Como alimentar as vacas quando o preço do leite cai - parte 1

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Quando o leite pago ao produtor está com preço lá embaixo, as margens de lucro dos sistemas de produção de leite ficam muito reduzidas, ou até desaparecem. A alimentação é o fator de maior importância na planilha de custos de produção do leite, e quando o lucro desaparece é hora de rever a estratégia de alimentação do rebanho. Verdade? Vejamos. Proponho um questionamento: o preço do leite deve mesmo determinar a estratégia de alimentação das vacas? A resposta óbvia é sim, mas se as vacas estiverem de fato sendo alimentadas corretamente, entendo que a resposta é não. Acredito que o ponto a ser avaliado e discutido é que o preço do leite deve determinar se as vacas devem ser alimentadas. Como assim??? Vamos lá.

Produção de leite e nutrientes para a produção

Em qualquer rebanho, sob qualquer regime de alimentação, a eficiência e o lucro aumentam quando os nutrientes destinados à manutenção dos animais tornam-se uma porção pequena dos nutrientes totais consumidos. Este conceito se baseia no princípio de que os custos de alimentação aumentam linearmente com o aumento da produção de leite, e que as exigências de manutenção não mudam com o aumento da produção, desde que a dieta esteja bem balanceada. Esse conceito pode não se aplicar a animais sob condições de stress (falta de sombra, necessidade de caminhadas excessivas, competição no cocho, etc.). A tabela 1 mostra uma simulação das relações entre produção de leite, custo de alimentação, retorno sobre o custo de alimentação (RCA) e custos de manutenção.

Tab.1 Receita bruta do leite e retorno sobre o custo de alimentação (RCA) de vacas em pastejo, em diferentes preços do leite.


Os dados apresentados são uma simulação de diferentes situações hipotéticas, e os valores podem variar bastante de fazenda para fazenda e de região para região, mas o conceito geral vale para todas as situações, considerando que as exigências de manutenção não se alterem com o aumento da produção.

O custo de manutenção (R$ 0,72/vaca/dia) é o mesmo em qualquer nível de produção e de preço do leite. Quando a vaca produz pouco (menos de 10 litros/dia), o custo de manutenção é muito elevado (mais de 50% do total). Já quando a produção passa dos 25 litros/dia, o custo de manutenção passa a ser de 30% do custo total de alimentação do animal. Em rebanhos com média de produção elevada, e alimentação muito bem balanceada, o custo de manutenção pode ficar abaixo dos 25% do custo total. E quando se consegue isso, imagine o que acontece com o lucro do sistema?? A figura 1 ilustra as relações entre produção de leite, custo da alimentação e custo de manutenção.


Fig. 1. Relações entre produção de leite, custo da alimentação e custo de manutenção.

A receita do leite depende do volume produzido e do preço do leite. No Brasil há variações regionais e sazonais de preço que também afetam a receita das fazendas. Além disso o pagamento por qualidade é um movimento crescente, mas, de maneira geral, em qualquer faixa de preço do leite, o retorno sobre o custo de alimentação (RAC) aumenta linearmente com o aumento da produção, desde que a qualidade do leite não se altere. Quando as vacas são alimentadas corretamente, recebendo os nutrientes adequados para atender às suas exigências, não se deve esperar reduções na eficiência do sistema, expressa pelo RAC. A figura 2 mostra a relação linear entre o RAC e o volume de leite produzido, em três faixas de preço do leite.


Fig. 2. Influência da produção de leite sobre a RAC em três faixas de preço do leite.
Preço do leite e taxa de descarte

No início deste artigo eu disse que o ponto a ser avaliado e discutido é que o preço do leite deve determinar se as vacas devem ser alimentadas. Em situações em que o preço do leite é muito baixo, há vacas no rebanho que são individualmente lucrativas, mas parte delas pode dar prejuízo, mesmo se a dieta estiver corretamente balanceada, conforme ilustrado na tabela 1. Dessa forma fica claro perceber que o preço do leite se torna um fator importante na determinação do nível de produção a partir do qual uma vaca deve ser retirada do rebanho. Além da alimentação, há diversos fatores, tais como os custos de ordenha, manejo sanitário e reprodutivo, etc., que devem ser considerados junto com o RCA para se determinar o ponto em que uma vaca deixa de ser lucrativa. A decisão de mandar essa vaca para o lote de vacas secas ou para o frigorífico deve ser tomada com base no custo diário de manutenção do animal.

