Como e quando seu negócio terá sucesso?

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Dando seqüência à série de artigos sobre a confecção de projetos de negócios para fazendas, discorreremos a respeito da realização de orçamentos e fluxos de caixa da atividade desenvolvida.

O terceiro passo no desenvolvimento de um plano empresarial é responder a pergunta: "Como e quando você planeja chegar lá?" A resposta é: fazendo orçamentos parciais e/ou integrais da atividade. Esta ferramenta é útil para analisar os vários caminhos que você pode escolher para alcançar sua(s) meta(s).

Os orçamentos parciais mostram o que as mudanças na atividade acarretam no negócio. Há duas hipóteses a serem avaliadas em um orçamento parcial: (1) aumentaram as receitas e diminuíram os custos; (2) aumentaram os custos e diminuíram as receitas.- Se ocorre a primeira opção, é esperado que esta mudança torne a atividade lucrativa e, então, ela deve ser implementada.-

Orçar parcialmente é uma grande ferramenta para lhe ajudar a olhar para muitas situações duvidosas, onde as mudanças envolvem incerteza de preços e rendimentos. Uma análise de sensibilidade que resuma os efeitos de se alterar o nível de produção (volume de leite, por exemplo) ou que avalie como se comportarão as variáveis que regem o preço recebido pelo produto pode ser útil na definição do risco associado que a proposta de alteração traz como consequência. Um curto resumo das diferentes estratégias que foram avaliadas também pode ser incluído para mostrar para o investidor as alternativas consideradas.- -

O orçamento integral inclui todas as receitas e despesas do negócio, e é usado como a pedra fundamental do plano empresarial.- Ele é útil para calcular a rentabilidade global esperada e exemplificar o fluxo de caixa demonstrado em seu plano empresarial.- Portanto, prepare orçamentos integrais sempre.

O orçamento integral de uma fazenda se baseia nas receitas e despesas projetadas e nos detalhes que influenciaram esses resultados.- Um detalhamento mínimo que deve constar no orçamento integral deveria consistir, pelo menos, nestes planos: (1) lavouras; (2) rebanho; (3) alimentação de rebanho; (4) comercialização; (5) obtenção de financiamento e pagamento de empréstimos.

O plano lavouras resume as culturas a serem desenvolvidas, a produção total e os modos pelos quais as colheitas serão comercializadas.- Se algumas lavouras são cultivadas para alimentar seu gado, esta despesa está relacionada ao plano alimentação de rebanho. Outra alternativa é considerar que o plano alimentação de rebanho comprou a comida do plano lavouras, que deve apresentar em suas receitas as entradas (em dinheiro) pertinentes à esta transação. O valor pago de um plano para outro, pode ser o custo de produção obtido na propriedade ou o custo de mercado na região, atentando para sempre se considerar o mesmo sistema para todos os planos, evitando que este ou aquele setor seja prejudicado.

O ideal é que o plano lavouras esteja baseado em um mapa detalhado da fazenda, mostrando como está sua exploração física.- Devem ser identificados os diferentes campos, as colheitas a serem realizadas, a topografia, os tipos de solo presentes e a presença de áreas irrigadas/sequeiro.- Inclua este mapa como um anexo ao plano e sempre situe sua planilha colocando referências que possam ser visualizadas neste mapa.

O plano rebanho deve incluir100 o número de cabeças e as categorias criadas.- O plano tem que indicar o número de animais que será comprado, nascido, vendido e mantido na propriedade no período, como também o número esperado de mortes por causas naturais.- Se um aumento no número de novilhas e vacas são parte de seu plano, faça a transição, planejando as quantidades de cada categoria, que devem equilibrar-se. Use a seguinte equação para conferir seus números durante cada ano da transição:


As informações sobre as vendas projetadas para produtos e animais precisam ser incluídas no plano.

O plano alimentação do rebanho projeta a quantia de alimento que será requerida pelo seu rebanho e a origem deste alimento.- A origem do alimento normalmente é dividida em dois: a quantia que será cultivada na propriedade e a quantia que será comprada de terceiros ou de outros planos. Novamente, registros bem organizados serão úteis mostrando exigências de outros anos, promovendo uma estimativa bem feita, com poucas chances de furos.

