Análise mineral do sangue

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Em algumas situações em que o desempenho dos animais não corresponde ao esperado, especialmente quando os animais experimentam problemas reprodutivos prolongados ou distúrbios metabólicos, a análise mineral do sangue é sugerida como parâmetro de avaliação da nutrição mineral. No entanto, uma revisão recente da literatura sugere que alguns cuidados são necessários na interpretação dos resultados, já que vários fatores podem mascarar a adequação da nutrição mineral

Muitos fatores influem na análise mineral do sangue, dentre eles: variação biológica natural, variação genética, ciclo circadiano (ciclo de 24 horas do dia) e/ou variação prandial (em função do horário da alimentação), e ainda variações associadas ao estado fisiológico (crescimento, prenhez, lactação) e patológico (associada à existência de doenças), além daquelas devidas a erros de coleta, manuseio e conservação da amostra, e técnica de análise empregada.

Em função disso, o erro mais freqüente ao se realizar este tipo de análise, é tomar um pequeno número de amostras para avaliar a nutrição mineral de grupos de animais em diferentes condições. Isto não dá resultados estatisticamente confiáveis. Existem ainda outras questões a se considerar, particulares a cada mineral. Alguns exemplos serão citados a seguir.

No caso do cálcio, por exemplo, seu teor no sangue não é um bom indicador de sua nutrição. A explicação para isso é que grandes quantidades de cálcio são armazenadas nos ossos e existem mecanismos bastante sensíveis para controlar seus níveis no sangue (extraindo dos ossos, se necessário). A análise do cálcio sanguíneo não é, portanto, recomendada, com exceção das primeiras 12 horas após o parto, quando concentrações de cálcio abaixo de 7 mg/dl indicam hipocalcemia subclínica, que pode ser corrigida por ajustes nas dietas.

Já o fósforo existe no sangue nas formas orgânica e inorgânica, sendo a última mais pertinente nutricionalmente. Não existem mecanismos para mobilização de fósforo ósseo quando seus níveis sanguíneos estão baixos, mas ele pode ser liberado quando há mobilização de cálcio. Por este motivo, os níveis de fósforo inorgânico têm maior relação com o fósforo da dieta. O local de amostragem e a exposição do soro às células do sangue podem interferir no resultado da análise. Sendo assim, o maior problema da amostragem de sangue para análise de fósforo é a separação incompleta do soro de forma rápida.

De forma diferente, a concentração de magnésio no sangue é um bom indicador de sua nutrição já que sua absorção depende basicamente de sua concentração na dieta, além de interações com outros componentes. Se quantidade excessiva for absorvida, ela é eliminada na urina. O sangue para análise de magnésio deve ser ter o soro separado, no máximo, duas horas após a amostragem.

Também o selênio parece ser absorvido no intestino primeiramente em função de suas disponibilidade na dieta. A concentração de selênio no soro se altera rapidamente (meia vida em humanos é 6,6 horas) e, portanto, é de se esperar variações em curto espaço de tempo. Isto pode resultar em flutuações rápidas a partir de pequenas variações na dieta. Esta é a limitação do uso da análise de selênio do sangue como parâmetro nutricional. O teor de selênio no sangue é mais estável que no soro. O sangue também dá melhor idéia da ingestão de selênio a longo prazo e é menos afetado por estados fisiológicos como prenhez ou lactação. A análise do sangue é portanto preferida, mas é preciso evitar a hemólise da amostra.

A análise sangüínea do zinco é insensitiva por que o zinco é controlado a nível de absorção. O zinco fornecido em excesso não é excretado através do sangue. A maior parte do zinco (80 a 90%) está presente nas células vermelhas do sangue e é muito resistente a "desgastes". Ele permanece em níveis normais mesmo em condições de deficiência de zinco. Isto faz com que o soro ou plasma sejam melhores amostras para avaliar a nutrição de zinco através do sangue. Ocorre que, na ocorrência de inflamações, pode ocorrer o transporte de zinco do soro para os tecidos, especialmente o fígado. Além disso, é preciso cuidado, pois pode ocorrer contaminação da amostra com zinco oriundo das agulhas ou borrachas (tampões) das seringas. É preciso usar seringas com tampões de silicone.

Os níveis de cobre no plasma e no soro são semelhantes e qualquer um é aceitável para o monitoramento da concentração de cobre. No entanto, seus valores podem não representar com precisão a nutrição de cobre, já que o fígado acumula cobre e o libera na circulação quando a ingestão é insuficiente ou quando os animais estão sob estresse. Somente quando as reservas se acabam sua concentração no soro começa a cair. Além disso, o cobre do plasma pode não estar disponível se os animais estiverem em dietas com excesso de enxofre. A melhor maneira de se acessar a nutrição de cobre é, portanto, através de biópsia do fígado, o que não é prático. Sendo assim, a concentração de cobre no sangue pode ser usada para avaliar a situação de um rebanho (média de pelo menos 13 animais), mas não de um indivíduo.

Levando estes fatores em consideração, a análise mineral do sangue dos animais pode trazer indícios de desbalanços minerais, mas é preciso estar consciente que há sérias limitações. A amostragem de um adequado número de animais, conjuntamente com a análise da média e desvio padrão dos valores, pode minimizar as variações naturais e dar maior significado aos resultados.

Alguns valores de referência para os minerais mencionados são apresentados na tabela 1.

Tabela 1: Níveis de referência de diversos minerais no sangue



Comentário do autor: estas informações alertam para os cuidados necessários na coleta, análise e interpretação de dados de análise mineral do sangue. Interpretações errôneas podem levar a conclusões e decisões também equivocadas. Infelizmente estas limitações das análises parecem impedir a fácil identificação de problemas que gostaríamos de poder melhor e mais facilmente entender e resolver.

Fonte: Herdt, T. H, et al., 2000. The use of blood analyses to evaluate mineral status in livestock. Vet. Clin. of North America 16(3):423:443.
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Material escrito por:

José Roberto Peres

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maria isabel luz
MARIA ISABEL LUZ

PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 26/05/2008

Sou estudante de Medicina veterinária na Universidade Federal de Pelotas, RS. Estou fazendo um projeto pecuário que busca analisar os valores dos testes feitos no leite para analisar sua qualidade. Se você tiver como me informar esses valores, ficaria muito grata. Maria Isabel
José Rogério Moura de Almeida Neto
JOSÉ ROGÉRIO MOURA DE ALMEIDA NETO

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 19/11/2004

Sou aluno de medicina veterinária da Faculdade de Medicina Veterinária de Valença RJ, e estou fazendo uma revisão de literatura sobre minerais que afetam a reprodução. Caso tenha algum material falando de minerais, por favor, mandar para o meu e-mail. Muito obrigado.
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