O trabalho foi realizado no Laboratório de Produção e Pesquisa de Ovinos e Caprinos (LAPOC), na Fazenda Experimental da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, e teve o objetivo de avaliar o desenvolvimento ponderal de cordeiros confinados resultantes dos seguintes cruzamentos:
(1) carneiro Suffolk e ovelhas Suffolk: cordeiros Suffolk;
(2) carneiro Suffolk e ovelhas Santa Inês: cordeiros Suffolk X Santa Inês;
(3) carneiro Santa Inês e ovelhas Suffolk: cordeiros Santa Inês X Suffolk;
(4) carneiro e ovelhas Santa Inês: cordeiros Santa Inês.
Manejo dos Animais
Em idade pré-estabelecida de 45 dias, os cordeiros foram desmamados, pesados e everminados pela primeira vez. Foram então confinados em baias coletivas de 6,3 m x 4,0 m, com piso ripado suspenso, até atingirem o peso vivo de abate. Os cordeiros foram pesados semanalmente após jejum sólido de 16 horas, para obtenção do ganho médio diário, tendo sido os mesmos retirados para abate com 30-32 kg de peso vivo.
A dieta fornecida "ad libitum" (à vontade) era composta por silagem de milho mais ração farelada (51 % milho grão moído, 30 % farelo de soja (45%), 15 % farelo de trigo, 0,5% sal comum, 1% suplemento mineral, 2,5% calcáreo calcítico e 20 mg/kg ração de monensina sódica), formulada de acordo com NRC (1985). Os animais eram alimentados duas vezes ao dia com sobra de 20% pra não restringir o consumo. A composição química dos alimentos encontra-se na TABELA 1.
Tabela 1 - Composição química (% na MS) dos alimentos utilizados no confinamento.

A diferença entre o ofertado e as sobras foi dividida pelo número de cordeiros presentes em cada grupo para se estimar o consumo médio de ração por cordeiro. Devido à não individualização dos animais, a conversão alimentar não foi calculada. O custo da ração foi calculado a partir dos preços dos ingredientes, no segundo semestre de 2010.
Resultados Obtidos
Os grupos foram semelhantes (P>0,05) quanto ao peso vivo ao abate, mantendo-se ao redor de 31 kg, uma vez que este foi pré-estabelecido como referência para o término da avaliação.
Tabela 2 - Médias estimadas e desvios-padrão para peso ao abate (PA), ganho médio diário pós desmame (GMD) e idade de abate (IA) dos cordeiros dos quatro grupos genéticos.

Os animais da raça Santa Inês apresentaram desempenho inferior no pós-desmame (0,231 kg/dia), o que resultou em maior número de dias em confinamento (85,7 dias) e superior idade de abate (134,1 dias), quando comparados com os cordeiros dos demais grupos genéticos. Os resultados obtidos no presente estudo estão em concordância com CUNHA et al. (2001) que afirmaram que em sistemas intensivos, os cordeiros Santa Inês apresentam desempenho inferior às tradicionais raças de corte.
Na TABELA 03, verifica-se correlação significativa (P<0,01) positiva (R=0,730) entre o ganho de peso no período pré e pós-desmame. Os cordeiros Suffolk e Santa Inês que tinham apresentado maior e menor ganho médio diário na fase pré-desmame, respectivamente, continuaram apresentando a mesma performance na fase pós-desmame. Destaca-se então a importância da lactação e a presença do sistema de alimentação em creep feeding resultando em melhor peso ao desmame e desempenho pós-desmame dos animais terminados em confinamento, conforme cita RIBEIRO (2006).
Tabela 3 - Coeficientes de correlação (R) entre peso das ovelhas ao parto (PPo), peso dos cordeiros ao desmame (PDc), peso das ovelhas ao desmame (PDo) e ganho médio de peso dos cordeiros pré (GMDpré) e pós-desmame (GMDpós) e respectivos níveis de significância (P).

O ganho médio diário observado durante o confinamento foi semelhante entre os cordeiros Suffolk (0,426 kg/dia), os cruzados Suffolk X Santa Inês (0,353 kg/dia) e os cruzados Santa Inês X Suffolk (0,386 kg/dia). Indica-se então a possibilidade de utilização dos cruzamentos estudados com resultados semelhantes ao da raça Suffolk, quanto ao desempenho pós-desmame. Os resultados obtidos neste trabalho confirmam o relatado na literatura (CARDELLINO, 1989) no sentido de que animais filhos de reprodutores de raças especializadas para carne apresentam maior velocidade de crescimento que aqueles de raças mais rústicas.
Com o aumento do peso ao desmame e superior desempenho após o desmame, houve redução no período de confinamento dos cordeiros da raça Suffolk e cruzados, o que levou à diminuição do custo com alimentação concentrada para terminação.
Não houve diferença no ganho pós desmame e idade de abate comparando-se entre si os cordeiros dos cruzamentos. Cordeiros resultantes dos cruzamentos apresentaram maior ganho médio diário após o desmame, com inferior idade de abate, do que os cordeiros puros Santa Inês, permanecendo menor tempo em confinamento. Pode-se inferir que a raça Suffolk nos cruzamentos com a raça Santa Inês exerceu influência sobre o desempenho dos animais no período pós-desmame, confirmando MACEDO et al.(1998). SANTOS et al. (2003) verificaram que o uso de reprodutores Suffolk sobre fêmeas Santa Inês diminuiu a idade de abate dos cordeiros em relação à raça materna, devido ao melhor desempenho dos mestiços no pré e pós-desmame, o que se confirmou neste estudo no período pós-desmame.
Esta diferença é explicada pelo maior potencial para ganho de peso da raça Suffolk, por ter sido raça selecionada para carne desde o século XVII (KENYON, 2006) e consequentemente apresentar maior velocidade de crescimento que a Santa Inês, de formação mais recente, conforme BARROS et al. (1999).
Os consumos médios da ração (MS) durante o confinamento foram iguais a 1,0; 0,940; 0,880 e 0,620 kg de ração/animal/dia, respectivamente, para os grupos genéticos Suffolk, Santa Inês x Suffolk, Suffolk x Santa Inês e Santa Inês. Considerando apenas o consumo de ração concentrada e o período em confinamento (32,7 dias; 42,3 dias; 50,9 dias; 85,7 dias em média para os quatro grupos, respectivamente) com o preço por kg de MS da ração (R$ 0,56), os custos médios diários, apenas com ração concentrada, foram R$ 18,37; R$ 22,27; R$ 25,08 e R$ 29,75, por cordeiro confinado após o desmame, indicando a importância da velocidade de crescimento para a economicidade do produtor. O cálculo objetivou apenas avaliar o custo da ração concentrada no confinamento, sem considerar todos os demais custos do sistema de produção, inclusive o consumo do volumoso. Sabe-se que o custo com a alimentação do rebanho pode atingir 60 % (SIQUEIRA et al., 2001) a 80% do total, sendo importante a redução de duração do ciclo de produção dos ovinos, com alcance do peso de abate o mais cedo possível.
Referências bibliográficas
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