No Brasil, tradicionalmente, tem-se a idéia de que os animais que possuem registros emitidos por associações de criadores, são superiores em produção e genética ou são aqueles que devem ter maior valor de mercado. Em algumas criações animais, como na equinocultura, na pecuária de corte e na própria pecuária de leite, este fato é ainda mais marcante e, muitas vezes, ele é usado para mostrar o potencial produtivo de um rebanho.
Embora o fato de um animal ter um registro de origem passar a impressão de que ele é melhor ou mais valioso, é importante salientar que o chamado, popularmente, “papel” é semelhante à uma carteira de identidade e diz que seus pais eram registrados e que o criador deste animal participa de uma entidade chamada associação de criadores. Algumas associações agregam ao registro do animal informações sobre sua vida reprodutiva e produtiva, no entanto, os animais geralmente são registrados quando nascem, sendo impossível provar suas qualidades, sejam elas reprodutivas ou produtivas.
Por incrível que pareça, ainda é comum observar produtores adquirirem animais, por valores elevados, apenas por estes possuírem registro, sem nem ao menos verificar se o indivíduo realmente tem características produtivas condizentes àquilo que se pretende obter. O fundamental é avaliar tanto a produção como a reprodução do animal antes da compra, para depois verificar sua genealogia.
Um outro fator que impossibilita dizer que o registro é garantia de um produto superior, é que qualquer produtor pode ter um rebanho com registro, bastando, para tanto, adquirir animais já registrados. Assim, independentemente do manejo alimentar, sanitário e reprodutivo a que estes animais estarão sujeitos na nova propriedade, todos podem ser registrados, inclusive seus descendentes.
Mas, os recursos investidos no registro retornam? Compensa fazer o registro de todo o rebanho? É viável registrar animais numa atividade que trabalha com custos fixos altos e receita variável, como na pecuária leiteira? A resposta para todas estas perguntas é: depende. Não é correto generalizar para toda e qualquer situação, pois a receita obtida da venda de animais de reposição (novilhas e vacas adultas) é bastante variável também, e está atrelada ao mercado regional onde está a propriedade e ao desempenho do rebanho como um todo.
Os custo de registro de animais leiteiros tem valores que variam conforme a raça que se deseja criar. Tomando-se como base um rebanho de 100 cabeças, onde todos os animais serão registrados (inclusive os machinhos, para efeito de comparação com as raças que apresentam mercado para a venda deles), podemos encontrar valores de desembolso mensais próximos a R$ 180,00 e custos para tornar-se sócio de R$ 3.700,00 (filiação, afixo, blocos de anotações, registros, etc.). Além disso, sempre que o proprietário desejar realizar o registro de um lote de animais recém nascidos deve arcar também com a visita do técnico da associação em questão que, geralmente, cobrará os custos de viagem (quilômetro rodado, alimentação, estadia) mais um valor que varia entre R$ 180,00 e R$ 360,00. Portanto, se considerarmos que a cada visita deste técnico, sejam registrados em média 10 cabeças, agregamos no mínimo mais R$ 35,00 a R$ 40,00 por cabeça registrada. Some a esse custo o valor referente ao registro de cada animal novo, que varia de R$ 1,00 a R$ 34,00 por cabeça, conforme a Associação da raça.
No artigo passado (matéria de 17.08.2001) que trata de venda de animais e lucratividade, fica bem claro que estes custos (que não são tão baixos assim) devem recair sob o custo de produção de animais, não entrando, portanto, no custo de produção do litro de leite. Porém, se na região onde está a propriedade não há diferenciação no valor do animal com e sem registro, não há porque se agregar mais este custo. É importante observar também que, para que os valores investidos nos registros retornem mais rapidamente, é necessário fazer outros tipos de investimentos: exposições e controles leiteiros. Este último é realizado por empresas conveniadas com as associações e apresenta custos mensais semelhantes, ou seja, por cabeça de vaca controlada. Estes eventos também têm custos altos, mas serão discutidos em outra oportunidade, em outro artigo.
Existem vantagens na aquisição de animais registrados e na realização do registro dos próprios animais. Na associação, por exemplo, ficam armazenados dados importantes do desenvolvimento do animal, sua vida produtiva e reprodutiva, gerando idoneidade na relação entre vendedor e comprador no momento das negociações. Estes dados podem ser acessados pelos interessados nos animais e sua qualidade discutida. Além disso, se o rebanho em questão é conhecido pela boa qualidade genética e produtividade de seus animais, a probabilidade de, na aquisição de uma novilha ou vaca deste plantel, ter-se em mãos um excelente animal é bastante grande.
Nos EUA, Europa, Argentina e Uruguai é comum a existência de produtores especializados na criação e comércio de animais leiteiros jovens, todos registrados. Estes animais que tem alto valor comercial, são, em sua maioria, exportados para outros países e é o registro de origem que os identifica como animais melhorados.
Em resumo, se a receita oriunda de seus animais jovens e gado de reposição não é alterada pelo fato destes serem registrados, é preciso observar se há alguma outra vantagem adicional em se optar por realizar os registros, como por exemplo a isenção de ICMS nas vendas de gado puro. Como em toda e qualquer atividade comercial, a qualidade de seus produtos e o mercado, lhe direcionarão para a alternativa mais interessante.
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1Colaborou
Alexandre de Campos Gonçalves - Mestrando Depto. Produção Animal ESALQ/USP.
Material escrito por:
Paulo Araripe
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BENEDITO DA SILVA FILHO
OURO FINO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 09/02/2020
Boa tarde senhores criadores estou começando o meu giratório com uma Bezerra holandesa de 6 meses gostaria que me ajudassem obrigado meu email é
beneditosilvafilho@terra.com.br obrigado
beneditosilvafilho@terra.com.br obrigado
FELIPE ALARCON PERES
EM 05/03/2019
Artigo útil, esclaresceu minhas duvidas.