Controle da Mosca-dos-chifres em Nanuque / MG

A mosca-dos-chifres (Haematobia irritans) é um parasita hematófogo que ataca o gado leiteiro e de corte. Saiba mais sobre o assunto, acesse aqui!

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Renata de Oliveira Souza Dias

A mosca-dos-chifres (Haematobia irritans) é um parasita hematófogo que ataca o gado leiteiro e de corte. No continente americano a mosca é observada ao redor dos chifres. Na América do Sul, apresenta-se com maior regularidade na paleta e no cupim. A sua alimentação é intermitente, se alimentando de 20 a 40 vezes por dia. As fêmeas são mais agressivas e picam 1,5 vezes mais freqüentemente (40 vezes / dia) do que os machos (25 vezes / dia), com um consumo de sangue na ordem de 0,5 a 1,7 micrograma por picada. Além de sugar o sangue e irritar o animal (daí seu nome Haematobia irritans) ela é responsável pela redução de ganho de peso e produção de leite, transmissão de importantes patôgenos e danos no couro do animal.

Em 1830, foi reconhecida como uma praga de bovinos na França. Até então, restrita à Europa, aproximadamente em 1886 chegou aos EUA, onde nesta época (após a guerra civil, 1861 - 1865), o país estava em plena expansão agrícola e, portanto, importavam muitos bovinos da Europa. Em 1887 havia relatos de produtores americanos que reclamavam da presença nociva da mosca. Acompanhou exportações de bovinos para o Canadá e sua presença foi registrada em 1892. No começo do século ela se fazia presente na ilhas do Caribe. Na década de 1930 chegou à América do Sul. Apareceu no Brasil em 1976-1977 vinda da Guiana, alcançando o estado de Minas Gerais no final de 1989.

O grau de infestação da dinâmica de populações está relacionado com a densidade de bovinos por hectare, fatores ambientais (tais como a umidade relativa, temperatura e precipitação), quantidade de fezes frescas nos pastos e presença de ferormônios nos bovinos.

Frente ao cenário da crescente importância desta mosca e seus expressivos prejuízos foi realizado um trabalho de pesquisa em Nanuque/ MG objetivando propor uma estratégia de controle, baseada no tratamento de 50% do rebanho. Dados de pesquisa apontam que 60 a 80% das moscas encontram-se nos animais mais infestados, representando estes ao redor de 30% do rebanho. Desta forma, buscou-se obter menor contaminação de resíduos nos alimentos (carne e leite), retardar o fenômeno da químioresistência e tratar apenas os animais mais infestados, introduzindo desta forma, os conceitos atuais da pesquisa no controle da mosca-dos-chifes ao nível das propriedades rurais.

No local onde foi realizado o experimento houveram relatos de resistência a mosquicidas com os quais os animais eram tratados a cada 7 dias. As vacas foram divididas em dois grupos: mais infestados com uma média de 374 mosca/animal e menos infestados com uma média de 99,9 mosca/animal. Isso indica que 78,9% das moscas dos animais do rebanho estavam parasitando os animais do grupo tratado no dia inicial do experimento. A droga utilizada foi a cipermetrina 5%, formulação por-on, a nível tópico na linha dorsal. A dose utilizada foi de 1 ml / 10 Kg de p.v. Após o tratamento do grupo mais infestado foram feitas contagens das moscas nos dias 0 (inicial), 10, 21 e 30, das 9:30 às 11:30 horas da manhã.

Ao efetuar a contagem após as duas primeiras horas do tratamento não foram detectadas moscas, comprovando o efeito lipofílico, repelente e de contato do produto utilizado. A eficácia aos 21 dias após o tratamento foi de 85,96% para o grupo tratado e 66,15% para o grupo controle, sendo a eficácia geral de 81,78%. No dia 30 o grupo tratado apresentou uma eficácia de 75,81% e o testemunha de 45,62%, sendo a eficácia geral de 44,04%. Desta forma, demonstrou-se que a proteção foi de 30 dias, devendo ser repetido o tratamento com essa freqüência.

Observou-se ao final que a cipermetrina 5% demonstrou eficácia e proteção frente a infestações naturais de mosca-dos-chifres, mediante a utilização do método de tratamento de 50% dos animais infestados. A estratégia de tratar apenas 50% dos animais mais infestados garante uma menor contaminação e uma maior lucratividade ao pecuarista.
Em última análise os autores do referido trabalho de pesquisa destacam as seguintes orientações para o pecuarista que sofre com os prejuízos ocasionados por este parasita:

* Evitar a utilização de formulações de alta persistência (alto poder residual)
* Quando um produto deixar de ser efetivo, não aumentar a dose nem o número de aplicações
* Usar somente produtos autorizados, evitando formulações caseiras
* Iniciar as aplicações com produtos que menos afetam os agentes de controle biológico
* Posteriormente, alternar produtos que apresentam resistência cruzada negativa entre eles
* Recorrer ao uso de uma maior quantidade de medidas não-químicas no combate aos parasitas
* Manter um registro detalhado das atividades de combate químico na sua propriedade

Fonte: A Hora Veterinária, ano 19, n.112, p.27-32, (dezembro) 1999.

Onde saber mais:

http://web.missouri.edu/~vmicrorc/Arthropods/Diptera/Haematob.htm

http://www.cueronet.com/tecnica/mosca2.htm

http://www.icb.usp.br/~marcelcp/Haematobia.htm

LEITE, R.C; COLLARES, N.C.P; SANTIAGO, M.C. & SILVA, E.V.; Considerações básicas para a implantação do controle estratégico da Haematobia irritans em grande área geográfica. Apontamentos preliminares. Belo Horizonte, EV-UFMG, 1991.10p.
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Renata de Oliveira Souza Dias

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