Ensilagem do resíduo de cervejaria úmido

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José Roberto Peres

O resíduo de cervejaria úmido, vulgarmente denominado de "cevada", é um subproduto da produção de cerveja com larga utilização na alimentação de gado leiteiro. Por se tratar de material extremamente úmido, sua conservação na fazenda é bastante delicada. Com freqüência se constata o fornecimento de resíduo já deteriorado, o que diminui seu valor nutritivo e deprime o consumo, além de constituir-se num fator de risco à saúde dos animais, já que o desenvolvimento de fungos (e suas possíveis toxinas) é fácil de ser observado.

Estudos demonstram que, sem o uso de conservantes, o resíduo úmido de cervejaria não deveria ser estocado por mais que 2 a 3 dias no verão (americano). No Brasil, onde as condições de temperatura e umidade são muito mais desfavoráveis, é comum o armazenamento por mais de 15 dias. Na tentativa de contornar o problema o produto é submerso em água. Este procedimento não impede sua deterioração.

Os processos de fabricação de cerveja vêm sendo modificados e as cervejarias mais novas têm comercializado um resíduo com teor de matéria seca superior (acima de 25% de matéria seca). Isto, além de permitir o transporte a distâncias maiores, abre oportunidade para sua conservação na forma de ensilagem. Neste sentido foi realizado um experimento na Universidade de Lavras.

O trabalho teve duas etapas. Na primeira etapa avaliou-se a conservação do material ensilado, com o uso de 150 silos de laboratório (PVC). Foram testados cinco níveis de adição de milho desintegrado com palha e sabugo (0; 2,5; 5,0; 7,5 e 10% de MDPS) e seis tempos de fermentação (15, 30, 45, 60, 75 e 90 dias), em cinco repetições. Na segunda etapa a degradabilidade ruminal do material foi estudada com o auxílio de 3 vacas nelore fistuladas no rúmen.

A composição das silagens em função do nível de aditivo pode ser observada na tabela 1.

Tabela 1: Composição bromatológica das silagens em função do porcentual de aditivo.

Tabela 1


A análise de variância dos dados demonstrou efeito significativo (P<0,01) tanto para o porcentual do aditivo (tratamento) como para o tempo de fermentação e para a interação entre estes dois fatores (com exceção da matéria mineral que não apresentou interação).

Como era de se esperar, a adição do rolão de milho, aumentou a matéria seca do material ensilado, o que certamente contribuiu para melhor conservação da massa. Os teores de proteína bruta, FDN, FDA, lignina e matéria mineral de forma geral diminuíram possivelmente por um efeito de diluição (têm menor concentração no rolão) e também por possíveis transformações na composição química da massa durante o processo de fermentação, como é o caso das proteínas, que são, em parte, utilizadas pelas bactérias e a FDN, que pode ter a hemicelulose, um de seus componentes, desdobrada até pentoses.

Um ponto que chama atenção, no entanto, é o pH do material ensilado. O próprio autor comenta que "os valores ficaram excessivamente baixos". Observe que mesmo o material sem aditivação possui um pH 3,8, que teoricamente seria suficiente para a adequada conservação de silagens úmidas. O autor argumenta que isto demonstra que "praticamente houve ausência de aminoácidos residuais e cátions como K+, Ca++ e Mg++, os quais devem ter sido extraídos no processo de industrialização da cerveja. A presença dos mesmos possivelmente neutralizaria parte dos ácidos orgânicos formados durante o processo de fermentação no silo e, com seu poder tampão, contribuiriam para dificultar a redução do pH para níveis tão baixos".

Este fato nos permite inferir que, desde que o resíduo possua um teor mínimo de matéria seca (acima de 25%), a ensilagem seria um bom método de conservação do resíduo de cervejaria, possivelmente mesmo sem aditivação.

Por outro lado, a avaliação dos teores de ácidos orgânicos nas silagens, indicam que uma pequena aditivação (2,5% de rolão) pode ter efeito significativo na qualidade e conservação do material (tabela 2).

