Em muitos países de pecuária leiteira mais tradicional estes bezerros são criados intensivamente em confinamento visando a produção de vitelos. Este tipo de criação se tornou viável em função da disponibilidade de sucedâneos lácteos de custo mais baixo e resultado semelhante ao leite, bem como pela demanda do mercado por carnes especiais (mais tenras e de sabor suave).
Os vitelos recebem diversas classificações, e podem grosseiramente ser divididos em vitelos de "carne branca" criados exclusivamente com leite enquanto os de "carne vermelha", recebem leite ou sucedâneo em quantidade e tempo restritos, seguido de dietas sólidas (volumosos e concentrados). Seu peso de abate pode variar entre 100 e 450 kg (o mais comum é 200-250 kg) em função do tempo de "confinamento" que pode variar entre 3 e 12 meses, tudo em função das exigências do mercado comprador.
A carne de vitelo normalmente é mais cara que as demais e requer maiores cuidados em seu preparo tendo, por isso, mercado mais restrito e exigente. No Brasil está se iniciando algum movimento em torno deste mercado que parece já ter consumidores principalmente nos grandes centros urbanos. Em função disso, algumas pesquisas começam a ser desenvolvidas neste setor, com a finalidade de estudar sua viabilidade. Exemplo disso é o trabalho conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa.
Vinte bezerros holandeses, puros por cruza, machos não castrados, foram criados do nascimento até a desmama, aproximadamente aos 75 dias e peso médio de 76 kg, numa dieta à base 4 litros de sucedâneo de leite, feno de capim coast-cross picado e concentrado à vontade. A partir da desmama os animais foram divididos aleatoriamente em quatro dietas com níveis crescentes de concentrado (45, 60, 75 e 90% de concentrado). O período experimental foi variável para cada tratamento pois os animais eram abatidos quando atingiam peso médio de 200 kg. As dietas eram constituídas de feno de coast-cross triturado como volumosos, farelo de soja, fubá de milho, calcáreo e mistura mineral, tendo sido calculadas com base nas recomendações do NRC (1988) para ganho de 1,0 kg por dia. As dietas oferecidas à vontade uma vez ao dia podem ser vistas na tabela 1.
Tabela 1: Dietas fornecidas no confinamento

Não foi observada diferença significativa (P<0,05) no consumo de matéria seca medido em kg/dia, porcentagem do peso vivo ou gramas por kg de peso metabólico (tabela 2). Os pesquisadores comentam que é de se esperar redução no consumo em dietas com menos de 20% de forragem na matéria seca, já que nestes casos o consumo é limitado pela ingestão de energia (dieta mais densa) e não pelo enchimento ruminal (teor de fibra da dieta). Em função disso, logicamente que o consumo de fibra detergente neutro (FDN) foi significativamente (P<0,05) menor nas dietas com maior proporção de concentrados (efeito linear decrescente - P<0,01). De qualquer maneira eles ressaltam a importância de uma quantidade mínima de fibra nas dietas, que garanta o bom funcionamento ruminal.
Também não houve diferença significativa (P<0,05) no consumo de proteína bruta (PB). As médias de consumo de PB, expresso em gramas por dia, foram de 598,82; 614,59; 593,85 e 599,88 respectivamente para as dietas com 45, 60, 75 e 90% de concentrado.
Tabela 2: Consumo de mat. seca, ganho em peso vivo e duração do confinamento

Já a análise de variância dos dados de conversão alimentar da matéria seca, proteína bruta e FDN mostraram haver efeito significativo (P<0,05) entre os diferentes níveis de concentrado da dieta. Em outras palavras, houve melhor utilização dos nutrientes da ração pelos animais, com a elevação dos níveis de concentrado.
Neste tipo de exploração a avaliação do ganho em peso vivo é medida indispensável para estimar o desenvolvimento dos animais. As análises de regressão mostraram aumento linear (P<0,05) do ganho em peso médio diário, com a elevação dos níveis de concentrado das dietas. Dessa forma, os animais recebendo dietas com maior nível de concentrado atingiram o peso de abate mais rapidamente, permanecendo portanto, menos tempo em confinamento (tabela 2). A relação entre dias de permanência em confinamento e níveis de concentrado na dieta foi significativa (P<0,05).
Os autores concluem que, de maneira geral, todos animais apresentaram ótimo desenvolvimento em confinamento, indicando assim a viabilidade de criação destes animais nesse sistema. O nível de 90% de concentrado proporcionou o melhor desempenho no confinamento.
No próximo artigo serão apresentadas algumas informações relativas aos custos de criação, características da carcaça e tamanho dos órgãos e vísceras dos bezerros.
Comentário do autor: os resultados deste experimento comprovam o grande potencial para ganho em peso de animais de raças leiteiras. É preciso que melhor se pesquise este tipo de exploração que pode contribuir para a viabilidade da atividade leiteira e, quem sabe num futuro, gerar mais empregos e até mesmo criar divisas para o país nas exportações.
Fonte: Ribeiro, T.R. et al., 2001. Influência do Plano Nutricional sobre o Desenvolvimento de Bezerros Holandeses para produção de Vitelos. Rev. Bras. Zootecnia, 30(6S): 2145;2153.