Maximizando o RCA

Em tempos bicudos, como em qualquer outro negócio, quando o preço do leite está lá embaixo, o produtor de leite deve arregaçar as mangas, sacodir a poeira e usar toda as suas habilidades e criatividade para se manter ativo em seu negócio. O RCA deve sempre ser mantido, e se possível aumentado. Em muitos casos mudanças de curto prazo para reduzir os custos de alimentação resultam em queda na produção e/ou perda de qualidade do leite, de forma que a receita bruta da fazenda cai em proporções maiores do que a redução que se consegue nos custos de alimentação, o que equivale a dar um tiro no próprio pé.

Mas qual a mágica para se ganhar dinheiro quando o laticínio nos paga tão pouco? A resposta é eficiência. Os cinco pontos destacados abaixo não são novidade para niguém, e devem ser sempre considerados em qualquer faixa de preço do leite, mas tornam-se especialmente críticos quando o preço cai bastante.

  • Maximize a quantidade de nutrientes destinada às funções produtivas - no nosso caso, a produção de leite. Esteja certo que as dietas das vacas em lactação estejam bem balanceadas, e que elas estejam em boas condições para produzir leite com eficiência; não mantenha no rebanho número excessivo de novilhas e vacas secas.

  • Agrupe corretamente as vacas - os lotes de alimentação devem ser compostos por animais com estados fisiológicos e exigências semelhantes.

  • Garanta conforto para os animais - as vacas gostam de sombra e água fresca; sempre considere os aspectos ambientais com cuidado.

  • Cuide do manejo sanitário do rebanho - ausência de doenças, bons cascos e baixos índices de mastite são fundamentais para manter o sistema operando com eficiência.

  • Maximize o uso de fontes de concentrado alternativas - o uso de subprodutos da agroindústira, tais como a polpa cítrica, farelo de trigo, casca de soja, farelo de algodão, farelo de glúten de milho, dentre outros pode representar uma economia brutal de custos, sem perder qualidade nutricional.
No próximo artigo continuaremos a falar deste tema que tira o sono de boa parte dos produtores de leite brasileiros.

Referências:

Chandler, P. T. - Feeding dairy cows during times of low milk prices- Southeast Dairy Herd Management Conference, 2003
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Material escrito por:

Alexandre M. Pedroso

Alexandre M. Pedroso

Doutor em Ciência Animal e Pastagens, CowSignals Expert, especialista em nutrição, manejo e bem-estar de bovinos leiteiros.

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Rogério de Paula Quintanilha
ROGÉRIO DE PAULA QUINTANILHA

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - VAREJO

EM 29/10/2004

Sou produtor e sempre gosto de ler e pesquisar como posso melhorar a qualidade e a produtividade dos meus animais, mas minha maior procupação é o custo. Gostaria de saber mais sobre este assunto de uma maneira que possa ajudar a fornecer uma alimentação adequada e que não comprometa a receita da fazenda. Existe alguma maneira de se saber se realmente estou dando uma alimentação adequada aos meus animais?
Marciano de Almeida
MARCIANO DE ALMEIDA

CAPANEMA - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 18/05/2004

Sou engenheiro agrônomo na região Sudoeste do Paraná, trabalho há 3 anos no acompanhamento técnico e econômico de 25 propriedades na região. Os comentários que quero fazer são sobre a substituição de alimentos ricos em nutrientes, principalmente as fontes de energia (milho) e proteina (soja), por fontes alternativas como far. trigo, casca de soja e resíduos de industrias. Salvas as exceções estes alimentos podem diminuir o resultado Liquido/por animal produtivo pelos seguintes motivos:

- Possuem um volume maior em relação a alimentos nobres, porém a quantidade de nutrientes é menor, desse modo, dependendo da produção dos animais, podem não suprir as necessidades de mantença e produção.

- Residuos de indústrias não possuem uma garantia de quantidade e qualidade dos nutrientes.

<b>Resposta do autor:</b>


Prezado Marciano,

Os resultados de diversos trabalhos realizados pela nossa equipe aqui
na ESALQ mostram que ao substituir o milho por subprodutos como polpa
cítrica, farelo de trigo e farelo de glúten 21, o desempenho de vacas
produzindo em torno de 25-30 kg leite/dia se mantém, o que dá um ótimo
resultado quando o preço do subproduto está atraente.