Tabela 2: Valores médios de ácidos orgânicos encontrados nas silagens

Tabela 2


A silagem sem aditivos apresentou teores significativamente menores de ácido lático (indicando fermentação limitada) e teor significativamente maior de ácido butírico (indicativo de má conservação), praticamente ausente nas demais silagens a partir da inclusão de 2,5% de rolão ao resíduo. O autor argumenta que a queda no teor de ácido butírico deve ter sido resultado do aumento da pressão osmótica decorrente da maior matéria seca do material aditivado. Isto novamente permite a inferência de que resíduos originalmente mais secos (acima de 25% de MS) dispensariam a aditivação.

O autor conclui que a aditivação com 2,5% de MDPS foi suficiente e os tempos de fermentação indicam que o resíduo ensilado pode ser utilizado a partir dos 15 dias de fermentação.

No que se refere à segunda etapa do experimento, a inclusão de MDPS nas silagens só sugere maior degradabilidade efetiva para a matéria seca. Os tempos de fermentação não alteraram a degradabilidade potencial e efetiva da matéria seca, proteína bruta, e FDN das silagens testadas.

Comentário MilkPoint: estes dados demonstram a possibilidade de ensilagem do resíduo de cervejaria, prática já comum em vários outros países. Para isto é necessário que as indústrias disponibilizem um material com maior teor de matéria seca (entre 25 e 30%), o que já ocorre onde indústrias mais modernas foram instaladas. Isto resolveria os entraves na utilização deste alimento: excesso de umidade, má conservação e até mesmo a inconstância no fornecimento pois seria possível a armazenagem para um período prolongado. Estes dados devem ser avaliados com certo resguardo pois o material foi compactado nos silos experimentais (para obtenção de 1 ton/m3), o que favorece a conservação, mas não é possível de se realizar na prática. A aditivação de silagens pode promover melhor conservação, mas quem já tentou sabe da dificuldade de realização nas condições de fazenda.

********


fonte: ARONOVICH, M., 1999. Composição Bromatológica e Degradabilidade de Silagens de Resíduo Úmido de Cervejaria. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Lavras.
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José egidio
JOSÉ EGIDIO

AÇAILÂNDIA - MARANHÃO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/07/2020

Bom dia dr Roberto, queria saber sua opinião sobre a Silagem de milho planta inteira junto com a cevada (residiu de cervejarias) em camadas alternadas
Saulo Da Boit Goularte
SAULO DA BOIT GOULARTE

SIDERÓPOLIS - SANTA CATARINA - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 26/01/2018

Pode-se utilizar em dietas com substituição de até 20% da dieta total do suínos sem prejuízos desde que alimentação seja balanceada.
Rafael Mendonça de Carvalho
RAFAEL MENDONÇA DE CARVALHO

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 08/09/2014

Boa tarde,

Você falou muitas vezes em depositar a cevada com alto teor de umidade em locais que permitam o escoamento do excesso de água. Tenho uma dúvida, ao perder essa água não está saindo com ela nutrientes que seriam interessantes a nutrição animal?

Desde já obrigado e parabéns pelo trabalho.
agostinho silva
AGOSTINHO SILVA

EM 14/07/2014

gostei dos comentarios, e das avaliaçoes....
Albino Callou Barros
ALBINO CALLOU BARROS

FORTALEZA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE LEITE

EM 17/11/2013

Dr José Roberto

         Parabéns e muito obrigado pelos relevantes  serviços prestados a nós pecuaristas.

SDS

Albino Callou.

mauricio
MAURICIO

EM 22/10/2013

Utilizo  co-produto de salgadinhos   de  milho e batata  frita  moida na alimentação bovina  gostaria  de  acrescentar  residuo de  sevada de cervejaria   e  moer  junto  pode  informar  qual  o  ganho  proteico.  Obrigado  , Rolim  de Pilar do Sul
ronaldo molitor herculano
RONALDO MOLITOR HERCULANO

GUARATINGUETÁ - SÃO PAULO

EM 31/08/2013

quero aprender a fazer silagem de sevada
dagoberto almeida conde
DAGOBERTO ALMEIDA CONDE

RIO DE JANEIRO

EM 10/06/2013

Caro Jose Roberto Peres,  bom dia,

Gostaria de saber se é aconselhável o uso de resíduo de cevada na criação de porcos. Desde já agradeço a sua atenção.

