A influência da pecuária leiteira no meio ambiente

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A crescente preocupação mundial com a preservação e despoluição dos recursos naturais existentes em nosso planeta (principalmente a água doce) aumenta a responsabilidade do setor agroindustrial com relação ao destino de seus resíduos. Para avaliar o grau de importância que isto está tomando, basta verificar o monitoramento das ações a que cada cidadão habitante de grandes cidades está sujeito, obrigado a fazer economia de energia elétrica, evitar desperdício de água, dar destino ao lixo doméstico, incrementar a reciclagem de materiais, tratar seus esgotos, etc.. Estas precauções ganham proporções econômicas e ambientais muito maiores quando nos referimos à interferência da agroindústria e das atividades agropecuárias no meio ambiente.

Apesar das grandes cidades (com alta concentração populacional) e das grandes indústrias serem responsáveis pela maioria das contaminações dos recursos naturais, a atividade agropecuária também tem uma boa parcela de culpa pela atual situação de degradação do meio ambiente. Nos EUA, por exemplo, em algumas regiões produtoras de grãos (principalmente milho) a adubação nitrogenada teve que ser limitada por lei, a fim de se evitar o aumento na poluição dos lençóis freáticos usados como fonte de água potável e para irrigação. Este fenômeno, também presente nas atividades pecuárias, principalmente nas áreas de confinamento de gado de corte e leite, onde são comuns os problemas referentes ao destino do esterco produzido e dos resíduos de ordenha (desinfetantes, antibióticos, água de lavagem, etc..), também acontece no Brasil.

Especificamente na pecuária leiteira, além dos resíduos de ordenha e do esterco produzido, temos ainda o problema da destinação das embalagens dos produtos utilizados no dia a dia das fazendas, como as de defensivos agrícolas, desinfetantes, sacaria de adubos e concentrados, recipientes de medicamentos e outros.

No caso do esterco, o ideal seria que este fosse distribuído pelas áreas da fazenda (pastos, capineiras e afins), nunca de forma concentrada, alternando-se as glebas que o receberão. Além disso, se possível, este material deve ser aplicado curtido, evitando-se que ele vá para o campo na forma líquida, o que favoreceria as contaminações, principalmente de mananciais e cursos d'água. É óbvio que a exploração da atividade por anos a fio, limitará a aplicação de esterco na propriedade num determinado momento, pela alta concentração e saturação de nutrientes que o solo atingirá. Neste momento, será necessário fazer um manuseio mais racional do esterco, separando e tratando a fase líquida (operação semelhante a que se faz em estações de tratamento de água) da fase sólida, que pode ser comercializada com outras propriedades rurais.

Já para os resíduos de ordenha, que comumente contém substâncias químicas nocivas ao meio ambiente, estes devem ser armazenados em fossas sépticas ou caixas de gorduras e posteriormente retirados por empresas especializadas (os limpa-fossas), que darão destino adequado a eles, geralmente em aterros sanitários, regularizados pelas prefeituras. Nas fazendas que possuem laticínios que fabricam queijo, o soro é um resíduo que precisa ser racionalmente utilizado. Ele não pode, por exemplo, ser lançado diretamente em cursos d'água, pois, em virtude da alta concentração de matéria orgânica provocada por esta aplicação, o oxigênio da água seria consumido em sua degradação, matando os organismos aquáticos.

As embalagens plásticas de produtos tóxicos (defensivos agrícolas, desinfetantes e medicamentos) devem ser armazenadas e enviadas para a reciclagem. No entanto, antes do armazenamento é preciso lavar as embalagens de modo que não permaneçam resíduos dos produtos dentro delas, caso contrário ficam inviabilizadas para o processo de reciclagem. Para isso, deve-se efetuar uma operação bastante simples denominada "tríplice lavagem", onde o interior da embalagem é lavado (via enxágue) por três vezes. Esta água da tríplice lavagem pode ser utilizada na diluição dos próprios produtos e não deve ser jogada pelo ralo ou nos cursos d'água. Caso não haja local adequado para a colocação desta água, ela deve ir para as caixas de gordura ou fossas sépticas. No Estado de São Paulo existem diversas usinas de reciclagem de materiais plásticos, que recebem embalagens de produtos tóxicos do país inteiro. Na maioria dos casos, o material reciclado vai para a indústria de artigos elétricos, fazendo parte da fabricação de cabos e conduítes.

É importante salientar que a preservação do meio ambiente em áreas rurais deve obrigatoriamente priorizar a proteção dos solos, matas e cursos d'água. Portanto, além das medidas já citadas, verifique se suas lavouras e pastagens apresentam sistemas de conservação do solo e da água. Se a propriedade possui erosões, assoreamentos de cursos d'água, ausência de mata protegendo nascentes e margens de rios, poucos animais silvestres na região, mortandade freqüente de peixes, é sinal de que não se está preservando o ambiente e, certamente, o sistema agropecuário entrará em colapso em breve (falta de água potável, solos desérticos, baixas produtividades agrícolas, animais sempre doentes, baixa fertilidade do rebanho, etc.).

A população urbana dos grandes centros está dando um alerta aos produtores rurais, quando começa a criar demanda de consumo por produtos cultivados em sistemas mais naturais e que não se utilizam de substâncias químicas e artificiais em seus processos produtivos. Os chamados produtos "orgânicos" ganham cada vez mais adeptos no mundo inteiro, trazendo junto com o surpreendente aumento nas vendas, a discussão entre o que está sendo feito com o meio ambiente e o que deveria estar sendo feito.

* caso os leitores desejem receber o endereço do posto de recebimento de embalagens plásticas mais perto de suas propriedades, no Estado de São Paulo, entrar em contato com a administração do site ou via e-mail para o colunista.
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Material escrito por:

Alexandre de Campos Gonçalves

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