Tabelas de composição como as do NRC mostram que esses subprodutos são
menos energéticos que o milho, mas os resultados dos trabalhos mostram
que o desempenho dos animais é semelhante com a substituição, o que
nos encoraja a elevar sua participação nas dietas dos rebanhos
leiteiros.

Com relação à padronização, variações realmente existem, e cada lote
de subproduto adquirido deve ser analisado para que se faça os ajustes
corretos nas dietas, mas à medida que aumenta a demanda por esses
alimentos, acredito que haja uma maior preocupação da indústria em
garantir a qualidade dos mesmos.

Atenciosamente,
....................
Alexandre M. Pedroso

Rogério de Paula Lana
ROGÉRIO DE PAULA LANA

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 18/05/2004

Sou professor e pesquisador em Nutrição de Ruminantes na UFV. Para colocar um pouco mais de tempero na discussão sobre o tema "Como alimentar as vacas quando o preço do leite cai - parte 1", tenho um tabalho a ser apresentado no 2004 ASAS/ADSA/PSA Joint Meeting, EUA, em que demonstro que as vacas leiteiras (Holandesas) respondem com apenas 0,6 +/- 0,4 litros de leite por kg de concentrado em pastagens tropicais, ou seja, de 0,2 a 1 litro de leite por kg de concentrado. Esta infomação corrobora com a realidade brasileira de produção de leite e com o que pensam aqueles que enviam comentários até agora sobre este tema.

<b>Resposta do autor</b>:

Trabalhos realizados por nossa equipe aqui na ESALQ, e dados de algumas propriedades aos quais tivemos acesso, mostram que quando a pastagem é bem manejada, com teores de PB acima de 14%, quando se trabalha com animais especializados, com conforto e bom manejo sanitário, o resultado da suplementação é bastante favorável, sempre
que o preço do concentrado for até 90% do preço recebido pelo leite.

Isso se dá tanto pelo aumento da produção individual das vacas, como pelo aumento na taxa de lotação dos pastos conseguido com a suplementação.

A revisão do Dr. Bargo e equipe da Penn State é excelente, e traz informações muito valiosas, mas são dados gerados com pastagens de clima temperado, havendo poucas comparações com sistemas de produção baseados em pastagens tropicais. A revisão feita pelo Prof. Flávio P. Santos e colaboradores, apresentada no 5.o Simpósio Goiano sobre
Manejo e Nutrição de Bovinos de Corte e Leite (CBNA) em 2003, mostra claramente os efeitos positivos da suplementação em sistemas de produção a pasto, quando as pastagens são bem manejadas e se trabalha
com animais especializados.
Atenciosamente,
....................
Alexandre M. Pedroso
Rogério de Paula Lana
ROGÉRIO DE PAULA LANA

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 18/05/2004

Antes de receber uma rejeição à minha informação de que vacas respondem com 0,6 (0,2 a 1,0) litros de leite por kg de concentrado, quando se fornece ração para satisfazer aos requerimentos nutricionais dos animais, sugiro a literatura J. Dairy Sci., 86:1-42, 2003. Além de também terem obtido respostas semelhantes, informam que em confinamento, o ideal é máxima produção de leite por vaca nos EUA, devido à boa remuneração do leite nos últimos 50 anos, com produtividade passando de 3191 para 8263 kg/vaca/ano de 1960 para 2000, e máxima produção de leite por hectare em produção a pasto, conforme afirma Madalena. Entretanto, no Brasil, acho que o melhor seria o máximo de relação benefício-custo em pastagem, levando-se em consideração que a resposta em produção de leite reduz com o acréscimo de concentrado na dieta.

Professor Rogério de Paula Lana - DZO/UFV

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Prof. Rogério,

Trabalhos realizados por nossa equipe aqui na ESALQ, e dados de
algumas propriedades aos quais tivemos acesso, mostram que quando a
pastagem é bem manejada, com teores de PB acima de 14%, quando se
trabalha com animais especializados, com conforto e bom manejo
sanitário, o resultado da suplementação é bastante favorável, sempre
que o preço do concentrado for até 90% do preço recebido pelo leite.
Isso se dá tanto pelo aumento da produção individual das vacas, como
pelo aumento na taxa de lotação dos pastos conseguido com a
suplementação.

