Diferenças entre depreciar e amortizar - II

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Alexandre de Campos Gonçalves1

Em seu artigo "Diferenças entre depreciar e amortizar - I" veiculado em 04.06.2003, o Dr. Paulo Araripe abordou os conceitos que envolvem a depreciação e amortização de bens, em especial aqueles relacionados ao ambiente agropecuário. Dando seqüência ao tema, vamos discorrer sobre alguns dos diversos métodos de cálculo da depreciação de bens, buscando apresentar exemplos práticos relacionados à atividade de pecuária leiteira.

Note que o objetivo deste artigo não é indicar qual o melhor método para cada ocasião, e sim apresentar formas variadas de visualizar a distribuição dos encargos da depreciação de um bem sobre o fluxo de caixa da Fazenda. Por vezes é possível adotar vários métodos dentro de uma mesma propriedade variando conforme o tipo de bem a ser depreciado.

A) - Método linear

Esse é o método de cálculo mais simples de ser adotado, considerando a depreciação de um bem em taxas ou cotas constantes ao longo do período de vida útil do bem. O método leva em conta que o bem tem capacidade de prover o mesmo benefício independente da fase de sua vida útil.

O cálculo considera a divisão do valor do bem (valor inicial - valor final) dividido pelos anos de utilização do mesmo (vida útil), gerando um valor idêntico para todos os anos.

Exemplo 1: Tomemos como exemplo a construção de uma sala de ordenha cujo valor total da construção e equipamentos estivesse por volta de R$ 25.000,00. Passados 20 anos de uso dessa instalação seu valor teria caído para R$ 9.000,00, e ela então careceria de uma grande reforma. Nesse contexto temos:


B) - Método aritmético

Também conhecido com Método da Soma dos Dígitos dos Anos. Neste método considera-se que com o passar do tempo o bem vai sendo progressivamente mais utilizado, com isso, os débitos da depreciação também são crescentes ao longo dos anos. Nele considera-se a soma dos dígitos de todos os anos, e a posterior divisão do número de cada ano pela soma geral para originar a porcentagem anual de depreciação do bem.

Exemplo 2: Determinada propriedade adquire um resfriador de leite no valor de R$ 9.500,00 e pretende ficar com ele por pelo menos quatro anos até que seja possível substituí-lo por outro maior. A previsão de valor de venda do produto após os quatro anos de uso estaria ao redor de R$ 4.300,00. Portanto, temos:


C) - Método das taxas decrescentes

Este método leva em conta uma maior utilização de um determinado bem nos primeiros anos de sua vida útil, e por conta disso, um valor decrescente de depreciação ao longo dos anos de uso. Seu cálculo é seqüencial levando em consideração uma depreciação equivalente ao dobro daquele adotado no método linear. Para cada ano de utilização do bem considera-se o saldo a depreciar no início do ano e aplica-se sobre esse saldo uma porcentagem equivalente ao dobro daquela que seria adotada no método linear. Para eliminar o valor residual de depreciação do último ano, considera-se o saldo a depreciar do penúltimo ano dividindo-o pelos dois últimos anos em igual proporção.

Exemplo 3: Neste caso vamos considerar a aquisição de uma ordenhadora mecânica de R$ 16.500,00, para ser utilizada durante 5 anos na propriedade, e revendida após esse período por cerca de R$ 7.500,00.




D) - Método das taxas variáveis

É também denominado método das unidades de produção, por considerar a depreciação do bem em relação direta ao seu uso durante sua vida útil. Ou seja, leva-se em conta o potencial total de uso de um bem e a parcela disso que foi efetivamente utilizada a cada ano. É um método mais simples na prática que na teoria, portanto vamos ao exemplo.

Exemplo 4: Adquire-se um trator de 75 cv para uso nas mais diversas práticas da atividade leiteira. A estimativa do potencial de uso do equipamento é de 8000 horas de serviço até que seja vendido ou careça de uma reforma. O preço inicial do trator é de R$ 56.000,00, enquanto seu preço final (antes da reforma) é de R$ 32.000,00. Daí vem que:


Como pudemos observar, diversas são as formas de distribuir os valores da depreciação de um bem ao longo de sua vida útil. Alguns métodos apresentam maior praticidade de uso enquanto outros se mostram mais equilibrados ou justos na distribuição dos valores. Com base no exposto, fica agora a cargo de você produtor, escolher em conjunto com sua equipe técnica, o método que melhor se adapta as suas expectativas. Boa sorte e até o próximo artigo!
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1Engenheiro Agrônomo MSc. PROJEPEC - Projetos & Consultoria Agropecuária
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