Uma sábia decisão presidencial

Publicado em: - 2 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 6
Ícone para curtir artigo 0

O Brasil é o sexto maior produtor de leite do mundo, mas no consumo per capita é um dos últimos. Não é novidade que um dos principais motivos desse descompasso é a crítica situação econômica da maioria da população. Por isso, merece amplos elogios a decisão do presidente Lula de implantar novamente o programa de distribuição gratuita do produto às famílias de baixa renda. No tempo do presidente José Sarney, o programa beneficiava diariamente 7,6 milhões de crianças e respondia por cerca de 20% do total de leite produzido no país.

O programa tem muitas virtudes. Além de permitir que famílias carentes tenham acesso garantido a um alimento de inegável valor para sua saúde, objetivo para o qual foi criado, o programa indiretamente fará com que uma boa parte da produção nacional de leite tenha escoamento contínuo no ano todo, beneficiando não apenas cooperativas e laticínios privados, mas também produtores, quer sejam grandes, médios ou pequenos.

Há que se reconhecer ainda que o programa gerará benefícios em cascata nos dez Estados do semi-árido nordestino, por onde começará, ao injetar perto de R$ 400 milhões por ano na economia das cidades da região. Como o leite deverá ser adquirido nas empresas de laticínios locais, isso significa mais empregos, mais movimento no comércio, maiores recursos para as prefeituras, enfim, melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Para rebater algumas críticas, devemos dizer que o programa nasceu naturalmente dentro do governo Lula, sem ter havido nenhum lobby dos produtores. Na nossa visão, a distribuição de leite e outros alimentos, não é apenas um gesto humanitário, mas uma política de saúde pública pois, ao aumentar a saúde da população, se reduz gastos com doenças e internações hospitalares. Dentro desse enfoque, o leite é o alimento mais indicado devido ao seu alto valor nutritivo.

Tanto é assim, que inúmeros países, inclusive os desenvolvidos, adotam o chamado "leite escolar", específico para ser distribuído no sistema educativo. Na Dinamarca existe desde 1973; em Portugal desde 1971. O do México foi implantado em 1930. Na China, são atendidas 200 milhões de crianças. A própria FAO reconhece a importância estratégica da pecuária leiteira, elegendo-a com a atividade que mais gera riquezas e que mais combate a pobreza das nações.

Que venha o programa e que seja uma resposta para as mães que não se conformam que seus filhos não tenham os indispensáveis 500 ml diários de leite. Precisamos ficar muito atentos para que o programa não se torne objeto de exploração política, como aconteceu com o "ticket do Sarney". Em 2004, teremos eleições municipais e muitos candidatos podem manipular o programa, que pretende distribuir 1 milhão de litros de leite por dia até dezembro de 2004, ou seja, perto de 3% da produção nacional.

Temos apenas uma preocupação. Infelizmente ainda há no país programas do gênero que insistem em ser abastecidos com leite em pó importado. Os organizadores do programa federal devem se precaver para que o mesmo absurdo não ocorra na sua vigência. Se ocorrer, toda ação meritória do programa será anulada, tantas são as distorções que o leite importado provoca na pecuária leiteira e na economia do país.
Ícone para ver comentários 6
Ícone para curtir artigo 0

Material escrito por:

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Nacir Cristiano Penz
NACIR CRISTIANO PENZ

OUTRO - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 04/01/2004

APENAS QUERO LEMBRAR QUE APESAR DA ÓTIMA INICIATIVA PRESIDENCIAL E TODOS OS BENEFÍCIOS FUTUROS, NÓS NÃO TEMOS TANTO ASSIM PARA COMEMORAR, POIS ESTAMOS FALANDO DOS MÍSEROS 1,73% DA PRODUÇÃO NACIONAL QUE ESTÃO SENDO DESTINADOS AO PROGRAMA FOME ZERO E UMA PREVISÃO DE APENAS 3% PARA DEZEMBRO DE 2004, O QUE NÃO MUDA EM QUASE NADA A EXPECTATIVA DO PRODUTOR DE TODO O BRASIL EM COLOCAR MELHOR SEU PRODUTO.

CONCLUIMOS, NO ENTANTO, QUE UMA POLÍTICA MUITO MAIS ABRANGENTE E IMPACTADORA DEVERÁ NOS SER APRESENTADA COM URGÊNCIA, E POR QUE NÃO ALGO COMO UM PROGRAMA PARA MELHORAR A QUALIDADE DO NOSSO LEITE PARA ENTÃO MANDÁ-LO PARA FORA.
Roberto Jank Jr.
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/12/2003

Jorge,

Seria redundância dizer que você tem o meu apoio. Mesmo assim parabéns por seu artigo. As soluções existem, o sucesso não precisa ser inventado, apenas copiado.
Atenciosamente,
Roberto Jank Jr.
Ronaldo Augusto da Silva
RONALDO AUGUSTO DA SILVA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/12/2003

Muito pertinentes os comentários sob o título Uma sábia decisão presidencial. Imparciais, nacionalistas e relevantes, todas as ponderações.
Paulo Martins
PAULO MARTINS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 12/12/2003

Parabenizo o comportamento do Dr. Jorge Rubez, que no momento oportuno vem ocupando espaço na mídia no sentido de demonstrar a importância social e econômica da decisão tomada pelo governo brasileiro, por intermédio do ministro Graziano. Se sábia foi a decisão presidencial, sábios também têm sido os argumentos a favor apresentados.
José Almeida de Oliveira
JOSÉ ALMEIDA DE OLIVEIRA

MAJOR ISIDORO - ALAGOAS - EMPRESÁRIO

EM 12/12/2003

Dr. Jorge Rubez: É louvável a atitude do Governo. Desde que a politicagem não interfira. Gostaríamos que o mesmo Governo se preocupasse com quem produz, tabelando por cima, porque as Indústrias estão se apoderando do mesmo preço mínimo que foi implantado e com isso pagando ao produtor pelo preço estipulado pelo Governo. Aí sim! poderíamos intitular um novo Artigo: "Duas sábias decisões do Governo" Abraços
José Eustáquio Bernardino de Sena - Nenê Sena
JOSÉ EUSTÁQUIO BERNARDINO DE SENA - NENÊ SENA

CANDEIAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/12/2003

Jorge Rubez!

Gostei da entrevista no Canal Rural, a vossa preocupação em relação a alternativas de consumo também é nossa, buscar alternativas juntamente com a indústria nos engrandece, criticar produtos novos que levam leite e soro só faz elevar o consumo de " não lácteos". Enfim vamos juntos no mesmo objetivo.

JoséEustáquio B. Sena -Nenê
Qual a sua dúvida hoje?