Controle da Qualidade por toda a empresa

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Paulo José Araripe Costa

Novamente estamos abordando o tema Qualidade Total, dada sua importância cada vez maior no cenário agropecuário. É sabido hoje que aqueles que não buscarem através de planos de gestão adequar suas atividades a padrões de qualidade total, em curto ou médio prazo, fatalmente estarão excluídos do mercado.

Além do medo da exclusão que outros motivos levariam um produtor de leite a adotar essas técnicas de administração? A resposta é simples e direta: "Resultado Econômico". Existem inúmeras situações em que a falta de qualidade do produto leva a prejuízos diretos, um exemplo é a devolução de leite por parte do laticínio por não atender as especificações requeridas, além do prejuízo direto da perda do leite daquele dia, perde a imagem da propriedade frente ao seu consumidor e a sociedade, sem falar nas perdas inerentes as causas das alterações da qualidade do produto (mamites, higiene na ordenha, etc.).

Fazer bem feito, com qualidade, leva a economia operacional e de insumos, uma vez que estes passam a ser melhor aproveitados resultando tão somente na redução no custo final do produto, dando ao pecuarista maior competitividade no mercado, ou maior rentabilidade com a atividade.

Visto isso, por que os métodos de gestão pela qualidade total (GQT) são tão pouco empregados? O problema é que todos os programas de GQT passam pela transformação total da forma de encarar a atividade, e por uma mudança radical na forma de pensar e agir de todos os integrantes da empresa, sem exceção, desde a gerência até o funcionário de serviços gerais. Somente com o comprometimento e participação ativa de TODOS é possível implementar um programa como este.

O conceito de qualidade total objetiva num primeiro momento garantir a sobrevivência da empresa, além de redireciona-la no caminho da prosperidade (objetivo final). Para tanto é fundamental perceber que ela está diretamente ligada a satisfação total do consumidor (cliente), que pode ser separada em cinco aspectos:

(1) QUALIDADE INTRÍNSECA DOS PRODUTOS - diz respeito a confiabilidade, previsibilidade, e ausência de defeitos ou problemas de outra ordem;

(2) CUSTO - é preciso que o custo do produto seja compatível com o valor por ele recebido, para tanto é preciso adequar todo o sistema de produção almejando maior competitividade no mercado;

(3) ATENDIMENTO - entregar quantidade e qualidade previamente acordadas ao consumidor, respeitando prazos e responsabilizando-se pela substituição em caso de alguma anomalia;

(4) SEGURANÇA - ausência de riscos a saúde do consumidor;

(5) MORAL DOS EMPREGADOS - diz respeito à motivação dos funcionários da empresa, para que ela se manifeste é fundamental que eles sejam respeitados, tenham possibilidades reais de crescimento como pessoa e no serviço, recebam salários compatíveis aos praticados na região, em suma, considere seu funcionário como mais um "cliente" da empresa.

Existem várias formas de implantar um sistema de Qualidade Total, algumas inclusive já discutidas anteriormente (artigos do MilkPoint - coluna de gerenciamento de 18.05.2001 e 09.02.2001). Discutiremos a seguir seu modelo gerencial básico, que é conhecido com ciclo PDCA ou ciclo de Deming, e pode ser visualizado na figura 1.

Figura 1: Ciclo PDCA ou ciclo de Deming

Figura 1


"PLAN" (P) (r) planejar:

Nessa etapa é preciso estabelecer um plano de metas, bem como os procedimentos necessários para que elas sejam atingidas e o cronograma geral. É preciso tomar por base os resultados já obtidos na propriedade carecendo portanto de uma boa avaliação prévia. É nesse ponto que são estabelecidos o limite aceitável de tempo e a amplitude de resultados permitida.

Um exemplo claro é o manejo reprodutivo do plantel, nele geralmente objetiva-se que as novilhas cheguem a um determinado peso para cobertura numa faixa de idade específica. Nesse caso fica determinada a amplitude de resultado (peso vivo do animal), e o limite de tempo (idade da novilha).

"DO" (D) (r) fazer, executar:

É aqui que aquilo que foi planejado vai a termo, através de tarefas específicas. Antes da execução propriamente dita é preciso treinar todos envolvidos. Iniciados os trabalhos é preciso monitorar todos os procedimentos envolvidos analisando a forma como são executados e se correspondem ao planejado, permitindo assim correções dos procedimentos do planejamento inicial.

Seguindo em nosso exemplo, promove-se o monitoramento constante (mensal) do ganho de peso das novilhas verificando se tudo está de acordo para que na idade estabelecida elas atinjam o peso desejado. Se por um acaso uma determinada novilha não apresentar bom ganho de peso é preciso verificar qual o problema que está ocorrendo (figura 2).

"CHECK" (C) (r) checar, aferir:

A checagem do processo ocorre tão logo ele tenha terminado, manifestando assim uma série de efeitos. É o ponto em que são comparados os resultados ao que fora previamente planejado.

Agora verificamos o resultado (idade e peso das novilhas) obtido, estando igual ou acima do planejado tudo ocorreu dentro do esperado, e deve continuar como está no próximo ciclo ou até mesmo nova meta deva ser estabelecida. Caso esteja abaixo é preciso identificar o problema, verificando se os procedimentos operacionais foram rigorosamente cumpridos ou se ocorreram falhas por falta de treinamento adequado ou motivação à altura. A segunda possibilidade é um equivoco no procedimento, e nesse caso é preciso verificar onde ele está errado, para tanto pode-se fazer uso do Diagrama de Ishikawa ou Diagrama de Causa e Efeito. No modelo da figura 2 temos um diagrama simplificado, o ideal é que ele seja mais complexo, englobando em cada uma das variáveis todos os seus aspectos importantes (ex. mão-de-obra: capacitação, motivação e remuneração do operador) elevando o número de entradas no sistema e facilitando a visualização dos pontos onde podem estar ocorrendo problemas.

Figura 2: Diagrama de Ishikawa (simplificado)

Figura 2


"ACTION" (A) (r) ação corretiva:

Uma vez constatados desvios entre o planejamento e a execução, a gerência deve promover as correções necessárias ao ajuste do processo produtivo

Se for constatado problema na execução dos procedimentos, a ação corretiva indicada é oferecer treinamento maior aos envolvidos. No caso do não atingimento dos resultados decorrer de outras causas, é preciso identificar a origem do problema e promover as devidas correções no planejamento (P).

Embora tudo pareça muito simples é fundamental atentar para que todas as etapas do ciclo sejam cumpridas corretamente. É muito comum ver situações onde o produtor estabelece os procedimentos (P), como o calendário sanitário, ou o plano de secagem dos animais, ou o escalonamento do plantio de lavouras, porém, quando de sua execução problemas vários (climáticos, de pessoal, etc.) impedem que sejam colocados em prática. Nesse caso a fase "D" não é cumprida à contento carecendo urgente da interferência da gerência identificando os problemas e reformulando o planejamento.

Uma vez atingidos resultados positivos passa-se a segunda fase do processo conhecida por ciclo "SDCA" onde o P é substituído por S referente a "Standartization", ou seja, ficam padronizados os procedimentos a serem adotados, podendo aqui entrar em ação com maior ênfase o uso de protocolos (ver artigo do MilkPoint - coluna de gerenciamento de 05.05.2000).

Reúna seu pessoal e apresente essa idéia, afinal de contas é fundamental que TODOS os envolvidos estejam dispostos a colaborar com o sucesso desse modelo de gestão. Boa sorte!


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1Colaborou

Alexandre de Campos Gonçalves - Mestrando Depto. Produção Animal ESALQ/USP.
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