A importância estratégica da venda de animais

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Quem está envolvido com pecuária leiteira certamente já ouviu dizer que a produção de leite paga os custos operacionais da propriedade e que o lucro está atrelado à venda de animais. Isto realmente tem sido constatado com frequência, mas o dimensionamento desta participação nas receitas da atividade ainda é bastante questionado. Além disso, o comportamento do fluxo de caixa da venda de animais também não é equação fácil de se entender, pois como são vendas potenciais, é difícil prever quando elas ocorrerão.

Antes de falar nestes números é importante salientar que o conjunto destes animais colocados no mercado geralmente é formado por novilhas prenhas e vacas em lactação, mas também devem ser consideradas as vendas de animais de descarte (sejam aqueles que vão para o açougue ou para criadores com menor nível produtivo), os machos que foram engordados em outros sistemas e até aqueles bezerros que foram vendidos a tenra idade ou mesmo recém nascidos. Todos estes animais citados, um dia fizeram parte do sistema de produção de leite e originaram despesas para sua manutenção na propriedade. Sendo assim, mesmo que alguns tenham saído muito cedo da propriedade (recém nascidos ou com pouca idade) ou tenham sido incorporados em outros sistemas (engorda de machos, por exemplo), deve ser dada entrada das receitas imediatamente após a sua saída do sistema de produção de leite. A não ser nos casos da realização de contabilidades separadas para o gado em produção e para o gado jovem é que podemos fazer a entrada das receitas somente após o abate dos machos gordos, por exemplo.

A análise dos custos e receitas inerentes a cada tipo de produção dentro de uma propriedade leiteira (leite ou animais) é o caminho para se determinar a dimensão e a importância da comercialização de animais para a atividade. Dentro deste contexto, a discussão do trabalho apresentado na última Reunião Anual da SBZ (Sociedade Brasileira de Zootecnia) de autoria de Gercílio Alves de Almeida Júnior (UNESP-Botucatu), Marcos Aurélio Lopes (UFLA) e Fiorindo Pinatto (COPLAP), onde o efeito da venda de animais na rentabilidade de um sistema intensivo de produção de leite tipo B foi avaliado, é bastante pertinente. A propriedade em questão tem sistema de produção baseado em confinamento total dos animais, com volumoso a base de silagem de milho.

Neste trabalho o levantamento dos valores investidos na propriedade dividiu custos e receitas da seguinte maneira: RECEITAS: receitas obtidas através da venda de leite e animais; CUSTO OPERACIONAL TOTAL: soma do custo operacional efetivo e depreciação; CUSTO OPERACIONAL EFETIVO: desembolso para pagamento de despesas; CUSTO COM DEPRECIAÇÃO: reserva de capital para cobrir depreciações; CUSTO TOTAL: soma dos custos fixos e custos variáveis; CUSTOS FIXOS: remuneração da terra, do capital investido e do empresário, impostos fixos e depreciação; CUSTOS VARIÁVEIS: custo operacional efetivo (sem imposto) e remuneração do capital de giro; MARGEM BRUTA: receitas menos o custo operacional efetivo; MARGEM LÍQUIDA: receitas menos o custo operacional total; RESULTADO ECONÔMICO: receitas menos o custo total (lucro ou prejuízo). Os anos analisados foram os de 2000 e 2001 e a análise da rentabilidade neste período pode ser visualizada na tabela abaixo.


TABELA 1: Resumo da análise de rentabilidade da atividade leiteira e composição percentual do Custo Operacional Efetivo (COE) de um sistema intensivo de produção de leite B no Estado de São Paulo.



A receita com a venda de animais representou, na média do período analisado, 17,45% das receitas totais, contribuindo incisivamente para a obtenção de um melhor desempenho econômico na atividade, embora ela tenha se mostrado deficitária durante este período. Corroborando com o artigo anterior (Você sabe o que é mais oneroso em sua atividade?), o fator de maior influência na formação do custo de produção foi a alimentação do rebanho.

Dessa forma, podemos concluir que realmente a venda de animais tem grande importância e participação nas receitas da atividade de pecuária leiteira. Porém, nem sempre ela é suficiente para equilibrar as contas e proporcionar lucro. É importante observar que cada sistema tem características econômicas próprias e que a distribuição em porcentagem de participação na formação de custos e de receitas pode ser a mesma de um sistema para outro. O que verdadeiramente importa é que o valor absoluto do custo total de produção de um litro de leite seja sempre inferior que a receita obtida na venda dele, independentemente do sistema que se utiliza. Somente nesta situação é que a receita obtida com a venda de animais vai poder proporcionar o lucro da atividade. Caso contrário, ou seja, sem eficiência econômica na produção do leite, a afirmação que abre este artigo dificilmente acontecerá.
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Material escrito por:

Alexandre de Campos Gonçalves

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