Dagoberto Conde,

Guapimirim, Rio de Janeiro

turica@hotmail.com
Leandro Martins
LEANDRO MARTINS

SETE LAGOAS - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 15/05/2012

Amigos, hoje trabalho com cevada na região centro oeste de MG e estamos ensilando a cevada em várias propriedades leiteiras e de crote com ótimos resultados desde que consideradas as recomendações já citadas pelo Sr. José Roberto, com matéria seca, vedação bem feita e correto dimensionamento dos silos.

Leandro Martins

Zootecnista - Consultor de vendas

leandro.martins@grupoullmann.com.br

031 99025896 - 031 93294075
jose sergio de oliveira
JOSE SERGIO DE OLIVEIRA

ARACAJU - SERGIPE - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/03/2012

Caro Roberto, posso elevar o teor de materia seca usando capim cameron passado na forrageira? Qual o tempo minimo para começar o cosumo da silagem? Essa acidez excessiva não prejudica a saude das vacas leiteiras, tipo acidose, doenças hepaticas ou perdas de dentes?  

Grato.

J. Sergio.

E Mail: zesergio@petrobras.com.br
bruno
BRUNO

SANTANA DE PARNAÍBA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/11/2011

Sr. José Roberto Peres, boa noite.
Trato meu gado com cevada, e fiquei interessado em fazer a silagem.
So tenho uma duvida, depois de cobrir com lona e tirar todo o ar qual o tempo que a cevada tem que ficar fechada sem ser aberta ?
Obrigado,
Grato pela atenção.
se possivel responder por email.
Bruno Burg
brunoburg@hotmail.com
Lucas Rocha Alves Faria
LUCAS ROCHA ALVES FARIA

LUZIÂNIA - GOIÁS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 26/11/2009

Bom dia, tenho uma grande quantidade de cevada.
Existe algum conservante que poderia utilizar para minimizar a contaminação bacteriana?
Sérgio Cariolando Nunes
SÉRGIO CARIOLANDO NUNES

GOIÂNIA - GOIÁS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 26/11/2009

Caro Amigo,

Tenho cevada em torno 21% de Matéria Seca. Não tenho MDPS ou polpa para aumentar essa matéria seca.
Minha dúvida é se poderíamos utilizar feno para aumentar esta matéria seca até o minímo de 25%?

Atenciosamente,
Marcelo Sales Ribeiro
MARCELO SALES RIBEIRO

SALVADOR - BAHIA - ESTUDANTE

EM 05/04/2009

Amigo José Roberto, gostaria que me enviasse, se tiver, artigos e ou resumos relacionados a utilização do residuo umido de cervejaria na alimentação de ruminantes. Sou da Bahia, e vejo essa fonte de alimento ser muito utilizada em fazendas de leite na região, porem sem quaisquer cuidados. Estou com uma grande dificuldade de encontrar material sobre sua conservação, utilização e resultados sobre o seu uso!

Desde já, agradeço sua colaboção!
Marcus Paulo Abranches Borges
MARCUS PAULO ABRANCHES BORGES

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/01/2009

Boa tarde, estou com vontade de começar a trabalhar com resíduo de cervejaria, mas tenho dúvidas. Até ler este artigo, achei que ela duraria ao menos uns 15 dias depois de chegar na fazenda, informação passada por vizinhos e pessoas que já usam. Vejo eles usarem de qualquer jeito, sem conservação, sem nada.

Gostaria de saber mais sobre a silagem deste resíduo, se puder indicar uma matéria, livro ou algo passo a passo. Também preciso projetar o lugar. No meu terreno seria interessante ela durar meses, pois na epoca da chuva é bem difícil chegar caminhão desse porte. Agradeço. Marcus Borges

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Marcus Paulo:

Infelizmente a prática "normal" é vermos o uso sem qualquer cuidado, por longos períodos. Não tenha dúvida que isso acarreta perda significativa de valor nutritivo, mesmo quando submerso em água, última coisa que eu recomendaria (deixe suas vacas beberem água no bebedouro), sem contar com as possíveis consequências de eventuais toxinas produzidas pelos fungos que ali se desenvolvem.

