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Como a pandemia deu um gelo na qualidade do leite

POR AMANDA GABRIELE DE LIMA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/10/2020

4 MIN DE LEITURA

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A pandemia do novo coronavírus chegou como um tsunami ao Brasil. O que até há uns meses antes achávamos que seria apenas uma maré alta tomou proporções catastróficas e alagou o cenário no qual estávamos vivendo.

Se hoje olhamos para um futuro próximo e ainda enxergamos incertezas, no mês de março essa perspectiva era ainda mais turva. As empresas começaram a mandar seus funcionários para casa, os comércios começaram a fechar e com o estado de alerta em que todos estávamos vivendo o que se passava pela cabeça da maioria da população era se íamos ter alimentos para suprir a todos.

A indústria alimentícia era uma das únicas que não podia parar para que não houvesse déficit de produtos nas prateleiras dos supermercados. Porém, com o fechamento de restaurantes e lanchonetes uma grande parte da demanda de alimentos – principalmente de produtos perecíveis – veio a cair, o que gerou um momento em que as indústrias começaram a frear a produção.

Na indústria de lácteos os mais prejudicados foram os queijeiros que perderam de forma abrupta grande parte de seu mercado consumidor com o fechamento dos estabelecimentos. Com a produção comprometida e as vendas caindo, uma saída rápida era dispensar produtores. E se há umas semanas atrás o leite spot era procurado, nesse momento o spot era oferecido aos laticínios de leite UHT. Houve então uma oferta de produtores deixados de lado por esses laticínios e um período no qual a captação se manteve inerte, afinal, não era o momento de ir ao campo comprar mais leite.

Porém, como o mercado vira tão rápido quanto podemos esperar, esse cenário sofreu uma reviravolta quando o leite começou a cair, primeiro porque os produtores começaram a secar animais devido ao que havia acontecido e segundo porque estávamos entrando na estiagem, período no qual a oferta de forragem cai consideravelmente. Neste mesmo momento o preço do queijo disparou, e também houve a participação de outro fator chamado auxilio emergencial que aumentou o poder de compra do consumidor de maneira muito considerável.

E o campo novamente começou a pegar fogo, o preço do leite subiu e a captação tinha um objetivo: levar leite para dentro do laticínio. Neste período as fiscalizações se mantiveram suspensas, uma vez que os fiscais e a maioria da população se mantinham trabalhando em home office e o Mapa publicou medidas que de certa forma flexibilizava a comercialização de leite entre laticínios de diferentes âmbitos de inspeção, assim como abria mão da obrigatoriedade de suspensão de produtores com a terceira média geométrica trimestral fora do padrão.

E como diz meu gestor, "fazer qualidade é como mandar os filhos escovarem os dentes, você manda todo dia e o dia que esquece, eles não fazem". E de certa forma as escovas de dentes começaram a ser menos usadas durante esse período.

Apesar das medidas descritas nas IN 76/77 de 2018 serem consideradas medidas muito fáceis de serem implementadas e seguidas pelos produtores, uma vez que se remete à higiene e manejo bem feito, algo que consideramos óbvio, alguns ainda enxergam essas medidas como algo maçante, que vai gerar mais custo e mão de obra para o produtor.

Isso pode parecer espantoso para quem está inserido nas maiores bacias leiteiras como as do estado de Minas Gerais, ou na região de Castro no Paraná, nas quais é fácil encontrar um número maior de produtores tecnificados e que lidam com a produção de leite como uma atividade empresarial. No entanto, é a realidade quase diária dos técnicos de qualidade de várias micro regiões, nas quais a cultura do leite ainda é algo novo e a presença de grandes produtores é algo raro. Nessas regiões, onde a maioria do leite captado é proveniente de pequenos produtores e em maior parte produtores assentados, falar de qualidade para alguns é como dizer que eles vão ter que gastar com produtos e mão de obra que em muitas vezes nunca entrou naquela propriedade.

Sim, como já foi dito, isso teria que ser o mínimo e o óbvio, no entanto, a resistência por parte desses produtores ainda é grande, e lembra a história da escova de dentes? Pois é, aí é que entra a história do bicho papão, que nesse setor se apresenta com o nome de suspensão da captação de leite quando esse não se encontra com os padrões de qualidade em dia.

Nesse contexto surge uma equação muito fácil de ser resolvida: "necessidade de leite" mais "não obrigatoriedade temporária de se suspender as coletas do produtor fora do padrão". E então podemos chegar à conclusão de que a qualidade do leite durante esse período ficou esquecida debaixo na cabeceira como um livro de estórias em período de provas difíceis.

Porém, como nessa vida tudo se acostuma e se adapta, nós nos acostumamos e nos adaptamos ao novo normal, no qual percebemos que, por enquanto, o mundo não vai acabar e as pessoas voltam aos poucos ao seu curso normal. E é nesse período que o bicho papão acorda, ou seja, o Mapa publicou o OFÍCIO-CIRCULAR Nº 72/2020 no qual as suspensões voltam a ser obrigatórias, e as fiscalizações já começam aos poucos a voltarem às suas rotinas normais.

O recado foi dado, e o Mapa já está nos falando que a qualidade, ou a falta dela não tem passado batido diante de seus olhos, o período sabático pelo qual passamos se despede e a cortina que se fechou em março está sendo aberta novamente. Talvez 2020 comece agora, ainda engatinhando, mas de uma forma muito mais ativa do que estávamos vivendo há uns meses atrás. Dessa forma, é melhor pegarmos as escovas de dentes, antes que o bicho papão nos ache!

AMANDA GABRIELE DE LIMA

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CRISTIANE CAROLINE ABADE

LONDRINA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 22/10/2020

Ótimo texto!
Obrigada
BEL SOUSA

SILVÂNIA - GOIÁS - ESTUDANTE

EM 22/10/2020

Olá! Onde encontro o OFÍCIO-CIRCULAR Nº 72/2020 ??
AMANDA GABRIELE DE LIMA

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 22/10/2020

Olá Bel, bom dia! Ao procurar nos sites de pesquisa não consegui localizar um sitio onde se encontra este documento, porém o tenho salvo na máquina, se voce quiser eu te encaminho por email!
EM RESPOSTA A AMANDA GABRIELE DE LIMA
KASSIA IZABEL DE SOUSA

SILVÂNIA - GOIÁS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 22/10/2020

Amanda bom dia! Seria ótimo se vc me enviasse por e-mail.
Também não consegui encontrar nos sites de pesquisa.
Meu e-mail é medvet.bel@gmail.com ou bel__sousa@hotmail.com

Muito obrigada!!!
WANUSSY

UMUARAMA - PARANÁ - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 21/10/2020

Muito bem colocado, lembrando sempre que o leite é matéria prima de diversos alimentos que são consumidos diariamente, a exigência na qualidade é imprescindível.
LUANA MARQUES DOS SANTOS

GARANHUNS - PERNAMBUCO - ESTUDANTE

EM 21/10/2020

Ótimo texto ????????????????
DIEGO BUCH

PORTO UNIÃO - SANTA CATARINA - ESTUDANTE

EM 21/10/2020

Parabéns Amanda, muitos produtores ainda pensam que manter uma boa qualidade é coisa de outro mundo, mas isso é a coisa mais simples do mundo!!!
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