A revisão do Dr. Bargo e equipe da Penn State é excelente, e traz
informações muito valiosas, mas são dados gerados com pastagens de
clima temperado, havendo poucas comparações com sistemas de produção
baseados em pastagens tropicais. A revisão feita pelo Prof. Flávio P.
Santos e colaboradores, apresentada no 5.o Simpósio Goiano sobre
Manejo e Nutrição de Bovinos de Corte e Leite (CBNA) em 2003, mostra
claramente os efeitos positivos da suplementação em sistemas de
produção a pasto, quando as pastagens são bem manejadas e se trabalha
com animais especializados.

Atenciosamente,
....................
Alexandre M. Pedroso
Renato Fonseca
RENATO FONSECA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 16/04/2004

Apenas um adendo ao comentário anterior: onde está a resposta para a pergunta que serve de título ao artigo?

Renato Fonseca
Produtor de Leite em Três Pontas - MG

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Renato,

Na segunda parte desse artigo abordaremos essa questão.

Obrigado pela participação.

Alexandre

Renato Fonseca
RENATO FONSECA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 15/04/2004

Prezado Alexandre,

Muito interessante a discussão gerada pelo seu artigo. Gostaria de discutir uma premissa inicial colocada por você e na qual o restante do artigo se apóia. A premissa é a seguinte: os custos de alimentação aumentam linearmente com a produção de leite e os custos de manutenção permanecem fixos, independentemente da produção. Logo adiante você ressalva que isto não seria verdadeiro para animais em condição de stress. Eu lhe pergunto: qual rebanho de leite não é submetido a stress? O stress pode ser minimizado e, na maioria das vezes, isto implica investimentos ($$$) em instalações, equipamentos, treinamento de mão-de-obra, etc. Porém, jamais as causas de stress serão completamente eliminadas. E, obviamente, ao se aumentar a produção individual do animal, os efeitos negativos do stress serão progressivamente mais intensos, em qualquer sistema de produção. Portanto, os custos de alimentação jamais aumentarão linearmente com o aumento da produção, invalidando a premissa.

Estes assuntos são muito complexos para comportar comentários sucintos, mas aí vai a minha modesta contribuição ao debate.

Renato Fonseca
Produtor de Leite em Três Pontas - MG

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Renato, fico bastante satisfeito com a discussão em torno do
artigo, o intuito do Radar é esse mesmo, fomentar a discussão de temas
importantes dentro dos sistemas de produção de leite. Logicamente que
sempre há algum grau de stress incidindo sobre qualquer rebanho
leiteiro, em intensidades diferentes. Quanto mais stress, menos
verdadeira será a premissa proposta pelo artigo. Mas isso não muda o
fato de que quanto maior a produção da vaca, maior será o custo para
alimentá-la.

O ponto que eu quero destacar com essa primeira parte do artigo é que
ao mantermos vacas com produção muito baixa no rebanho, precisamos
estar ainda mais atentos ao preço do leite, que deve ser um parâmetro
para se considerar na hora de decidir pela secagem ou descarte de uma
vaca.

Como eu já disse, esse assunto poderia ser tema de um simpósio
inteiro, e eu não tenho a pretensão de esgotá-lo num artigo. Mas com a
discussão gerada, já me sinto com a missão cumprida. Quem dera todos
os artigos publicados aqui gerassem discussões tão produtivas.

1 forte abraço,

Alexandre

Renato Palma Nogueira
RENATO PALMA NOGUEIRA

GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 13/04/2004

Gostaria de entrar na discussão e fazer uma observação em relação à pergunta do Rodrigo, realmente muito realizada pelos produtores a técnicos que atuam em nutrição de vacas leiteiras. Aumentar produção diminui longevidade, e se isto for verdade vale a pena?

Bom não discutirei a questão da longevidade, muito embora eu acredito que as questões de ambiente e manejo para a maioria das nossas fazendas é muito mais importante para a longevidade de nossas vacas de alta produção hoje, do que as dietas consumidas pelos animais.

Bom o que eu quero é convidar a todos a fazer uma reflexão em relação a vida produtiva do animal (quanto a vaca produz enquanto está no rebanho e não quanto a vaca fica no meu rebanho).

Vacas de 5000,0 kg leite/ano e 5 lactações = 25.000,0 kg de leite em sua vida produtiva

Vacas de 7500,0 kg leite/ano e 3,5 lactações = 26.250,0 litros em sua vida produtiva.

Ou 11.000 kg/ano e 2,5 lactações = 27.500 litros de leite em sua vida produtiva.