Lamento não ter nenhum artigo para indicar. No passado, quando ainda escrevia para o Milkpoint produzi um material sobre o tema que era parte de um curso sobre subprodutos. Não sei se esse curso ainda está sendo ministrado no site e se este texto foi mantido no formato original. Na realidade, os princípios que regem a conservação da silagem de resíduo de cervejaria são basicamente os mesmos de qualquer outra silagem, com o diferencial que não haverá fermentação no silo, pois o material praticamente não possui carboidratos não estruturais, mas em compensação já é bastante ácido (pH entre 3,8 e 4,2), o que é ideal para a conservação, desde que o material não tenha contato com o ar, situação que permitiria a putrefação.

Sendo assim, minha recomendação é que projete (vários?) silos pequenos (preferencialmente do tamanho de um ou dois caminhões: compridos, porém estreitos e baixos), especialmente considerando o consumo, e não a ensilagem. O tamanho da área aberta deve ser tal que permita o consumo diário de uma "fatia" de pelo menos 30 cm para que não ocorra deterioração após sua abertura. Isso vai ser função do número de animais a serem tratados e da quantidade diária a ser utilizada na dieta (consulte seu nutricionista). Quando dava consultoria eu costumava ter três silos com capacidade para 1 caminhão cada. Um sempre um uso, outro para ser usado enquanto se enchia o primeiro e o terceiro como "fator de segurança". Se quiser estocar por meses vai precisar de maior quantidade (ou tamanho, mas não se esqueça que quando abrí-los terá que consumir rapidamente o que está exposto ao ar, caso contrário irá deteriorar da mesma forma).

Veja a recomendação que fiz na carta anterior a esta com relação à drenagem do excesso de líquido e fechamento do silo para completa expulsão do ar.

Espero ter ajudado.
Sem mais,

José Roberto Peres
Gerente de Marketing - Elanco Saúde Animal
Marina Zanelato
MARINA ZANELATO

ESPÍRITO SANTO DO PINHAL - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/12/2008

Boa tarde, José Roberto Peres, gostaria de fazer silagem de cevada, alguns artigos dizem que devemos adicionar inoculantes para melhorar o pH da cevava, está certo? TEnho silo de trincheira, mas não tem alvenaria, posso colocar a cevada direto na terra? Caso a cevada venha com mais de 25% de ms eu poderia entrar com polpa citrica, farelo de algodão ou qualquer tipo de farelo para que ele absorva a umidade da cevada? Seria uma combinação boa cevada com polpa cítrica?

<b>Resposta do autor:</b>

Prezada Marina:

Há muito tempo não escrevo mais para o Milkpoint e fico satisfeito em saber que meus artigos ainda são lidos e muitos deles continuam "atuais".

Em atenção aos seus questionamentos sobre a ensilagem do resíduo de cervejaria tenho os seguintes comentários:

Não tenho dados científicos para sustentar o que vou dizer mas baseado no conhecimento que tenho de silagens e inoculantes, não acredito que o inoculante irá funcionar pois não há carboidratos (basicamente açúcares e amido) para fermentação; o resíduo de cervejaria é o que sobra do processo de extração destes carboidratos para a produção da cerveja. Basicamente ela é composta (80%) de carboidratos fibrosos, proteína e gordura (que não irão fermentar no silo). Ela tem boa conservação quando ensilada, na ausência de ar, justamente porque já é suficientemente ácida.

Você pode ensilar sobre a terra mas conte com uma boa perda (fazer uma "cama" de capim pode ajudar a diminuir). Caso o material tenha menos que 25% de matéria seca você pode adicionar (5 a 10%?) de polpa de laranja (isso é feito com muita frequência na Holanda), mas a adição de forma homogênea é difícil na prática em função do grande volume. A combinação é boa, uma fonte com maior teor de proteína (resíduo) com outra altamente energética (polpa).

Reforço a importância de deixar o excesso de água escorrer, se for o caso de material muito úmido, e de se cobrir de forma a expulsar todo o ar da massa ensilada (coloque a lona plástica e cubra com terra para fazer peso - pneus não adiantam pois não pressionam toda a superfície deixando bolsões de ar onde ocorrerá putrefação - não é possível fazer compactação).

Já fiz isso no passado com muito sucesso. A cevada se conservou perfeitamente por meses se apresentando no momento da abertura do silo exatamente como quando recebida.