Neste momento, as receitas e despesas estimadas necessitam ser resumidas dos três planos prévios.- Assim, as despesas totais devem ser comparadas com as despesas estimadas para novamente realizar mais projeções. Registros passados são úteis neste momento também, porém, o preço pago ou a quantia usada naquela época não devem ser o único guia. Você deve, agora, usar preços atuais- e considerar taxas de aplicação (do mercado ou inflação) sempre que possível. Todas as despesas, como trabalho, combustível para transporte (caminhões e carros) e para colheitas, e a alimentação do gado devem ser projetadas também. Inclua no orçamento uma estimativa do seu tempo de dedicação, mostrando o que cada mês exige, tanto em condições normais, como nos contratempos. Podem ser usados bancos de dados para servir como referência para calcular este tipo de custo médio histórico, por vaca ou por hectare, para depois serem usados nas suas projeções.-

A visualização de um relatório do fluxo de caixa projetado é parte de qualquer plano empresarial.- Porém, como parte deste relatório é constituído de um plano de obtenção de financiamento e pagamento de empréstimos, fica claro ao investidor que você tem um plano para reembolso, como também tem um plano para solicitar recursos emprestados.

Os três tipos básicos do plano de comercialização são:- (1) comércio direto - os fazendeiros vendem diretamente ao consumidor para consumo local; (2) venda direta ao atacado - os fazendeiros vendem a supermercados, restaurantes e lojas pequenas; (3) venda indireta por atacado - os fazendeiros vendem a distribuidores, corretores ou cooperativas.- Parece claro que os fazendeiros individuais ou grupos de fazendeiros podem usar combinações dos três métodos. Mesmo assim, é importante calcular os custos inerentes à comercialização de seus produtos (taxas, impostos, notas fiscais, comissões, fretes, etc.), para se obter qual é o verdadeiro custo que se tem com isso, ao invés de ignorá-lo e ser pego de surpresa.

Alguns produtores de leite acham que não precisam de um plano de comercialização, pois eles têm obrigatoriamente que vender seus produtos quando este é produzido (no caso do leite fluido). Porém, se esquecem de outros produtos como esterco, animais jovens, vacas de descarte, etc., que não tem época determinada de venda durante o ano. Assim um plano de comercialização deve considerar dois fatores importantes: a entrada de receitas e a quantidade de produtos vendidos durante o período analisado.-

O que os planos revelam...

O orçamento integral de uma fazenda lhe permite examinar os efeitos de cada um de seus componentes e comparar resultados esperados com sua situação presente.- Só considerando a fazenda inteira é possível que todas as rendas e despesas sejam antecipadas/projetadas.- Coordenando o orçamento integral da fazenda com o orçamento familiar do proprietário, pode ser conferida a habilidade do negócio.- Um fluxo de caixa projetado para o negócio, combinado com o padrão ou estilo de vida que leva a família do proprietário, pode ajudar a esclarecer ao investidor qual o potencial da atividade comparado à rentabilidade de outras atividades concorrentes.-

É sabido que as atividades raramente se comportam como o planejado e que todos os planos estão sujeitos a mudanças. Porém, se um plano não trabalha no papel, certamente não trabalha em ação. É, de longe, melhor cometer erros no papel do que na prática.

Orçamentos integrais de fazenda são especialmente úteis quando algum crédito estiver sendo- pretendido e a capacidade de pagamento da atividade estiver sendo avaliada. Este tipo de orçamento pode ser usado para negociar crédito e contratos de arrendamento de terra, por exemplo.

Portanto, a principal função do plano empresarial de uma fazenda é ser capaz de comunicar as aspirações do gerente da fazenda a alguém de fora (geralmente um investidor).- No artigo final desta série, serão amarrados todos os planos empresariais da atividade.

Adaptado do texto do Dr. Roger Palmer & Dr. Gary Frank do "Center for Dairy Profitability at the University of Wisconsin-Madison", publicado no periódico "Hoard's Dairyman - Dezembro 2001"
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Material escrito por:

Alexandre de Campos Gonçalves

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