Consorciação de gramíneas e leguminosas forrageiras em pastagens

Pastagens: A consorciação é uma prática que permite associar numa mesma área o plantio de culturas diversas para aumentar o rendimento, enriquecer a vida biológica do solo e protegê-lo contra a erosão. Podendo também ser considerada como uma técnica agrícola de conservação que visa um melhor aproveitamento em longo prazo do solo, bem como o cultivo na qual se utiliza mais de uma espécie de planta na mesma área e no mesmo período de tempo. Por Dheyme Bolson (Graduanda da UFMT), Dalton Pereira (Professor da UFMT) e Bruno Carneiro e Pedreira (Pesquisador da Embrapa)

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 Consorciação de gramíneas e leguminosas forrageiras em pastagens

Dheyme Cristina Bolson, Graduanda em Zootecnia – UFMT, Campus Sinop;
Dalton Henrique Pereira, Professor da Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Sinop;
Bruno Carneiro e Pedreira, Pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril.


A produção animal, em grande parte das regiões tropicais, é limitada principalmente, pela variação de qualidade da forragem em oferta ao longo do ano. Essa qualidade é reflexo da concentração da produção no período das chuvas, com grande oferta de forragem, porém, em contradição nas demais estações do ano, com baixa oferta e qualidade, afetando diretamente a produção animal. Além disto, as gramíneas tropicais possuem menor qualidade de forragem do que as gramíneas de clima temperado e a introdução de leguminosas adaptadas nas pastagens tropicais resolvem problemas como a baixa disponibilidade de nitrogênio e os baixos teores de proteína na dieta dos ruminantes.
A consorciação é uma prática que permite associar numa mesma área o plantio de culturas diversas para aumentar o rendimento, enriquecer a vida biológica do solo e protegê-lo contra a erosão. Podendo também ser considerada como uma técnica agrícola de conservação que visa um melhor aproveitamento em longo prazo do solo, bem como o cultivo na qual se utiliza mais de uma espécie de planta na mesma área e no mesmo período de tempo (Peixoto et al., 2001). Sendo algumas espécies mais adaptadas à consorciação, como os gêneros Stylosanthes, Arachis, Leucaena, dentre outras.
Mas para a adoção dessa técnica é necessário avaliar alguns pontos críticos do processo, como as diferenças morfológicas entre leguminosas e gramíneas forrageiras, em que as gramíneas são mais eficientes na utilização de água, de alguns nutrientes minerais e apresentam uma eficiência fotossintética mais alta, que resulta na taxa de crescimento e potencial de produção de forragem superior ao das leguminosas (Nascimento Jr., et al., 2002). Ressaltando também sua forma de crescimento e propagação diferenciada, onde a gramínea é mais agressiva e competitiva, pela presença de perfilhos e ramificações, já a leguminosa apresenta grande dependência da planta mãe, custando a possuir vigor e eficiência própria.
Dentro desses critérios, o manejo deve ser direcionado para favorecer as leguminosas, porém sem comprometer a produtividade das gramíneas, escolhendo uma associação compatível entre a gramínea e a leguminosa, em que as condições climáticas não sejam limitantes, assegurando um suprimento adequado de nutrientes, para otimizar o crescimento da leguminosa forrageira.
Dentre os benefícios do uso de leguminosas estão a melhor qualidade do pasto; maior ganho de peso animal; economia nos gastos com adubação nitrogenada; recuperação de áreas degradadas; maior cobertura de solo e melhor proteção, além da garantia de um processo não poluente e ambientalmente correto.
O melhor desempenho animal em pastagens consorciadas é explicado por apresentarem em geral melhor valor alimentício em relação às gramíneas. Maiores níveis de proteína bruta e de digestibilidade são os atributos mais marcantes (Pereira, 2002).
O uso de leguminosas em pastagens vem para suprir os níveis de nitrogênio que, ao longo dos anos, acaba se tornando insuficiente para o desenvolvimento satisfatório das gramíneas, logo, a consorciação em pastagens é uma forma de aumentar o aporte de N no sistema, uma maneira econômica.
Não se trata de uma novidade para o pecuarista, embora o emprego desta técnica, anteriormente, tenha implicado em limitações pela própria falta de tradição e conhecimento dos pecuaristas, e técnicos em usar e manejar adequadamente as pastagens consorciadas.

Referências Bibliográficas
NASCIMENTO Jr., D.; GARCEZ NETO, A. F.; BARBOSA, R.A.; ANDRADE, C. M. S. Fundamentos para o Manejo de Pastagens: Evolução e Atualidade. In:, Simpósio Sobre Manejo Estratégico da Pastagem, UFV, Viçosa, pag.149-196, 2002.
PEIXOTO, A. M,; PEDREIRA, C. G. S.; MOURA, J. C.; FARIA, V. P. A Planta forrageira no sistema de produção. In: 17º Simpósio sobre Manejo da Pastagem. Anais...FEALQ, Piracicaba, 2001.
PEREIRA, J.M. Leguminosas Forrageiras em Sistemas de Produção de Ruminantes: Onde Estamos? Para Onde Vamos? In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO PASTAGENS, Viçosa, MG. Anais... UFV, pag. 109, 2002.
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Bruno Carneiro e Pedreira
BRUNO CARNEIRO E PEDREIRA

SINOP - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 29/08/2013

Prezado Ramon,

Infelizmente, não tenho experiência com o capim Pernambuco.

Att.

Bruno
RAMON NETTO
RAMON NETTO

PRADO - BAHIA - PESQUISA/ENSINO

EM 29/08/2013

POR FAVOR, QUAL A MELHOR OPÇAO DE LEGUMINOSA PARA CONSORCIAR COM CAPIM PERNAMBUCO PARA CAVALOS NO EXTREMO SUL DA BAHIA, MUNICIPIO DO PRADO BA. TERRENO ARGILO ARENOSO. ? OBRIGADO
Qual a sua dúvida hoje?