Boa sorte. Continue participando.
Saudações,

José Roberto Peres
Gerente de Marketing - Elanco Saúde Animal
inacio martins neto
INACIO MARTINS NETO

CUIABÁ - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 25/03/2008

Olá! gostaria se o senhor pudesse, me enviar textos sobre o uso de resíduo de cervejaria! obrigado O meu e-mail é inacio_zoo@hotmail.com
Paulo Múcio Santos Pereira
PAULO MÚCIO SANTOS PEREIRA

PORECATU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/02/2008

José Roberto,

Estou interessado em fazer silagem de resíduo de cervejaria aqui na região de Assis, pretendo aditivar, para aumentar a MS. Como seria o piso e paredes destes silos? Quanto tempo poderia ficar ensilado para ser consumido? Poderia aditivar com resíduos de mandioca secos?

Se possível me informe um telefone para que eu possa tirar mais algumas dúvidas.

Grato,

Paulo Múcio
Médico Veterinário
(43)9957-5008
Manoel Luciano B. Filho
MANOEL LUCIANO B. FILHO

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 11/01/2005

Prezaado J.Roberto Peres,

Aqui no Distrito federal, ocorre a seguinte situação: cevada + água + NaCl como maneira de conservação.

O que voce diria do resultado desta combinação. Prática muito utilizada pelos criadores.

Que tipo de silo mais indicado para cevada?

Agradeço desde já.
Luciano

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Luciano,

Me desculpo pela demora em responder, mas estava tentando conseguir informações mais concretas para te apresentar, com um colega que acreditei ter estudado isto no passado. Só agora ele me respondeu e, infelizmente, esse tratamento não fez parte do projeto dele. Segundo ele a razão de não ter usado o sal como conservante foi que todos os trabalhos que ele teve acesso mostraram que esse tratamento não funcionava. Esta é também minha concepção: água e sal não conservam a cevada. Talvez só o sal colocado na superfície de um silo de cevada ajude em alguma coisa, mas a água é o complicante.

Na realidade, ao se fazer a "sopa" normalmente utilizada nos tanques de cevada, se tem a impressão errônea de que não está deteriorando, por não se ver os fungos, bolores, etc.., mas o produto estraga da mesma forma, perdendo seu valor.

Minha recomendação seria mesmo a ensilagem (desde que você disponha de resíduo com mais de 25% de matéria seca). Se conseguir, seria interessante a mistura de 2,5% de rolão de milho, como mostra o trabalho que você já leu, mas se isto for difícil de executar (eu acredito que seja), basta então ensilar sem qualquer aditivo. Já fiz isso no passado com resultados excelentes. O produto se conserva por vários meses sem qualquer deterioração (com exceção de uma fina camada na superfície, como qualquer outra silagem - talvez aqui o sal auxilie).

Obs: uma opção se o resíduo tiver menos de 25% de matéria seca é fazer o silo com paredes de tábua, que permitam o escoamento do excesso de água pelas frestas entre as tábuas.

Não será possível compactar a massa por sua natureza física. O segredo é colocar num silo pequeno, com capacidade para a carga de um único caminhão. Esse silo deve ser baixo (1 metro de altura) estreito (talvez a largura do caminhão para permitir a descarga - o mais estreito possível) e se compensa estas pequenas dimensões no comprimento (dependendo do volume de cada carga). A finalidade disso é permitir um consumo suficiente para retirar a maior quantidade possível por dia, para evitar a deterioração da área que fica exposta após a abertura do silo. Também é de fundamental importância cobrir o silo com uma lona plástica e jogar por cima uma camada suficiente de terra para expulsar o ar que fica entre a lona e o resíduo (já que não se pode compactar). Se fizer isso tenho certeza que não perderá um grão de resíduo; ele terá a mesma cor, cheiro e qualidade por tempo indeterminado.

Uma recomendação adicional seria fazer inicialmente 3 silos como este e armazenar 3 caminhões. Depois disso você passa a receber novas cargas tão logo tenha terminado um dos silos. Isso lhe dará uma folga que irá cobrir possíveis falhas de entrega (tenho certeza que isso acontece por aí também!), tendo sempre dois caminhões "de reserva".

Já fiz isso e vi isso sendo feito em grande escala na Holanda (lá eles adicionam 5% de polpa de laranja para auxiliar na fermentação).

Espero ter sido claro. Boa sorte.

José Roberto Peres
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