No de 2002, foi publicada uma pesquisa que também buscou determinar a pressão exercida sobre a sola do casco. Porém, desta vez, foram utilizados aparelhos mais modernos, que além de determinar com maior precisão a unha que sofre maior pressão, possibilitou ainda determinar as áreas da unha mais pressionadas pelo peso do animal.
O objetivo maior deste tipo de pesquisa é comparar os dados de pressão com as características clínicas do casco e, com isso, aperfeiçoar o entendimento sobre as áreas do casco mais predispostas à ocorrência de lesões.
Já se sabe que os animais submetidos ao confinamento total em pisos de concreto apresentam um significativo aumento na incidência de lesões podais. Já foi comprovado também, que durante o confinamento o formato do casco sofre alterações. Provavelmente, o processo natural de crescimento e abrasão do tecido córneo é alterado pela aspereza do concreto e pela modificação na distribuição do peso do animal. Este conjunto de fatores pode ser uma importante causa da malformação do casco, característica muito comum nos rebanhos leiteiros. Por exemplo, suspeita-se que a excessiva concentração da pressão sobre o solo em determinados pontos do casco pode favorecer a inflamação da área ou à ocorrência de hemorragias na sola e até mesmo contribuir para a formação de um tecido córneo de baixa qualidade e frágil.
A pesquisa aqui relatada utilizou vacas holandesas em lactação com cascos sadios. Para aprimorar a avaliação de cada região da unha, foi empregada a classificação em 6 regiões, método largamente utilizado em pesquisas no casco do bovino (Figura 1). Os resultados do estudo evidenciaram que a pressão exercida sobre a sola foi superior à pressão exercida sobre a muralha (Figura 2). Pôde ser observado também, que os pontos que sofrem maior pressão são a região 3 na unha lateral do casco posterior esquerdo (área vermelha na figura 2) e a região 5 na unha medial do casco posterior esquerdo (área amarela na figura 2). A figura 2 mostra claramente que a unha lateral apresenta uma maior área de contato com o solo e que sofre uma maior pressão (áreas amarelas e vermelhas) quando comparada com a unha medial. Já nos cascos anteriores, foi observado que a maior pressão é sofrida pela unha medial. De maneira geral, os autores observaram que a pressão máxima é exercida na parte posterior da unha lateral nos membros posteriores e na parte anterior da unha nos membros anteriores. Tanto no membro anterior, quanto no posterior, não houve diferença significativa entre os cascos direitos e esquerdos. O gráfico 1 apresenta a distribuição média da pressão observada nas diferentes unhas do bovino.
Em última análise, este estudo mostra definitivamente que a distribuição do peso do animal não é homogênea em toda a sola do casco. Os resultados desta pesquisa sugerem uma relação causal entre as áreas onde foram determinadas pressões mais altas com as áreas mais afetadas do casco, onde são encontradas as Úlceras de sola e a Doença da Linha Branca. Embora sejam ainda necessários muitos estudos nesta área, a pressão sofrida pela sola do casco é um dos fatores predisponentes para as lesões de sola, principalmente em cascos frágeis e acometidos com a laminite.
Figura 1. A unha do casco é dividida em 6 zonas para facilitar a avaliação da pressão sofrida em cada região
zona 1- linha branca da pinça;
zona 2- linha branca abaxial;
zona 3- bulbo abaxial;
zona 4- junção do bulbo com a sola ;
zona 5- ápice da sola;
zona 6- bulbo.

Figura 2. Distribuição da pressão na sola do casco posterior esquerdo. A pressão máxima é 70 N/cm2 (área vermelha); 50 N/cm2 (área amarela); 40 N/cm2 (área verde); 20 N/cm2 (área azul claro); 10 N/cm2 (área azul).

Gráfico 1- Distribuição média da pressão sofrida pelo casco nas unhas laterais e mediais do membro posterior e anterior

Fonte:
VAN DER TOL, P.P.J.; METZ, J.H.M.; NOORDHUIZEN-STASSEN, E.N.; BACK, W.; BRAAM, C.R.; WEIJS, W.A. The pressure distribution under the bovine claw during square standing on a flat substrate. J. Dairy Sci., v.85, p.1476-1481, 2002.