Bezerros que não sobrevivem até 48 horas após o parto

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O percentual de bezerros que não sobrevivem até 48 horas após o parto e o percentual de bezerros que já nascem mortos, é conhecido na literatura internacional como "stillbirth". Este índice ainda é pouco monitorado nos rebanhos brasileiros, entretanto, está sendo cada vez mais avaliado em outros países.

Nos USA, houve um aumento de 9,5% em 1985 para 13,2% em 1996 na taxa de "stillbirth" das novilhas no primeiro parto. Enquanto que na Inglaterra, o mesmo índice foi de 12,2% em 2000. Nos Estados Unidos, estima-se que a perda associada à morte do bezerro, até 48 horas após o parto, gira em torno de $125 milhões ao ano.

Na Suécia e na Dinamarca a taxa de "stillbirth" tem aumentado significativamente nas últimas décadas, e dados de pesquisa indicam que, atualmente, esta taxa está próxima de 10%. Este índice é duas vezes maior do que o observado nas raças nórdicas (sueca vermelha, dinamarquesa vermelha). Nestes países, houve a partir da década de 70, uma importante introdução de sêmens da raça holandesa provenientes dos Estados Unidos. Este fato provocou uma nítida mudança nos animais, tão significativa que atualmente a raça dinamarquesa branca e preta passou a ser chamada de holandesa dinamarquesa.

Juntamente com as diversas características advindas com o sêmen da raça Holandesa, houve também um aumento da taxa de "stillbirth". Por esse motivo, o dado vem sendo monitorado com atenção nos rebanhos suecos e dinamarqueses que possuem a raça Holandesa Dinamarquesa. Nestes países, já foi comprovada que há uma importante correlação entre dificuldade no parto, tamanho do bezerro e "stillbirth".

Entretanto, apesar do tema distocia e "stillbirth" serem assuntos relacionados, eles não são a mesma coisa. Trabalhos de pesquisa realizados na Europa, comprovaram que cerca da metade dos casos de "stillbirth" não têm associação com o parto distócico. Confirmando este fato, um estudo realizado nos USA com 400 partos, 60% constituído por vacas holandesas e 40% por vacas jerseys, não encontrou diferença na mortalidade dos bezerros. Resultados como estes mostram que este tema merece maior atenção e novas avaliações com novos delineamentos.

Algumas orientações são importantes para começarmos a estudar melhor os fatores associados à taxa de "stillbirth". A primeira seria classificar a taxa de "stillbirth" em quatro classes: novilhas de primeira cria X vacas multíparas; efeito materno X efeito paterno. Foi demonstrado em uma avaliação com 5,76 milhões de partos, de animais da raça holandesa, que há uma considerável diferença na taxa de "stillbirth" no primeiro parto. Nas primíparas cerca de 12% dos bezerros morrem até 48 horas após o parto, enquanto que nas multíparas, esta taxa reduz para 5% (tabela 1). Após observar a tabela, procure estimar, ou refletir quais seriam os números em seu rebanho!

Confirmando a relevância do índice que mensura o "stillbirth", a lista que publica as características associadas à aptidão genética dos testes de progênie, trará os números obtidos com a avaliação do "stillbirth". Esta lista trará também informações sobre escore de célula somática, taxa de prenhez das filhas, facilidade de parto das filhas, e vida produtiva.

Sabe-se que a herdabilidade da característica "stillbirth" é pequena, 3% ou menos, todavia, há consideráveis diferenças de touro para touro. A nova avaliação genética irá oferecer aos produtores a possibilidade de identificar os extremos da curva e iniciar um processo de eliminar os genes desfavoráveis para esta característica na raça Holandesa.

No passado, praticamente não havia seleção para esta característica, por isso, é possível encontrar grandes variações no teste de progênie. A taxa de "stillbirth" de 12% em primíparas, por exemplo, apresentou uma variação de 6 à 27%. Mas sempre é bom ressaltar que, apesar de sua relevância, no momento da escolha deve-se ter cautela para não dar mais ênfase à este atributo em relação às demais características.

Tabela 1- Avaliação do "Stillbirth" em 5,76 milhões de partos na raça holandesa

Figura 1

Fonte:

Adamec, V.; Cassell, B.G.; Smith, E.P.; Pearson, R.E. Effects of inbreeding in the dam on dystocia and stillbirths in US Holsteins. Journal Dairy Science, v.89, p.307-314, 2006.

Cassell, B. They're tracking dead calves. Hoard's Dairyman, 25 de maio,
p.383, 2006.

Hansen, M.; Misztal, L.; Lund, M.S.; Pederson, J.; Christensen, L.G. Undesired Phenotypic and Genetic Trend for Stillbirth in Danish Holteins. Journal Dairy Science, v.87, p.1477-1486, 2004.
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Material escrito por:

Renata de Oliveira Souza Dias

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