiros seria semelhante a borregos cruzados de matrizes Santa Inês com reprodutor Dorper, visto que a matrizes Morada Nova são menores que as da raça Santa Inês.
Fico grato por hora.
MSc. Marcelo M. de Godoy

CEARÁ - PESQUISA/ENSINO
EM 02/04/2008
Como você pôde ver no nosso artigo, ainda temos muitas perguntas não respondidas sobre o assunto e generalizações podem levar ao erro sob certas condições.
Assim, qualquer consideração que façamos, requer o exame das condições locais de produção e de mercado e, muitas vezes, experimentos específicos.
Sem dúvida, o cruzamento Dorper x Santa Inês é uma das opções e tem sido utilizado por vários criatórios. Todavia, pensando nas características de uma "matriz ideal", quais sejam, rusticidade, longevidade, habilidade materna, fertilidade e baixo peso adulto, talvez o cruzamento Dorper x Santa Inês não seja o mais apropriado, particularmente no que diz respeito ao peso adulto. Além disso, para as condições de criação mais extensivas, outras raças mais rústicas e de menor porte, como a Somalis Brasileira e a Morada Nova, poderiam representar ganhos de produtividade e sustentabilidade.
Quero ainda lembrar que, paralelamente aos programas de cruzamentos, a estruturação de programas de seleção e melhoramento genético nas raças puras, é fundamental para o aumento de produtividade na ovinocultura brasileira.
Cordialmente,
Olivardo Facó
ITAPETININGA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 25/03/2008

NILÓPOLIS - RIO DE JANEIRO
EM 30/05/2007
Sou um grande admirador dessa atividade, pretendo iniciar em breve.

ARAGUARI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS
EM 17/04/2007
Também crio a 3 anos ovinos Dorper e Santa Ines, onde estou apurando a raça Dorper por cruzamento, as fêmeas 1/2 e 3/4 são bem melhores mães do que as puras Santa Inês, principalmente na criação a pasto, onde possuem um escore corporal bom durante todo ano e não sentem tanto depois da parição.
Possuem boa aptidão materna, parem com mais frequência um só cordeiro, porém bem forte, são boas de leite, e possuem menor índece de mastite.
Hoje só tenho a agradecer e a defender que bons cruzamentos são necessários e aproveitalos sempre que os resultados se mostrem melhores e melhores.

LIMOEIRO DO NORTE - CEARÁ - PESQUISA/ENSINO
EM 06/02/2007
O setor produtivo de ovinos e caprinos, em especial o nordestino, demanda conhecimentos além da beleza, comprimento de calda, inserção de orelhas, etc., sob pena de em pouco tempo passar da condição de exportador de genética e produtos cárneos para importador, perdendo mais uma vez uma oportunidade de densenvolvimento.
Resta saber se os criadores nordestinos conseguirão visualizar essa oportunidade e passar a fazer parte do seleto grupo de produtores de genética voltada para a produção de alimentos bem como do setor de produção de carne, pele, leite (e não de sonhos)!
Atenciosamente,
Rodrigo Gregório da Silva

SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 30/12/2006
Concordando na teoria e na prática.
Atenciosamente.
João.