As regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil albergam em torno de 77% dos bovinos. São nestas regiões que se concentra a maioria dos trabalhos sobre helmintos de bovinos. Esses estudos, porém, são ainda insuficientes para estabelecer um quadro real dos danos causados pelas helmintoses gastrintestinais e pulmonares. Em algumas regiões estima-se que o índice de mortalidade provocado pelas helmintoses em bezerros esteja entre 5 e 10%. Todavia, a maioria dos animais apresenta uma infecção subclínica, cujos efeitos passam despercebidos para a grande parte dos técnicos e criadores. No gado jovem, as helmintoses podem causar redução do ganho de peso, o qual persiste mesmo após a eliminação da infecção.
O tratamento sem planejamento usualmente utilizado a campo aumenta o custo final do leite produzido na propriedade e ainda ajuda a desenvolver resistência aos helmintos, mesmo quando se utiliza vermífugos considerados de última geração.
Baseado em estudos prévios sobre a variação dos níveis de incidência dos parasitas ao longo do ano e nos dados meteorológicos da região, um grupo de pesquisadores da UFMG buscou determinar as melhores épocas do ano para a realização dos tratamentos estratégicos, na região de Florestal, em Minas Gerais.
O interessante nesta pesquisa, além dos diferentes esquemas de tratamentos com anti-helmíntico realizados em quatro grupos distintos de bezerros, na faixa de 8 a 10 meses de idade (Tab.1), foram as épocas em que os vermífugos (ivermectina - oral na dose de 200 (g/Kg pv) foram utilizados.
Tabela 1- Tratamentos com anti-helmíntico

A Tab. 2. evidencia os resultados de ganho de peso e do opg (número de ovos por grama de fezes) dos quatro grupos de bezerros. Os grupos 2 e 3 apresentaram uma redução significativa nos resultados do opg durante todo o período do experimento. Os grupos 2 e 3 apresentaram, também, um ganho de peso superior.
Tabela 2- Ganho de peso e opg no início e no final do experimento dos quatro grupos

De acordo com dados da EMBRAPA, a média de tratamentos anti-helmínticos realizada em rebanhos do sudeste brasileiro é de 3,8 tratamentos ao ano. Além disso, 84% dos rebanhos são tratados em períodos do ano aleatórios. Diante deste aspecto, o regime de três tratamentos anuais irá reduzir o número de tratamentos atualmente administrados.
Dentre os parasitas encontrados neste estudo, a Cooperia e o Haemonchus foram os mais prevalentes seguidos do Oesophagostomun e do Trichostrongylus em menores proporções. Um ponto a ser destacado nos dados obtidos, foi uma aparente resistência da Cooperia à Ivermectina, fato que também foi relatado em 1995 e 1996 por pesquisadores na Nova Zelândia.
Por fim, fica a ressalva de que a determinação do tratamento estratégico para áreas específicas representa um importante avanço no controle das helmintoses em bovinos. E este fato, em contrapartida aos dados obtidos pela EMBRAPA, que mostram que os tratamentos com anti-helmínticos utilizados a campo em Minas Gerais não levam em conta os momentos propícios do ano para a realização do tratamento, resulta em um melhor custo/benefício para toda a exploração animal da propriedade.
Assim sendo, torna-se importante e de fácil determinação o conhecimento prévio das épocas do ano nas quais ocorre o aumento da incidência dos diferentes tipos de helmintos. Este fato permitirá a elaboração do tratamento estratégico que, sem sombra de dúvidas, contribuirá para uma melhor saúde do rebanho e para o aumento da produtividade do plantel.
fonte: Veterinary Research Communications, v.24, p.31-38, 2000