O gráfico abaixo demonstra a associação entre a probabilidade de ocorrência das 8 doenças estudadas e a produção de leite na terceira lactação.
Gráfico 1 - Probabilidade da ocorrência das doenças na terceira lactação e a sua associação com a produção de leite na lactação (305 dias)

Conforme podemos constatar, a probabilidade de ocorrência de mastite e cisto ovariano cresce consideravelmente à medida que o aumento na produção de leite é observado.
Tabela 1 - Influência da produção de leite na lactação (305 dias) e do número de lactações sobre o Risco da Incidência das Doenças (RIL)

Observe que, de acordo com os dados acima, um animal na terceira cria, por exemplo, produzindo 12000 kg de leite na lactação (305 dias) possui 3,1 vezes mais chance de apresentar o Cisto Ovariano do que um animal também na terceira cria, porém produzindo 6000 kg/ lactação.
A associação entre a produção de leite e a ocorrência de Mastite tem sido constantemente estudada. Este e outros levantamentos epidemiológicos apontam uma associação entre a produção leiteira na lactação anterior e a ocorrência de mastite.
O Risco de Incidência de Problemas de Casco (RIL) e a produção de leite na lactação atual apresentaram associação. Neste caso, e também em outras doenças avaliadas no levantamento, a nutrição assume um importante papel na ocorrência do distúrbio. Altas produções de leite são atingidas com o aumento da ingestão de concentrado, que por sua vez, aumentam o risco da ocorrência da acidose rumenal e da laminite subclínica. Por isso, é importante destacar que estes dados de pesquisa não almejam sugerir que a produção de leite é o um fator de risco determinante para a ocorrência de doenças, e sim, que estas informações, que já são disponíveis em todos os rebanhos, podem ser utilizadas como uma ferramenta adicional no manejo sanitário.
Este levantamento apontou uma clara associação entre o número de lactações e a ocorrência da Febre do Leite. Animais produzindo 8000 kg / lactação (305 dias), na sexta lactação, têm 2,8 vezes mais chance de apresentar o distúrbio que animais com a mesma produção na segunda lactação (Tabela 1). Além disso, também foi observada uma associação entre a ocorrência do distúrbio e a produção de leite. No caso da Cetose, os dados do levantamento indicam que o aumento da produção de leite na lactação anterior está associado com o aumento do Risco da Ocorrência de Cetose (RIL) . Os casos de Deslocamento de Abomaso também sugerem uma associação entre o risco da ocorrência da doença e a produção de leite.
A maioria dos levantamentos epidemiológicos, que buscam avaliar questões semelhantes às apresentadas neste trabalho, utiliza apenas os dados da lactação anterior à ocorrência da doença avaliada. Isto é feito porque os pesquisadores consideram que os distúrbios ocorrem, grande parte das vezes, no início da lactação e mascaram a produção leiteira naquela cria. Na tentativa de retratar a realidade, o estudo apresentado neste artigo avaliou ambas as lactações.
Por fim, os dados deste levantamento oferecem informações interessantes com base em episódios que lidamos rotineiramente na atividade leiteira. Um levantamento criterioso e a análise dos números demonstram que os dados obtidos no dia-a-dia da fazenda podem ser ferramentas que nos auxiliam a conhecer melhor o rebanho, e a prever a baixa ou a alta incidência de distúrbios, de acordo com o nível de produção de leite por lactação e o número médio de lactações dos animais.
Fonte:
FLEISCHER, P.; METZNER, M.; BEYERBACH, M.; HOEDEMAKER, M.; KLEE, W. The relationship between milk yield and the incidence of some diseases in dairy cows. Journal Dairy Science. v. 84, p.2025-2035, 2001.