Penso que quanto mais produzir e mesmo que fique menos tempo na fazenda menor serão os custos de carrapaticidas, pedilúvios, ordenha, volumosos, cama para free stall, pré-parto, etc.

Claro que isto é para quem pensa apenas em produção de leite e onde a terra é interessante para a agricultura também.

A questão é que infelizmente tem épocas em que trabalhamos abaixo dos nossos custos de produção e realmente aí sim a coisa complica.
Abraços,

Renato Palma Nogueira


<b>Resposta do autor:<b>

Prezado Renato, muito pertinente a sua observação. Acabo de ver o exemplar de março de 2004 da Veepromagazine, revista holandesa, que mostra a história de uma vaca com 14 anos, mais de 53 descendentes no rebanho e produção acumulada de 133.000 Kg de Leite. Sua flha mais velha tem 12 anos e 111.000 Kg de leite, e por aí vai. Claro que isso é digno do Guinness, mas nos faz pensar em longevidade. Nos nossos sistemas de produção baseados em pastagens tropicais entendo que o ponto chave é a produtividade por área, conceito que também vale para sistemas de confinamento, mas isso não invalida a discussão. Na minha resposta à carta do Rodrigo eu disse que vacas de altíssima produção pagam um preço pelo volume produzido, e esse preço será tanto menor quanto melhor for o manejo desses animais,que é bem mais exigente, o que aumenta a chande de problemas, de forma que eficiência é o ponto chave. De qualquer forma essa discussão é muito interessante, e um bom tema para um artigo.

1 abraço,

Alexandre
Fernando Enrique Madalena
FERNANDO ENRIQUE MADALENA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 08/04/2004

Com todo respeito, me permita discordar. O retorno sobre o custo do alimento é apenas uma parte da história. Este tipo de análise pode levar a conclusões errôneas, uma vez que na produção há outras despesas envolvidas. Sugiro que se atente para margem líquida da fazenda e para a rentabilidade do capital investido, e com dados reais, de alguém que ganhe dinheiro produzindo leite dessa forma. De acordo com seu gráfico, o produtor deveria maximizar a produção por vaca, em qualquer um dos o preços considerados. Não é o que a imensa maioria dos produtores faz. Sua análise desconsidera o fato de que, quando a produção é a pasto, a rentabilidade é determinada pela produção por há, e não por animal, sendo que a produção por há ótima não corresponde à máxima produção por animal.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Fernando,

Realmente o retorno sobre o custo de alimentação é uma das partes desse quebra-cabeças chamado Produção de Leite. O objetivo dessa primeira parte do artigo foi chamar a atenção de produtores e técnicos para o fato de que vacas produzindo muito pouco podem dar prejuízo, e que o preço do leite deve ser um parâmetro para se considerar na hora de decidir pela secagem ou descarte de uma vaca. Na segunda parte do artigo vou abordar a questão da maximização da produção individual em sistemas a pasto, e suas implicações, mostrando o outro lado da moeda.

Atenciosamente,

Alexandre

Rodrigo de Almeida
RODRIGO DE ALMEIDA

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 08/04/2004

Prezado Alexandre

Inicialmente gostaria de parabenizá-lo pelo artigo; muito bem escrito e atual, particularmente neste período de baixa remuneração do leite.

No artigo, você mostrou uma clara associação positiva entre produção de leite e retorno econômico. Isto é verdade se não levarmos em consideração outros fatores associados que podem se alterar com produções muito altas: maiores taxas de descarte, menor eficiência reprodutiva, maior incidência de mastite e distúrbios metabólicos, etc.

Muitas vezes somos questionados por produtores com produções já altas (30 kg/d) se vale a pena alcançar médias ainda mais altas (40 kg/d)...

Portanto, minha pergunta é a seguinte: você tem conhecimento de algum artigo ou ferramenta (planilha) que leva em consideração as consequências negativas de uma produção de leite demasiadamente alta (se isto for correto)?

De qualquer forma estou ansioso pela segunda parte do seu artigo...

Abraços e mais uma vez parabéns.

<b>Resposta do autor:</b>

Meu caro Rodrigo, obrigado pelo elogio. Quanto à sua pergunta, não tenho nenhuma planilha nesses moldes, mas não há dúvidas que vacas de altíssima produção pagam um preço pelo volume de leite, e vamos abordar essa questão na segunda parte do artigo. Espero não decepcionar!

1 abraço,

Alexandre

Qual a sua dúvida hoje?